Cinema e Séries

Filme conta trechos da vida e da carreira do apresentador Chacrinha

Longa tem no elenco Stepan Nercessian, Eduardo Sterblitch, Gianne Albertoni e Laila Garin

Stepan Nercessian na pele do Velho Guerreiro
Stepan Nercessian na pele do Velho Guerreiro - Suzanna Tierrie/Divulgação

Descrição de chapéu Agora
Leandro Vieira
São Paulo

Com suas roupas espalhafatosas e seu jeito irreverente, Chacrinha (1917-1988) marcou o seu nome na história da televisão brasileira. O sucesso do apresentador atravessou gerações, e mesmo hoje os mais jovens sabem de sua importância. Agora, todos têm a oportunidade de conhecer mais sobre o artista, com “Chacrinha: o Velho Guerreiro”, filme que conta os principais momentos da vida e da carreira do apresentador e que estreia depois de amanhã.

Dois atores interpretam Chacrinha no longa: Eduardo Sterblitch, 31 anos, dá vida ao artista quando jovem, e Stepan Nercessian, 64 anos, faz o papel do Velho Guerreiro na fase adulta. “O Stepan incorporou o personagem. Desde o primeiro teste que fizemos, ainda para o musical sobre Chacrinha, ele já começou falando igual a ele. O Eduardo, que entrou depois, também pegou bem o clima”, diz Andrucha Waddington, diretor do filme.

Nercessian conviveu um tempo com o apresentador. “Quando cheguei à Globo, nos anos 1970, ele já estava lá. Era uma figura muito marcante. Constantemente, dava para ouvir os gritos dele para a produção”, relembra.

No elenco estão também a atriz Laila Garin, que faz a cantora Clara Nunes (1942- 1983), e a modelo e atriz Gianne Albertoni, que dá vida à jurada Elke Maravilha (1945-2016). Os cantores Criolo, Luan Santana e Daúde fazem participações especiais. O filme mostra momentos importantes da carreira do apresentador, como o seu começo no rádio, a entrada na televisão, as brigas com José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, ex-diretor da Globo, além da sua relação difícil com a família.

“Também ressaltamos que ele foi o maior disk jockey do Brasil. O programa dele tocava todo tipo de música”, revela Waddington.

A história foi escrita pelo redator Claudio Paiva, que trabalhou em programas como “TV Pirata” e “A Grande Família”, ambos da Globo. A opção foi por não contar toda a vida de Chacrinha, concentrando-se na fase entre os anos 1930, quando chegou ao Rio, até a volta do artista para a Globo, em 1982, depois de uma passagem pela Band. “Contar a vida inteira pode ser chato. Nos concentramos em um período só”, explica Andrucha.

ELKE MARAVILHA E CLARA NUNES

O filme “Chacrinha: O Velho Guerreiro” mostra que o apresentador nem sempre era flor que se cheirasse. Intempestivo, ele raramente se sentia satisfeito com o seu programa e com as pessoas que trabalhavam ao seu redor.

Mas duas mulheres costumavam ganhar a sua simpatia: a cantora Clara Nunes (1942-1983) e Elke Maravilha (1945-2016), que foi sua jurada. “Eles tinham uma relação muito bonita, de pai e filha”, conta Gianne Albertoni, que interpreta Elke no longa.

Já o sentimento do Velho Guerreira por Clara Nunes pode não ter sido paternal. Sem ser explícito, o filme dá a entender que os dois tiveram um caso.

“Não sei se eles namoraram. Essas relações artísticas podem ser um pouco sensuais. E ainda tem o fato de Chacrinha ter sido importante para a carreira dela”, conta Laila Garin, que faz o papel de Clara. Foi Chacrinha que recomendou à cantora que abandonasse o bolero e passasse a cantar sambas, o que impulsionou a sua carreira.

FASE ADULTA

“Chacrinha: O Velho Guerreiro” não é uma cinebiografia. O filme é centrado na fase adulta do apresentador, deixando de fora sua infância e adolescência e os seus últimos anos de vida.

José Abelardo Barbosa de Medeiros nasceu em 30 de setembro de 1917, em Surubim (PE). Morou em outras cidades pernambucanas e em Campina Grande, na Paraíba. Aos 17 anos, ele se mudou para Recife, onde começou a estudar medicina.

Percebeu que seu mundo não era o dos consultórios, e aprendeu a tocar bateria. Entrou em uma banda que se apresentava em navios. Uma dessas embarcações iria para a Alemanha, em 1939. Mas, com o início da Segunda Guerra Mundial, as viagens para o país foram proibidas. O navio teve de parar no Rio de Janeiro, e Abelardo decidiu ficar na cidade em vez de voltar para o Recife.

É desse ponto que o filme começa a contar a sua história. Daí, segue a trajetória de sucesso do comunicador, primeiro na rádio (onde ganhou o apelido de Chacrinha), e depois na televisão, até chegar ao auge na Globo, para onde foi em 1967.

O longa mostra a relação de amor e ódio que o apresentador tinha com José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, ex-diretor da Globo. No filme, ele é interpretado por Thelmo Fernandes.

“O Boni foi parceiro nosso desde quando fizemos o musical sobre o apresentador. Além de ser produtor associado do filme, ele contou histórias de como o Chacrinha era nos bastidores”, explica o diretor, Andrucha Waddington.

Boni mandava e desmandava na Globo, mas era bem difícil controlar as vontades de Chacrinha. Certa vez, o Velho Guerreiro decidiu organizar, sem avisar ao patrão, um concurso para ver qual era o cachorro mais pulguento do Brasil. Além da ira da direção da emissora, a disputa fez com que os estúdios da Globo ficassem infestados pelos insetos.

Também conta como era a briga pela audiência entre o programa de Chacrinha e o de Flávio Cavalcanti (1923- 1986), batalha que gerou um dos fatos mais pitorescos de sua vida e uma das cenas mais engraçadas do filme.

A história ainda passa por momentos nem tão hilários. Fala da relação fria de Chacrinha com a família, e do drama após o acidente em uma piscina que deixou o filho Nanato (1951-2014) tetraplégico. O filme não chega até a morte de Chacrinha, em 30 de junho de 1988, quando teve um infarto fulminante. O último “Cassino do Chacrinha” foi ao ar em 2 de julho daquele ano.

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