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Cringe virou cringe: embate entre millennials e geração Z faz sentido?

Convidei a minha filha para falar sobre o assunto

A publicitária e estudante de psicologia Carol Rocha, conhecida como Tchulim no Twitter - Fernanda Tiné /Divulgação
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Recentemente um termo estrangeiro ganhou popularidade nas redes sociais e gerou discussões entre os millennials (nascidos entre 1980 e 1994) e a geração Z (nascidos entre 1995 e 2010). Mas, afinal, o que é cringe e por que isso virou tema de rixa entre gerações?

Para explicar melhor e opinar com mais propriedade, convidei a minha filha, que é da geração Z, mas diz que se sente muito mais millennial. Afinal, eu sou da geração X (nascidos entre meados dos anos 1960 e 1980) e, neste caso, não tenho lugar de fala. :)

Com a palavra, Pituca:

Cringe, verbo que significa ‘encolher-se’ em inglês, tem sido usado pela geração Z para se referir a situações ou coisas vergonhosas, que causam um certo tipo de desconforto em quem as vê —similar ao popular e antigo termo ‘mico’.

Listas com aspectos do que é cringe foram criadas para identificar millennials (como gostar de café, usar calça skinny, falar boleto ao invés de conta e usar emojis, por exemplo), depois de um post no Twitter da influenciadora Carol Rocha. O assunto bombou nas redes, com memes e testes para saber se você é cringe ou não.

O fato é que a palavra está sendo super usada e, segundo os próprios gen-Z, usada excessivamente. E, por mais que seja bom ter um alívio cômico de vez em quando —entre todas as catástrofes que têm acontecido ultimamente—, rixa entre gerações não deveria ser foco central no momento.

Afinal, cringe é apontar diferenças geracionais como melhores ou piores, é julgar o outro simplesmente por ser ou fazer as coisas de um jeito diferente do que você. Cringe é ridicularizar pessoas, é ser racista, machista, lgbtfóbico, capacitista, proferir discursos de ódio e não botar a mão na consciência.

Cringe é síndrome de vira-lata e usar palavras estrangeiras quando o português brasileiro tem tantas opções de palavras incríveis a serem usadas. Na minha opinião, cringe é cringe. Ou, melhor, cringe é tosco.”

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Alessandra Kormann é jornalista, tradutora e roteirista. Trabalhou sete anos na Folha.
Desde 2005, é colunista do Show!, do jornal Agora.

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