Colo de Mãe

Eu era do time que amava férias escolares; na pandemia, repenso minhas posições

Pausa nas aulas: descanso ou caos?

Fotolia
  • Salvar artigos

    Recurso exclusivo para assinantes

    assine ou faça login

Agora

Mãe, eu sei que você está cansada, e eu também estou. Há quem já tenha voltado para o mercado de trabalho, há quem nunca tenha saído de suas atividades presencias e há aquelas, como eu, que estão no conforto do lar, em home office, há um ano e meio praticamente.

Eu sei que parece muito bacana poder trabalhar de casa —e, em muitos aspectos, é mesmo uma delícia—, mas creio que o home office era muito bom quando o mundo funcionava de portas abertas e todo mundo andava sem máscaras na rua. Ficar em casa por mais de um ano é seguro, mas é bem cansativo.

Ainda mais porque a normalidade está longe. As escolas que reabriram fizeram o sistema de rodízio. Há alunos que não voltaram para a aula presencial e estão o tempo inteiro em casa. E raras foram as unidades que ficaram sem fechar as portas por períodos curtos, dado os registros de casos de Covid-19 nos locais.

Mesmo assim, a chegada das férias escolares, que já assustava muitas mães, ganha, neste ano, ares um pouco mais dramáticos, pois a pandemia não acabou.

Em 2020, minhas filhas não tiveram o recesso de meio de ano. Em julho, estavam em aulas, após ter tido uma pausa inicial em abril. Mas, naquele momento, a gente tinha um certo fôlego, um pique de ficar quietinho, aguardando a crise passar, porque achávamos que tudo terminaria no segundo semestre.

Depois, vieram as férias de fim de ano, com comércio aberto e uma sensação de normalidade. Foi em dezembro que minhas filhas puderam ficar um pouco com a avó e, em janeiro, respiramos ar puro do campo e da beira do mar em casas isoladas, para vivenciar outra paisagem que não a da janela de todo dia.

Mas, agora, em julho, tudo está diferente. Há um cansaço maior no ar, um desolamento. Seguiremos a nossa rotina de ficar em casa, com os casos de Covid chegando em parentes, amigos, amigos de amigos e parentes de amigos. Alguns, infelizmente, não conseguiram sobreviver.

Eu, que tanto amava férias escolares, estou repensando meus posicionamentos. Talvez seja porque, há um ano e meio em casa, trancada, sendo animadora de festa, professora, cozinheira, parceira, companheira e psicóloga das minhas meninas dá trabalho.

Amo o ofício materno, adoro ser mãe, mas esse esforço braçal — e mental— me cansa também. E, cansada, ninguém consegue seguir em frente com muita alegria.

De qualquer forma, não há volta na maternidade, é preciso caminhar. O que me resta é listar as atividades que dá para fazer em casa e preparar a diversão.

Colo de Mãe

Cristiane Gercina, 41, é mãe de Luiza, 13, e Laura, 8. É apaixonada pelas filhas e por literatura. Graduada e pós-graduada pela Unesp, é coordenadora-assistente de Grana do jornal Agora, empresa do Grupo Folha. Quer ver o desenho do seu filho publicado na coluna? Envie-o para o e-mail colodemae@grupofolha.com.br com nome completo e idade da criança, nome e celular do responsável.

Final do conteúdo
  • Salvar artigos

    Recurso exclusivo para assinantes

    assine ou faça login

Comentários

Ver todos os comentários Comentar esta reportagem