Bom de Garfo

Sucesso na boêmia Santa Cecília, com seu filé à parmegiana, o Jhony's Bar une todas as tribos

O prato, que faz a fama da casa, é servido em porções nababescas

O Jhony’s Bar da esquina das ruas Canuto do Val e Aureliano Coutinho foi a primeira de suas unidades
O Jhony’s Bar da esquina das ruas Canuto do Val e Aureliano Coutinho foi a primeira de suas unidades - Fotos Otavio Valle/NBQ

A vocação boêmia da região de Santa Cecília, no centro de São Paulo, vem de longa data. Outrora instalados em suas ruas, emissoras de rádio e de televisão, estúdios e gravadoras formaram cenário ideal ao fenômeno.

A presença de artistas moldou a personalidade do bairro. Durante décadas, estrelas do showbiz passaram pelas suítes do Lord Palace Hotel, na rua das Palmeiras.

Nos anos 1960, sempre de chapéu e gravata-borboleta, Adoniran Barbosa (1910-1982) era figurinha carimbada na praça Júlio de Mesquita, batucando sua caixinha de fósforos. Na década de 1970, o bairro abrigou a “Boca do Luxo”, região famosa pelas casas noturnas e boates.

O saudoso comerciante Fuad Sallum, do tradicional Esquina Grill, contava orgulhoso da mala que Raul Seixas (1945-1989) esquecera no seu restaurante! 

Hoje, sem perder a aura boêmia, a Santa Cecília vive nítida transformação. A cada mês, algum lugar descolado é inaugurado: microcervejarias, hamburguerias, lounges ou barbearias gourmet. Para muitos, é a tal gentrificação –negócios modernos e ricos dando novos contornos ao bairro, expulsando moradores com menor poder aquisitivo.

No meio deste furacão, despontou o Jhony’s Bar. Tocada pelos jovens Junior Freires e Toninho Jorge desde 2012, a casa estava decadente e pouco chamava a atenção. A dupla remodelou a cozinha, turbinou o cardápio, mas manteve algo importante: o pique de boteco.

Entre um PF e outro, moradores tradicionais foram se misturando aos “hipsters”, novatos no bairro. Assim, o restaurante resistiu à onda de modernização e também mostrou que uma terceira via era possível. O ponto de convergência, que uniu gente distinta e atrai uma legião de famintos, foi o filé à parmegiana.

O prato, que faz a fama da casa, é servido em porções nababescas [caprichadas] a R$ 51 (para uma pessoa) e R$ 69 (para duas pessoas). Apesar dessas indicações que constam no cardápio, o guerreiro que traçar um prato sozinho vai direto para o “Guinness Book”.

Durante a semana, é divertido ver grupos de estudantes devorando a iguaria como se não houvesse amanhã. Levemente adocicado, o molho de tomates é um dos segredos. Ele é vigorosamente espalhado por toda a extensão do filé, coberto sem miséria com fartas camadas de mozarela.

Vizinhos ou forasteiros, tradicionalistas ou descolados, bacanas ou trabalhadores, gente de esquerda, centro ou direita. Várias tribos se encontram em alguma das três unidades do Jhony’s, na rua Canuto do Val, com algo em comum: unidos pelo parmegiana.

Jhony’s Bar

  • Quando Todo dia, de 7h a 1h.
  • Onde R. Canuto do Val, 241, 242 e 20, Santa Cecília
  • Tel. (11) 3825-1414


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Otavio Valle, 46, é formado pela Unesp (Universidade Estadual Paulista) e pós-graduado em fotografia pelo Senac, mas a vida de jornalista o fez especialista em "botecologia", pela universidade "Bares da Vida".

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