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Secretário de Hilda Hilst conta bastidores da vida na Casa do Sol, seu refúgio em Campinas

Confira sugestões de obras para conhecer o trabalho da escritora

Hilda com seu gravador na Casa do Sol, década de 1970
Hilda Hilst com seu gravador na Casa do Sol, na década de 1970 - Acervo pessoal/ Instituto Hilda Hilst

A Festa Literária Internacional de Paraty, que começou na quarta (25) e se estende até domingo (29), é uma boa oportunidade de conhecer um pouco a obra da paulista Hilda Hilst (1930-2004), homenageada do festival neste ano. E, claro, nem é preciso ir até lá para isso.

De carona no evento, diversas editoras lançaram edições comemorativas da produção da autora, além de livros sobre a própria vida de Hilda, famosa por ter se refugiado na Casa do Sol, em Campinas (93 km de SP), onde deixou rico acervo de poesias, ficções, peças e crônicas.

Foi lá que ela, por volta dos 30 anos, deixou de lado a atribulada vida paulistana para se dedicar à produção literária. Uma das formas de adentrar na intimidade da artista é ler o recém-lançado “O Exorcista na Casa do Sol - Relatos do Último Pupilo de Hilda Hilst” (R$ 42,90, 238 págs., José Olympio), no qual o escritor e cineasta Yuri Vieira narra a experiência de morar por dois anos ao lado da escritora, como seu secretário informal, em meio aos lendários cachorros de Hilda -ela tinha dezenas. 

No livro, Vieira revive memórias do cotidiano da escritora, compondo um testemunho de uma das maiores mentes brasileiras, que acabou se firmando como voz isolada e transgressora ao fundir o sagrado e o profano nos anos 1990.

Foi naquela época que, irritada com a falta de reconhecimento, renegou aquela que chamava de “literatura séria” e inaugurou a fase pornográfica, com a polêmica “tetralogia obscena”: três livros de prosa e “Bufólicas”, de poemas. Uma mescla de paródia com elementos grotescos.

Se viva, Hilda, que morreu aos 73 anos, ficaria feliz em saber que, em 2017, após a Globo Livros, a Companhia das Letras passou a publicar sua obra completa, em edições bem-acabadas, começando por “Da Poesia” (R$ 69,90, 584 págs.), com mais de 20 títulos. Depois, foi a vez de “Da Prosa” (R$ 89,90, 888 págs.), reunião de textos de ficção de 1970 a 1990.

Uma breve coletânea, chamada “De Amor Tenho Vivido” (R$ 49,90, 96 págs.), com 50 poemas, é uma boa dica aos iniciantes, por ser mais em conta do que as edições festivas e atravessar a produção poética de Hilda.

Para 2019, as quadrinistas Fabiane Langona e Cynthia Bonacossa preparam um livro sobre a vida de Hilda no início dos anos 1990, a época erótica que originou “O Caderno Rosa de Lori Lamby”, sua obra mais polêmica, que chegou a ganhar ilustrações de Millôr Fernandes.

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Vivian Masutti, 34, é jornalista formada pela Cásper Líbero e bacharel em letras (português e francês) pela USP (Universidade de São Paulo), onde também cursou a Faculdade de Educação e obteve licenciatura plena em língua portuguesa. No Agora, é coordenadora da Primeira Página.

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