Colo de Mãe

O dia a dia no trabalho me faz olhar para minhas filhas com mais paciência

Lidar com gente estressada, prazos apertados e incompreensão faz com que nossos filhos pareçam anjos

Descrição de chapéu Agora

Há quem deixe o mercado de trabalho em busca de se dedicar mais aos filhos, enfim, os anos perdidos na vida de uma criança jamais voltarão. Mas trabalhar fora pode ser um ótimo instrutor de mães, mesmo com todo estresse.

O mercado de trabalho é um local em que a gente aprende a olhar para os filhos e entender que, por mais teimosos que sejam, são anjos caídos do céu mediante situações que vivemos fora de casa, prestando serviço.

Os perrengues, problemas e correrias do dia a dia me fazem ser uma mãe muito melhor. E sei que é assim com muitas amigas. Em todo e qualquer trabalho, todos os dias, há uma seleção enorme de cobranças, muita pressão e incompreensão.

Além disso, trabalhar em grupo, que é basicamente a forma de produção na maioria das profissões, é como se a gente estivesse em família. É preciso ter paciência, mas também é necessário dizer o que se pensa. É ideal ser resiliente, mas não dá para ser boba.

A melhor parte é que o nível de estresse é tamanho que, em casa, em vez de me estressar mais, acabo ficando mais calma. Afinal, o que é a demora para se colocar um tênis quando você precisa que algum colega faça uma tarefa o mais rápido possível e ele leva uns dois dias para concluí-la?

Ou o que é um dente que o filho não quer escovar quando, ao pedir educadamente para o profissional que ele faça a tarefa para a qual ele foi contratado, você ouve um sonoro “não”?

A verdade é que, no seu filho, você manda. A ele você corrige. Tem até mesmo a obrigação de educá-lo. Nos filhos dos outros ninguém manda. E o mercado de trabalho é uma coleção de filhos de várias outras pessoas.

Trazer de casa as lições da maternidade também é uma técnica que pode ser utilizada com muito sucesso. Recomendo. Ao ver algum colega desesperado com algum prazo que precisa cumprir ou um trabalho difícil que precisa ser feito a dica é olhar para ele como você olha para o seu filho quando o pequeno cai. Peça calma. Diga ao colega que deve parar, respirar e começar pelo começo. Sempre funciona.

Também há uma boa técnica para quando você precisa entrar mais cedo e sabe que sairá mais tarde, afinal, a regra é clara: a torrada só cai com a manteiga para baixo. Nestas horas, é preciso usar a tática das noites mal dormidas quando se tem filho pequeno. 

Em geral, a gente acorda de madrugada, cumpre nosso papel, volta a dormir e, minutos depois, o sol nasce. É hora de levantar. O caminho? Muito café e pensamento firme que o dia vai acabar logo, para você poder dormir, nem que seja um pouco. Essa é a técnica a ser utilizada nos dias de longa jornada: muito café, cumprimento das tarefas da melhor forma, porque demorar pode te fazer ficar ainda mais, e foco no fim do dia. Ele chegará. 

Mas a principal técnica que se deve trazer da maternidade para o mercado de trabalho é simples e clara: é a certeza de que tudo passa. Um dia, a gente vai rir das dificuldades e ainda vai sentir saudades “daqueles tempos”.

Por isso, em casa ou no trabalho, o que se deve fazer é relaxar, dar o melhor de si e levar o melhor dos outros. No fim, devem sobrar só as boas lembranças.

Agora

Colo de Mãe

Cristiane Gercina, 41, é mãe de Luiza, 13, e Laura, 8. É apaixonada pelas filhas e por literatura. Graduada e pós-graduada pela Unesp, é coordenadora-assistente de Grana do jornal Agora, empresa do Grupo Folha. Quer ver o desenho do seu filho publicado na coluna? Envie-o para o e-mail colodemae@grupofolha.com.br com nome completo e idade da criança, nome e celular do responsável.

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