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Zapping - Cristina Padiglione

Crescimento do Brasil evangélico entra no radar da Globo

Diretor da emissora, Amauri Soares destaca dados usados como critérios de programação

Amauri Soares, diretor da TV Globo e afiliadas, em apresentação na Rio2C
Dados sobre a mudança de perfil religioso do brasileiro são ilustrados em foto de Jayme Matarazzo como padre na novela 'Além da Ilusão' em painel apresentado pelo diretor da TV Globo e afiliadas, Amauri Soares, durante a Rio2C 2022 - Cristina Padiglione/Folhapress
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A mudança de perfil religioso do Brasil, que de país católico caminha para se tornar uma nação de maioria evangélica, já mexe com os critérios de conteúdo exibido pela emissora. Fiel a um discurso que promete se conectar com o Brasil e o brasileiro, o diretor da TV Globo e Afiliadas, Amauri Soares, destacou essa transformação durante a sua apresentação sobre a nova programação da emissora durante um painel na Rio2C, conferência de audiovisual que ocorreu até este sábado (30) no Rio.

Soares sublinhou também outros dados sócio-econômicos mensurados por meio de pesquisas internas da Globo nesta retomada pós-pandêmica, e compartilhou as informações com uma plateia formada por roteiristas, produtores e distribuidores, em geral, a que chamou de "grande comunidade criativa do audiovisual brasileiro".

​"Este ano tem um fato importante, que é a mudança do perfil religioso", começou. "Nós todos aprendemos na escola um outro Brasil, o de maior país católico do mundo [...] O país vai se transformando num país multirreligioso." O segmento católico, disse, ainda é o que reúne o maior grupo, mas deixa de ser maioria até o fim de 2022 e será vencido pelo nicho dos evangélicos dentro de dez anos, segundo previsões traçadas com base na curva de crescimento das religiões pentecostais.

"Nós estamos muito atentos a isso. Se trabalhamos com representação social, conexão, a gente precisa entender quais são os impactos que essa transformação tem na vida das pessoas", disse.

ALÉM DA FÉ

A Globo nunca esbarrou na intolerância religiosa demonstrada pela Record da era Edir Macedo (desde 1990), onde imagens sacras e menções a cultos africanos são vetados. A emissora ignorou, por exemplo, a campeã do Carnaval do Rio, Grande Rio, cujo enredo exalta Exu e os cultos africanos.

Ao mesmo tempo, a rede da família Marinho sempre priorizou católicos na programação, seja por meio de imagens sacras ou de personagens em novelas, como mostrou o próprio painel onde Soares exibiu esses dados na Rio2C, ilustrado com uma foto do ator Jayme Matarazzo em cena na novela das seis, "Além da Ilusão", onde ele vive um padre.

Amauri Soares, diretor da TV Globo e afiliadas, em apresentação na Rio2C
O diretor da TV Globo e afiliadas, Amauri Soares, destaca dados sobre mudança de perfil no mapa da religião do país, fator que afeta a criação de conteúdo da emissora - Cristina Padiglione/Folhapress

A emissora também já jogou holofotes em estereótipos negativos de evangélicos em mais de uma ocasião, da dramaturgia ao jornalismo. Em 1995, o protagonista da minissérie "Decadência", vivido por Edson Celulari, criava uma igreja neopentecostal e enriquecia em curto prazo, explorando a fé dos fiéis. O texto de Dias Gomes usava frases similares àquelas ouvidas em pregações e ensinamentos de Edir Macedo, dono da Record e fundador da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD).

Há décadas, a Globo reserva horário semanal para a Santa Missa nas manhãs de domingo, um espaço cedido pela emissora, sem custo para a igreja católica. A atenção aos evangélicos é mais recente. Em 2012, a emissora passou a transmitir, inicialmente em esfera regional, e depois nacional, o festival Promessas, de música gospel. Desde agosto passado, o título passou a ser um quadro semanal no programa É de Casa, nas manhãs de sábado, onde se apresentam religiosos entoando trilhas de grande sucesso no segmento.

Zapping - Cristina Padiglione

Cristina Padiglione, 50, é jornalista e escreve sobre assuntos relacionados à televisão. Ela cobre a área desde 1991, quando a TV paga ainda engatinhava. Ela passou pelas Redações dos jornais Folha da Tarde (1992-1995), Folha (1997-1999) e O Estado de S. Paulo (2000-2016), entre outras publicações. Ela também tem o blog Telepadi (telepadi.folha.com.br), hospedado no site da Folha.

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