Celebridades

Maria Zilda recorda amizade com Jorge Fernando e diz que diretor precisava descansar

Atriz fala sobre amizade dos dois em livro de memórias

Lançamento do livro de Maria Zilda Bethlem em SP
Lançamento do livro de Maria Zilda Bethlem em SP - Divulgação
Rio de Janeiro

Em seu recém-lançado livro de memórias, “A Caçadora de Amor”, a atriz Maria Zilda, 66, relembra aventuras de vida ao lado do ator e diretor Jorge Fernando, morto em 27 de outubro, de quem era amiga desde a juventude, e revela ao público que ele é padrinho de seu filho Raphael, 40.

“Jorginho morava no Méier [zona norte do Rio] em 1970. Sem dinheiro para comprar um carro, eu ia buscá-lo em casa de motocicleta e a dona Hilda [mãe dele] ficava brava comigo. Ele pulava na minha garupa e a gente ia para a zona sul, onde conhecíamos atores, produtores, diretores. Queríamos trabalhar. Íamos de porta em porta procurando personagem. Nossa amizade foi sempre muito boa”, conta ao F5.

Maria Zilda diz que o amigo era “um poço de energia, talento e criatividade” e destaca sua facilidade em criar boas cenas. “Se você estava em dúvida, ele fazia tudo e era só você copiar”, diz. 

Londres, Nova Iorque e Itália foram alguns dos destinos para os quais eles viajaram juntos: “Passeamos muito, trabalhamos, nos divertimos. Era uma amizade intensa e muito boa”.

A atriz revela que a última vez que teve uma boa conversa com Jorge Fernando foi em 2016, ao final da novela “Êta Mundo Bom!”, dirigida por ele e escrita por Walcyr Carrasco.

“Quando terminou a novela, eu sempre ligava pra ele e a gente se falava. Ele estava meio arredio e eu sentia que ele estava triste. Quem tem muita energia não pode ficar doente”, diz.

“Em 2017, após o AVC, ele meio que se afastou de todo mundo, então perdi um pouco de contato. Eu ligava para saber se ele estava bem e ele dizia que sim, mas eu sabia que não. Esse ano quase não falei com ele”, conta Mariz Zilda. “Ele devia estar muito bravo por estar doente. Ele tinha amor pela vida e uma energia enorme.”

Apesar de lamentar o ocorrido, Maria Zilda afirma que procura ver “o lado bom” da morte do amigo que, segundo ela “estava precisando descansar”. A atriz faz ponderações sobre o fim da vida e diz que não vale a pena existir quando não é mais possível “saborear a vida”.

“Não digo isso como consolo nem para mim e nem para a família dele, mas acho que estava muito cansado, não parava (...) Falei pra ele que ele já estava cheio de dinheiro, tinha casa em tudo quanto era lugar do Rio e deu casas para membros da família... Disse para ele gastar o dinheiro dele se divertindo e relaxando na Europa.”

MOSCA AZUL

Sem papas na língua, Maria Zilda diz que a Globo “mata pessoas”. Ela explica: “Não é no sentido de que ela é assassina, mas as pessoas quando passam por lá são mordidos por um bicho que chamo de mosca azul, que é o poder. Elas querem crescer cada vez mais, serem mais importantes, e não saem de lá com receio de serem substituídas”, afirma. Em seguida, faz uma ponderação: “Não tenho certeza, mas isso foi uma coisa que observei quando fui casada com o Roberto Talma [diretor]”.

Maria Zilda começou a trabalhar na emissora de Roberto Marinho  em 1974, na novela “Fogo Sobre Terra”, como a personagem Maria Fumaça. Sua última novela foi “Êta Mundo Bom!”, em 2016, como a estilista Emma.

“Nunca deixei que a mosca azul me afetasse, até porque eu não era uma atriz global. Sempre fiz teatro sem parar, cinema... A Globo não era minha única forma de sustento e de realização. Fui muito feliz por lá durante muitos anos, trabalhei com grandes diretores, autores e atores. Quando começou a ficar chato, fui embora”, conta.

A atriz afirma que as pessoas “que entendiam de televisão e de arte” saíram da emissora e foram substituídas por burocratas. Segundo ela, a qualidade dos produtos caiu desde então e o trabalho foi ficando enfadonho.

“Começou a entrar uma garotada de ‘Malhação’, que tem muita gente boa mas não é a maioria. Você vai ficando velha, com hábitos de disciplina, e começa a ter que trabalhar com pessoas que não têm o mesmo profissionalismo”, opina.

“O que adianta ganhar R$ 200 mil por mês se você vai e volta infeliz? Abri mão do poder, do dinheiro, da mídia, em prol da alegria pessoal. Olha quantos morreram de desgosto, da loucura daquilo ali. Percebi que eu tinha que fazer outras coisas”, emenda a atriz, cujos últimos trabalhos em 2019 foram as séries “Chuteira Preta” (Prime Box Brazil) e “Pico da Neblina” (HBO), que já tem a segunda temporada garantida.
 

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