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Zapping - Cristina Padiglione

Chico Pinheiro fala sobre o futuro fora da Globo: 'Adoraria virar Uber'

Atuar em campanha eleitoral não é opção, mas ele não descarta defender bandeiras 'contra a barbárie'

O jornalista Chico Pinheiro é atleticano
O jornalista Chico Pinheiro em celebração ao seu time, Atlético Mineiro, campeão do Brasileirão - Reprodução
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Em seu primeiro dia oficialmente fora da Globo, Chico Pinheiro foi fazer exame médico para a rescisão do contrato na carteira de trabalho, almoçou com amigos e tem jantar marcado para esta noite (29) na casa de Paula Lavigne, com Caetano Veloso e João Paulo Rodrigues, da direção do MST -Movimento Sem-Terra.

Em conversa por telefone com a coluna entre um compromisso e outro, o jornalista disse que não tem planos traçados para o futuro, mas algumas ideias do que poderá vir a fazer lhe atiçam a mente.

Até dirigir carro de aplicativo de transporte lhe interessa. Reviver o Sarau, programa de música que teve na GloboNews, é outra possibilidade. Outra opção seria reviver seus dias como professor de media training para políticos e empresários.

"Eu nunca pedi pra trabalhar em lugar nenhum", fala. Trabalhar em campanha política não é alternativa em estudo, assegura, mas se for preciso "lutar com a caneta" pela civilização, contra a barbárie, não descarta envolver-se com alguma bandeira.

Chico sabe que em algumas ocasiões causou tensão interna no jornalismo da Globo ao se posicionar sobre questões como o processo de impeachment de Dilma Rousseff, a que chamou de "golpe", e a condenação de Lula pela Lava-Jato. Mas esclarece que seus posicionamentos públicos nunca foram partidários, e sim institucionais.

Confira a seguir os principais trechos da nossa conversa:

Após 26 anos contínuos na Globo, para onde você vai agora?
Chico Pinheiro
- Vou jantar na casa do Caetano e da Paulinha, isso já estava marcado antes, e também estará lá o João Paulo Rodrigues, do MST. Depois temos o que Deus quiser. Eu nunca pedi pra trabalhar em lugar nenhum. Dizem que agora o negócio é trabalhar nas redes sociais, vamos ver. Almocei com uns amigos agora e tava lá um garçom que é pastor e me disse: 'O que você tem que fazer agora é gravar a Bíblia, igual ao Cid Moreira'. Eu disse: 'Imagina, se eu tivesse a voz dele... E ele já gravou, fez isso muito bem'.

Você tinha uma ideia, há um tempo, de refazer o Sarau, programa da GloboNews. Existe essa possibilidade?
Chico
- Ah, sim, vira e mexe alguém me fala isso: 'Vamos refazer o Sarau'. Tem um cara que quer fazer o Bar do Sarau, onde a gente juntaria músicos para fazer apresentações e dali gravaríamos para passar sei lá onde. Essa proposta agora já voltou: 'Agora vamos poder fazer o Sarau', já me disseram. Mas ainda é uma ideia.

Vou ter um tempo pra me refrescar. Como diz aquela música dos Beatles, estou 'Free as a Bird'. Eu me sinto livre como um pássaro. Se não for pra lugar nenhum, tem duas coisas que posso fazer: um escritório de media training para empresários e parlamentares, como já fiz em BH em 1988. Atendia quatro clientes por semana, com duas horas diárias para cada um em um curso de dez horas. Ou posso virar Uber.

Como?
Chico - É, pegar o meu carro e virar Uber ou motorista de outro aplicativo, mas teria que ter um patrocínio, porque esse negócio da Uber de tratar motorista como empreendedor sem as condições mínimas, não dá. Mas eu adoraria rodar pela cidade, cada hora pegar uma pessoa que eu não sei pra onde vai e ouvir a história dela. Adoro dirigir, adoro ouvir histórias e adoro rodar pela cidade.

Não dou cafezinho nem água, mas estou disposto a ouvir essas pessoas todas. Pego um no aeroporto: 'Onde é que você vai?' 'Cemitério São João Batista'. Vou só ouvindo. 'Vou fechar um negócio das arábias', 'Vou encontrar alguém', aí já tem uma história de amor. Vou ouvindo tudo isso e depois registro no meu diário de bordo pra contar essas histórias anonimamente, sem identificar ninguém. É uma ideia.

Agora estamos em ano eleitoral. Pensa em trabalhar com campanha política?
Chico - Não, não penso, mas se precisar me envolver com alguma bandeira para lutar, com a arma da caneta, pela civilização e contra a barbárie, estou aqui. Porque eu não estou a serviço de candidatos, mas da democracia. Na minha opinião, o golpe está sendo dado, mas não é mais com tanques nas ruas, e sim com a desmoralização das instituições.

Você teve um áudio vazado defendendo que a prisão de Lula foi arbitrária, conclusão a que o STF chegaria mais tarde, e a Comissão de Direitos Humanos da ONU também. Sofria pressão interna na Globo para evitar posicionamentos como esse?
Chico - Às vezes eu causava sustos, digamos. Cheguei a chamar de golpe, no Bom Dia Brasil, a comissão formada para o processo de impeachment da Dilma, que era liderada pelo Eduardo Cunha, deputado cassado pouco depois do impeachment. Eu disse textualmente: 'Não vejo nenhuma autoridade moral nessa comissão de Eduardo Cunha porque todos os envolvidos estão com suspeitas de corrupção. Como eles querem ter autoridade para cassar uma presidenta democraticamente eleita? Isso é golpe. Ninguém aí tem autoridade moral pra isso'.

É uma defesa em nome das instituições, não de fulano ou beltrano. É a defesa da civilização contra a barbárie.

Zapping - Cristina Padiglione

Cristina Padiglione, 50, é jornalista e escreve sobre assuntos relacionados à televisão. Ela cobre a área desde 1991, quando a TV paga ainda engatinhava. Ela passou pelas Redações dos jornais Folha da Tarde (1992-1995), Folha (1997-1999) e O Estado de S. Paulo (2000-2016), entre outras publicações. Ela também tem o blog Telepadi (telepadi.folha.com.br), hospedado no site da Folha.

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