Cinema e Séries

Compositores de Mary Poppins dizem que trilha vai despertar nostalgia e arrebatar novos fãs

'Foi como reviver minha infância', afirma um dos compositores

Mary Poppins desce dos céus para ajudar Michael e Jane Banks
Mary Poppins desce dos céus para ajudar Michael e Jane Banks - Divulgação
Danielle Brant
Los Angeles

A babá mais mágica de Londres está de volta. Duas décadas após restaurar a união da família Banks, Mary Poppins desce em uma pipa dos céus londrinos para ajudar os agora adultos Michael e Jane –as crianças do primeiro filme.

No papel principal, sai a aclamada Julie Andrews –de "A Noviça Rebelde"– e entra a também britânica Emily Blunt. A comparação é inevitável, mas os fãs devem lembrar que não se trata de um remake do clássico de 1964, e sim de uma sequência da história. O filme estreia no dia 20 de dezembro.

Agora, a família Banks enfrenta a morte da mulher de Michael, que se vê às voltas com a criação de seus três filhos: Annabel, John e Georgie. Resultado: caos total, para desespero da empregada Ellen. Jane, irmã de Michael, tenta ajudar os quatro. Assim como seu próprio pai no primeiro filme, Michael tem dificuldade de se conectar com os filhos. É nesse contexto que Mary reaparece.

Mais que os personagens que remetem ao filme de 1964, a trilha sonora de "Mary Poppins - O Retorno" é que tem o desafio de encantar novas gerações e despertar a nostalgia dos adultos que cresceram embalados pela primeira produção da Disney.

Os responsáveis pelas novas canções foram Marc Shaiman e Scott Wittman, que escreveu as letras do novo musical. Ambos são fãs declarados do primeiro filme, conforme ficou evidente em evento realizado no Grammy Museum, no final de novembro, em Los Angeles. Eles participaram de uma conversa de uma hora e 20 minutos com Scott Goldman, diretor artístico do museu. 

Shaiman conta que, ao saber que seriam responsáveis pelas músicas da sequência, ambos se trancaram durante três meses em um hotel para conversar sobre como comporiam as letras. "Eu e Scott sentávamos no quarto juntos e ficávamos cantando: 'paralisados e com medo'", brinca Shaiman.

"Scott entrou no quarto depois de ter lido todos os livros, e escreveu frases. Eu, que não tinha lido nada, comecei a brincar com as frases, indo para frente e para trás e misturando palavras. Scott foi para o piano e as frases começaram, magicamente, a sair do papel", completa.

No meio do processo, Shaiman ainda foi a uma loja e encontrou o disco vinil com a trilha do primeiro longa de Mary Poppins. "Foi como reviver minha infância", diz. Ambos afirmam que eram as pessoas certas para compor as músicas, porque cresceram durante o primeiro filme e, por isso, tinham as referências em seu “DNA, no coração, na alma”, resume Shaiman.

A relação com o diretor Rob Marshall também ajudou, entrega Wittman. Ele era o diretor original de “Hairspray - Em busca da fama”, em que Wittman e Shaiman trabalharam, mas decidiu fazer “Chicago”.
Durante a criação das músicas, a interação com os atores foi fundamental para estabelecer uma relação que fizesse sentido com as cenas, diz Wittman.

"Emily foi instrumental em liberar o medo. Com sua inteligência e confiança, ela nos deixou livres. Ela vinha uma vez por semana para falar do material, ela testava tudo. [...] Se você não estiver na mesma página dos outros, não funciona. Tínhamos a mesma visão neste filme e ensaiamos como um show da Broadway por seis semanas com os atores", afirma.

Depois disso, as estrelas puderam se concentrar em cada detalhe, porque já haviam memorizado as cenas, complementa Shaiman. 

Meryl Streep, que faz Topsy, foi bastante elogiada pelos criadores da trilha. "Ela ensaiou bastante, e no segundo ou terceiro dia de ela ensaiar, peguei Scott e falei: 'a gente tem que entrar lá e agradecer pela ética profissional dela’. E ela disse: ‘o medo é um grande motivador’”, diz Shaiman.

O mais difícil, contam, foi lidar com a responsabilidade de fazer algo que homenageasse os irmãos Robert e Richard Sherman, autores da trilha do primeiro “Mary Poppins”. “Eles eram deuses, então tentamos fazer algumas mudanças para tornar as músicas um pouco diferentes”, conta Shaiman.

“Tivemos que enfrentar o medo de sermos comparados com os irmãos Sherman, o que continua sendo um medo. Não entro mais na internet”, diz. “Mas aí percebemos que é uma bênção essa oportunidade. Para mim, os irmãos Sherman são deuses."

O filme tem também Dick Van Dyke, cantor e dançarino que interpretou Bert, amigo de Mary, no primeiro filme. “Ouvir Dyke e  Angela Lansbury cantarem uma música que escrevemos nos deixou sem voz”, diz Shaiman.

Para Wittman, o segredo do encanto de Mary Poppins durante todo esse tempo é a “mágica”. “A mágica e onde ela se encontra com a disciplina”, brincou. 

"Eu ainda não processei isso ainda. Foi uma experiência única na vida", diz Wittman. "É uma experiência que muda a vida." Já Shaiman resume na frase: "sonhos podem se tornar realidade." "Sonhos não têm prazo para acabar", concorda Wittman.

A repórter viajou a convite da Universal.

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