Celebridades

Tirullipa diz ter propostas da TV e que é difícil ser ele mesmo na internet

Comediante prepara filme, turnê fora e abre o jogo sobre polêmicas

O humorista cearense Tirullipa Gabriel Cardoso/SBT Gabriel Card

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São Paulo

Diante do dilema entre voltar para a TV aberta ou investir em conteúdo para a internet, o humorista Everson Silva, o Tirullipa, 36, resolveu seguir pelo caminho do meio: vai fazer os dois. Com 26 milhões de seguidores no Instagram e 23 milhões no TikTok, ele faz das redes sociais uma extensão do seu trabalho e diz que deve estrear em um novo programa de televisão em breve. Mistura-se a isso uma turnê de dez dias na Europa, participações em game shows e a série "Os Roni", do Multishow.

Tudo parte de um plano ambicioso, mas bem desenhado pelo humorista. "A gente tem que ser multiplataforma. Pretendo fazer uma coisa bem povão, comédia para a família, tipo ‘Trapalhões’, ‘Chaves’, Chacrinha", comenta ele com relação ao projeto novo de TV.

O comediante, natural de Fortaleza (CE), diz estar empolgado com o quarto ano seguido do personagem Vadinho, irmão de Clayson (Whindersson Nunes) em “Os Roni”, com estreia programada para 8 de setembro.

“Vai ser a melhor de todas. Estamos bem entrosados, só de nos olhamos já sabemos o que falar. No começo, não sabia o caminho e agora só estamos melhorando.”

Porém, na vida pessoal, Tirullipa sofreu com o ódio na internet e com o cancelamento depois de defender que fosse perdoado o DJ Ivis, acusado de agredir a mulher, e defender um pastor, seu amigo pessoal, acusado de abusar de uma criança em um vídeo.

Segundo o humorista, está cada vez mais difícil expor a opinião na internet. “Ninguém escapa, estamos sujeitos a tudo. Hoje está muito livre, qualquer um fala o que quer, é difícil expor opinião, a gente sabe que vai levar pancada”, afirma.

Tirullipa diz que quem sofre mais é a família. “Eu levo a vida na boa e não deixo me afetar. Minha família que fica afetada, me pedia para parar, mas é difícil querer ser você. Falei de perdão [para o DJ Ivis] e sobre a questão do pastor e me interpretam mal, me atacaram. Não vou mais perder meu tempo com isso". Veja trecho da entrevista abaixo.

A internet é seu maior trunfo hoje em dia?
Graças a Deus. Quem pode investir na web colhe os frutos, pois após pandemia foi muito ruim. Vivíamos de shows e eventos e perdemos. Mas quem investiu lá atrás na internet com conteúdo conseguiu se virar e se manter. Fui um dos felizardos. Consegui faturar e trabalhar mais de casa.

Como define o seu atual momento?
Momento maravilhoso, pintou a nova temporada de ‘Os Roni’ (Multishow), gravei um filme dentro da pandemia que será lançado no fim do ano de nome ‘Detetive Madeinusa’. Muita coisa boa. As lives com o [Wesley] Safadão me ajudaram muito. Nas redes sociais, sou o segundo no Brasil em maior número de seguidores atrás do Whindersson Nunes. E segundo no TikTok brasileiro.

E por falar em TikTok, suas filhas Lunna e Layla também aparecem. Acha que elas podem seguir esse ramo?
São elas que seguram o TikTok para mim. Elas sabem tudo do momento, o que está viralizando e me passam dicas para fazer vídeos. Ontem mesmo [terça, 24] eu estava treinando e elas me falaram o que estava viralizando, gravei na hora e deu 2 milhões de acessos. Tem muita coisa pesada que elas tentam gravar e eu tiro. Mas o intuito é humor. Minha filha dizia que não iria sossegar até a gente conseguir passar a Larissa Manoela em seguidores. E hoje estamos com 3 milhões seguidores na frente.


O que prevê sobre “Os Roni”?
Essa série é maravilhosa, a quarta temporada [estreia dia 8 de setembro] vai ser a melhor de todas. Estamos bem entrosados, só de nos olhamos já sabemos o que falar. Tem o Rafael Cunha, a GKay, o Whinderson, um elenco bacana. Hoje é mais fácil trabalhar em algo que já deu certo, colocar uma piada. No começo, não sabia o caminho e agora só estamos melhorando.

