Bate-Papo na Web

Voto impresso não é mais seguro do que a urna eletrônica

Não é difícil entender a verdade usando simplesmente a lógica

Urna eletrônica é usada para computar votos no Brasil - Alan Marques/ Folhapress
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Responda rápido: quanto é 69.504.734 + 78.413.749? Seja sincero: se milhares de pessoas fizerem essa conta, a probabilidade de acerto é maior usando uma calculadora ou na ponta do lápis?

Já faz algum tempo que aprendemos a confiar em resultados de dispositivos eletrônicos para realizar diversas funções –não só pela agilidade, mas também pela menor possibilidade de erro. Então, por que há gente que acredita que contar milhões de pedacinhos de papel seja mais confiável do que a soma digital que é feita dentro da urna eletrônica e depois pelos sistemas do TSE (Tribunal Superior Eleitoral)?

Não faz o menor sentido. O resultado do cálculo acima (147.918.483) é o número de eleitores aptos a votar no Brasil nas eleições do ano passado. Imagine essas milhões de cédulas sendo manipuladas por inúmeras pessoas, fazendo contas. Como é possível afirmar que isso seja mais seguro, menos sujeito a erro, seja por fraudes ou falha humana?

O absurdo é tanto que na última semana proliferaram na internet memes pedindo o fim do Pix e a volta do cheque ou o fim do WhatsApp e a volta do telegrama.

O fato é que muitas fake news têm sido espalhadas por aí e, infelizmente, muita gente ainda acredita. Se não por má-fé, por falta de informação. Mas não é difícil entender a verdade usando simplesmente a lógica: as urnas eletrônicas não são conectadas à internet.

Mesmo que fosse possível adulterar o código-fonte (e existe toda uma criptografia nas urnas e diversas camadas de proteção que tornam isso praticamente impossível), a fraude teria que ser feita individualmente, uma a uma, em centenas de milhares de urnas para que o resultado fosse alterado. São cerca de 500 mil urnas a cada eleição.

Já houve fraudes? Sim, várias –no passado, quando o voto era impresso. Desde que as urnas eletrônicas foram adotadas, não há nenhum caso comprovado. O voto impresso não é mais seguro do que a urna eletrônica e a Terra não é plana.

Se não acredita, por favor, faça um favor a si mesmo e ao país. Leia tudo que está nos seguintes links para entender (justicaeleitoral.jus.br/spe/), (justicaeleitoral.jus.br/fato-ou-boato) e (aosfatos.org/noticias/como-funcionam-urnas-eletronicas-e-o-que-garante-que-os-votos-estao-seguros-nelas).

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Alessandra Kormann é jornalista, tradutora e roteirista. Trabalhou sete anos na Folha.
Desde 2005, é colunista do Show!, do jornal Agora.

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