Bate-Papo na Web
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Cringe é ser intolerante

Para leitor, invenção dos jovens só aumenta a distância entre as gerações

Meme com imagem do Harry Potter, logo de Friends, café e emoji, considerados 'cringe' pela geração Z. O título é 'sim, eu sou cringe'
Meme do Melted Videos, páginas de meme na internet, com o termo 'cringe', que criou polêmica entre gerações no Twitter - Melted Videos/Divulgação
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Agora

Pela sua crônica (ótima, por sinal), eu devo ser da geração Y, nascido antes de 1960. Por isso, não concordo com essas invenções que só servem para aumentar o distanciamento e a intolerância com as coisas, os costumes, as crenças, as atitudes dos mais velhos. Tudo obra dos mais jovens, que paradoxalmente nos acusam de intolerantes com seus hábitos (muitos deles, errados), quando eles é que são os intolerantes. Estamos na época do “o errado é o certo e certo é o errado”. Entre as características que você citou sobre o que é ser “cringe”, faltou dizer: ser intolerante com quem não concorda com a homossexualidade; com quem tem valores familiares e religiosos; com quem é contra as drogas, a promiscuidade sexual atual.
Gilberto

Oi, Gilberto. A sua geração é a dos baby boomers (nascidos entre 1946 e 1964), assim chamados em relação à explosão na taxa de natalidade que ocorreu em alguns países no pós-guerra e ficou conhecida como “baby boom”. Os millennials (nascidos entre 1980 e 1994) é que são da geração Y.

Eu concordo com você em algumas coisas: também sou contra toda forma de intolerância e esse ambiente de lacração na internet em que vivemos, em que parece que é mais importante apontar o dedo para os outros para ganhar curtidas nas suas próprias bolhas do que estabelecer diálogos verdadeiros, para realmente tentar entender o outro e nos fazer entender – e, quem sabe, evoluirmos juntos.

Já escrevi um pouco sobre isso aqui. De fato, muitos jovens parecem bem exaltados quando defendem seus pontos de vista nas redes sociais e no mundo real, e pode até parecer intolerância.

Mas será que isso na verdade não é uma defesa, uma reação? Se pensarmos em toda a violência que os LGBTQIA+ sofrem, por exemplo, será que não dá para tentar compreender?

A expectativa de vida dos trans é de 35 anos. Isso porque muitos são assassinados ou se matam, tamanho o preconceito e a dor de não serem aceitos como são. Não é questão de concordar: eles existem, sempre existiram e vão continuar existindo.

O que deveriam fazer? Viver dentro do armário, fingindo ser quem não são? Ou serem respeitados como qualquer ser humano?

Quem não é gay ou trans não precisa concordar com isso: basta não ser. Cada um sabe o que é melhor para si, o que faz a pessoa feliz ou infeliz, certo? Para mim, errado é querer dizer como o outro tem que viver a sua vida. Desde que não faça mal a ninguém, cada um deve ser livre para ser, amar e se vestir como quiser.

Sobre os valores religiosos, há muitos ensinamentos preciosos em todas as religiões. Um dos que mais gosto no Cristianismo é justamente a tolerância: “Quem não tem pecado que atire a primeira pedra”, disse o grande mestre Jesus. Se as suas palavras realmente fossem entendidas e praticadas, viveríamos num lugar melhor.

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Alessandra Kormann é jornalista, tradutora e roteirista. Trabalhou sete anos na Folha.
Desde 2005, é colunista do Show!, do jornal Agora.

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