Cinema e Séries

Produtores de 'Vingadores' lançam primeiro filme de ação de Hollywood em árabe

Filme mostra ação para retomar a cidade de Mossul do Estado Islâmico

Imagem do filme "Mossul", sobre retomada da cidade iraquiana do Estado Islâmico
Imagem do filme "Mossul", sobre retomada da cidade iraquiana do Estado Islâmico - Reprodução/ YouTube
Fiachra Gibbons
Veneza

Os autores do maior blockbuster da história do cinema anunciaram, nesta quarta-feira (4), no festival de Veneza, a produção do primeiro filme de ação de Hollywood gravado inteiramente em árabe.

Todo o roteiro de "Mossul", sobre a equipe Nínive SWAT da polícia iraquiana —cujos integrantes lutaram para retomar sua cidade, que dá nome ao filme, das mãos do Estado Islâmico—, é falado em dialeto iraquiano. 

Os produtores, Joe e Anthony Russo —que fizeram de "Vingadores: Ultimato" a maior bilheteria da história do cinema— afirmaram que "não hesitaram um segundo" sobre contar a história épica de batalhas em qualquer língua que não fosse a original.

Joe Russo contou que chorou quando leu pela primeira vez, na revista New Yorker, a história desta unidade, formada por agentes que perderam sua família pelo EI. 

"Eu nunca tinha lido uma reportagem jornalística e chorado no final. O empenho desta equipe e todos em Mossul me levou às lágrimas. Aquilo precisa ser contado da forma mais autêntica possível. Não tinha outra forma de fazer isso", afirmou. 

Hollywood é frequentemente acusada de demonizar e humilhar personagens árabes. Os produtores afirmaram esperar que este filme seja um ponto de virada na forma como muçulmanos são retrados nas telas. 

Esta é a primeira produção do novo estúdio dos irmãos Russo, AGBO. "Não poderíamos estar mais orgulhosos dela", celebrou Joe. 

FIM DOS ESTEREÓTIPOS

O produtor-executivo iraquiano, Mohamed Al Daradji, disse que o filme pode finalmente ajudar a eliminar estereótipos racistas. 

"Estou muito otimista de que este filme possa abrir caminho para Hollywood fazer filmes mais positivos sobre o mundo árabe e o Oriente Médio", afirmou. 

"Infelizmente, fomos retratados de uma forma ruim por muito tempo. Sofri com isso, todos tivemos experiências assim", declarou à imprensa. 

Mas, neste filme, os heróis são "reconhecidamente iraquianos, árabes e muçulmanos (...) falando exatamente como a polícia em Mossul fala (...). Nunca temos a chance de ter uma história árabe contada de forma positiva. A propósito, somos seres humanos que nem você", brincou o produtor. 

Joe Russo afirmou que a luta pela segunda maior cidade do Iraque se tornou um "símbolo do estado de guerra moderno". 

O roteirista Matthew Michael Carnahan disse que sua condição para dirigir o filme foi que fosse gravado em árabe, mas ele ficou chocado quando os Russo aceitaram de imediato. 

Apenas quatro meses após a retomada de Mossul, em dezembro de 2017, as filmagens começaram no Marrocos, por motivos de segurança, com um elenco majoritariamente iraquiano. 

"Tenho vergonha de admitir, meu país está em guerra com o Iraque desde que eu tinha 17 anos e estava no ensino médio. Eu nunca soube que a equipe Nínive SWAT existia", afirmou Carnahan, que também escreveu "Guerra Mundial Z".

AFP
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