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Madre Teresa brasileira, Zilda Arns tem história narrada em livro de Ernesto Rodrigues

Obra traz bastidores da luta da médica contra mortalidade infantil

A médica e sanitarista Zilda Arns
A médica e sanitarista Zilda Arns, fundadora da Pastoral da Criança - Reprodução/Instagram

Célebre por ser a arte da vida, a biografia é um gênero especialmente inspirador. Ainda mais quando narra a trajetória de alguém que influenciou a vida de milhões de pessoas carentes, como Zilda Arns (1934-2010).

O recém-lançado “Zilda Arns: Uma Biografia” (R$ 34,90, 288 págs., Rocco), escrito por Ernesto Rodrigues (um dos cinco repórteres que participaram da primeira expedição brasileira à Antártida, em 1983), mostra a vida da médica e sanitarista idolatrada em todo o país, indicada três vezes ao Prêmio Nobel da Paz pelo trabalho contra a mortalidade infantil. 

Quando morreu, em 2010, a Pastoral da Criança, fundada por Zilda no começo dos anos 1980, assistia cerca de 2 milhões de pequenos e mais de 80 mil gestantes. Fazia a diferença ao dar o acesso ao básico do básico e, assim, garantir a dignidade.

Não à toa, a irmã de dom Paulo Evaristo Arns (1921-2016), o bispo dos oprimidos, é ainda hoje chamada de Madre Teresa de Calcutá brasileira, referência à missionária (1910-1997) naturalizada indiana que tirou da miséria os mais pobres dos pobres.

Zilda nasceu em 1934, em Forquilhinha (SC) e morreu em uma missão no terremoto que devastou a capital do Haiti, Porto Príncipe. O teto da igreja onde ela estava, com mais 150 pessoas, desabou.

Mas médica ainda vive em seu legado. A Pastoral da Criança teve papel fundamental na histórica redução da mortalidade infantil.

E é importante ainda destacar o papel de Zilda como pioneira em uma área até então dominada por homens: decidiu ser pediatra quando as mulheres sequer estudavam. E frequentou o curso a contragosto do pai, Gabriel Arns.

De fala mansa e serena, Zilda não tinha nada de frágil. Mãe de seis filhos, a médica nunca deixou de trabalhar. Mesmo quando sofreu fortes dramas pessoais, como a morte do marido, Aloysio, vítima de infarto aos 43 anos, e a perda, também precoce, de uma filha em um acidente de automóvel. Já havia perdido um bebê em parto prematuro.

"Que nosso Deus, em sua misericórdia, acolha no céu aqueles que na terra lutaram pelas crianças e os desamparados. Não é hora de perder a esperança", disse dom Paulo, ao saber da morte da irmã.

Biografia recém-lançada traz imagem de Zilda Arns jovem na capa
Biografia recém-lançada traz imagem de Zilda Arns jovem na capa - Divulgação

RAPIDINHA

Outra boa sugestão de leitura é a autobiografia do escritor inglês Frederick Forsyth, intitulada “O Outsider - Minha Vida na Intriga” (R$ 54,90, 336 págs., Record). Considerado um dos maiores autores de thrillers de espionagem internacional do mundo, ele próprio era dono de uma trajetória digna de obras de ficção.
 

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Vivian Masutti, 34, é jornalista formada pela Cásper Líbero e bacharel em letras (português e francês) pela USP (Universidade de São Paulo), onde também cursou a Faculdade de Educação e obteve licenciatura plena em língua portuguesa. No Agora, é coordenadora da Primeira Página.

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