Você participa do quadro Paredão dos Famosos do Hora do Faro (Record). Como tem sido?
Eu sentia falta de fazer TV aberta. Recebi proposta do Rodrigo [Faro] para fazer quadro que era do Faustão, a Dercy [Gonçalves] mandava pau nesse quadro [o Roda da Fama, na década de 1990] e eu sou o cabeça de chave, como se eu fosse a Dercy do Faro. Trouxe alguns comediantes como o Gui Santana para ajudar a fazer a graça. É um game bacana que ajuda famílias a ganharem dinheiro. Mas tem mais comédia que game.

Não pensa em voltar a trabalhar em TV aberta?
Estou na trave, está quase rolando algo nesse sentido agora. Estava numa indecisão de fazer TV aberta ou investir só na internet. Eu estava relaxado, confortável, mas senti isso do público agora, o povão mesmo que gosta de mim quer que eu volte. Tive três propostas de três emissoras diferentes. Estou analisando.

Como será mais ou menos esse novo projeto na TV aberta?
Já tinham vindo atrás de mim antes e eu tinha negado, mas agora após fazer com o Faro eu senti que quero retornar. A gente tem que ser multiplataforma. Pretendo fazer uma coisa bem povão, comédia para a família, tipo ‘Trapalhões’, ‘Chaves’, Chacrinha. Quero descobrir talentos e levar o povo para TV.

Você vai fazer uma turnê internacional. Quais as expectativas?
Eu viajo agora no dia 19 de outubro. Essa turnê será dos dias 21 a 31 de outubro, serão de nove a dez apresentações. Vou passar por Portugal, Itália, Alemanha, Suíça, França, Inglaterra, Bélgica e Espanha. Já tinha ido uma vez três anos atrás, mas não estava em ascensão. Em alguns países não lotamos, mas colocamos meia casa. Agora vamos esgotar tudo lá, pessoal com saudade.

Se sente mais preparado agora?
Eu cresci muito, adquiri mais de 10 milhões de seguidores. Abri essa agenda para a Europa, pois no Brasil ainda não está liberado. Não quero abrir teatro para 30% do público. Deixa o povo se vacinar e ano que vem abro para o Brasil.

Recentemente você se viu envolvido em polêmicas ao pedir que perdoassem o DJ Ivis, acusado de agredir a esposa, e defender o pastor amigo, acusado de assédio. Como lida com críticas e cancelamento?
Ninguém escapa, estamos sujeitos a tudo. Hoje está muito livre, qualquer um fala o que quer, é difícil expor opinião, a gente sabe que vai levar pancada. Após essas polêmicas eu até disse que a verdade é você focar o seu trabalho, não dá para ser você mesmo, é difícil ser você hoje em dia. As pessoas não lhe dão esse direito. Elas querem que você seja o que elas são e não é assim.

Como lida com o ódio na internet?
Até falei que as pessoas vão acabar matando alguém com esse ódio todo na internet. É só ódio. E não deu outra. Três semanas depois, morreu o filho da Walkyria [Santos, cujo filho, de 16 anos, se suicidou após receber comentários maldosos após publicar um vídeo]. Ela está lutando para vingar uma lei para punir essas pessoas. Você tem direito para comentar, mas depende, porque o povo está ficando doente e muitos não têm visão. Eu brinco e não fico com isso na cabeça de algo que alguém falou de mim. Mas tem pessoas que não tem essa visão e vão acabar fazendo besteira.

Como a sua família reagiu depois que viu seu nome ser bastante comentado por essas polêmicas?
Eu levo a vida na boa e não deixo me afetar. Minha família que fica afetada, me pedia para parar, mas é difícil querer ser você. Eu levo tudo na comédia, sou assim 24h. Já acordo vendo o que farei para alegrar o povo, coloco gente para me mandar ideias de vídeos. Vivo para a comédia. Por isso que cheguei até aqui. Mas infelizmente está difícil dar minha opinião. O que farei agora daqui para frente é não falar mais de religião. Falei de perdão [para o DJ Ivis] e sobre a questão do pastor e me interpretam mal, me atacaram. Não vou mais perder meu tempo com isso. Vou continuar fazendo graça. Não posso mais falar o que eu acho certo, pois até nisso você é afetado.

Você sente mais dificuldade em fazer piadas?
Até para a gente fazer humor está difícil. Hoje mesmo [quarta, 25] brinquei sobre a gasolina estar cara. Disse que coloquei R$ 100 e não conseguia sentir o cheiro e perguntei: ‘será que é Covid?’ Ai bolsonarista veio falar besteira, o outro falou que era culpa do Lula. Só falei que estava caro, não queria saber o culpado.

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