Celebridades

No mês do Orgulho LGBT, Gêmeos #SQN afirmam que luta se vence com 'persistência e amor'

Samuel e Davi Guimarães estarão na Parada Gay de SP neste domingo (23)

Gêmeos #SQN: Samuel e Davi Guimarães
Gêmeos #SQN: Samuel e Davi Guimarães - Josi Fiuza
 
São Paulo

O "look" para celebrar a Parada do Orgulho LGBT em São Paulo, que acontece neste domingo (23), já está preparado nos armários dos irmãos mineiros Samuel, 38, e Davi Guimarães, 37, que criaram o canal "Gêmeos #SQN”.

Os rapazes, que são homossexuais, lançaram o projeto em agosto de 2017 inspirados pela própria história de vida, repleta de dificuldades de aceitação. Ao se assumir gay, Davi se distanciou da família depois que seu irmão contou para sua mãe sobre sua orientação sexual.

Os irmãos, que não são gêmeos mas sempre foram tratados como tal, ficaram cerca de 12 anos "brigados" e só retomaram a amizade dois meses antes do lançamento do canal. Já há dois anos falando sobre diversidade nas redes sociais, eles dois dizem perceber mudanças no contexto social da comunidade LGBT. 

“Muita coisa mudou. Hoje temos menos dificuldades em conseguir patrocinadores e mais autoridade; somos mais ouvido. Temos esse poder de mobilização crescendo”, diz Samuel, que também apresenta o programa Onde Mora a Felicidade, no SBT Alterosa.

Por outro lado, ele diz que não vê o preconceito diminuindo entre as pessoas. “Quanto mais trabalho na questão, mais envolvido eu fico e mais exposto também. Não acho que o preconceito diminuiu, acho que reação [dos preconceituosos] vem do tamanho da ação dos que lutam pela aceitação."

"Já eu entendo que o preconceito está diminuindo sim”, diz o advogado Davi. “Está aumentando o número de pessoas conscientes sobre a causa. E o preconceituoso realmente fica irritado com essa ação”.

Além da passagem por São Paulo, os gêmeos estarão palestrando sobre o assunto no espaço GDG Google em Belo Horizonte no dia 29, na 3ª edição do evento Open. E, pelo alto número de interessados, a dupla já estuda fazer uma segunda palestra avulsa. 

Uma das prioridades na conversa é falar sobre a falta de amparo dos LGBTS em questões envolvendo a saúde. A ideia é que os convidados participem da pesquisa "Manas", da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), como uma forma de estimar os indicadores de qualidade de vida e de saúde de pessoas LGBT em Minas Gerais. Seria uma verificação sobre quais fatores sociodemográficos podem explicar os diferenciais de saúde, além de avaliar o acesso dessa população ao serviço público do estado.

“O que nos chamou a atenção na proposta do estudo é que ela se baseia em pesquisas internacionais que buscam entender as razões pelas quais pessoas LGBTs possuem resultados de saúde piores do que os seus pares heterossexuais” diz Samuel.

“A explicação encontrada nos EUA e em alguns países europeus para essa situação é que pessoas LGBTs experimentam um nível de stress crônico derivado das expectativas constantes de sofrer discriminação, preconceito e violência por serem quem são", completa.

No Brasil, existe uma política nacional de saúde integral para pessoas LGBTs desde 2012. O Estado brasileiro se responsabiliza oficialmente pela execução de políticas que reduzam as dificuldades de acesso dessa população aos serviços de saúde.

No entanto, a pesquisa da UFMG levanta que, em Minas Gerais, o resultado não é positivo por questões orçamentárias e até por falta de conhecimento da população sobre a existência da política, além da falta de preparo dos profissionais da saúde para atender LGBTs dentro das suas necessidades específicas.

Mesmo assim, Samuel insiste na causa, pois acredita que a luta se vence com "persistência e amor". Ele chama a comunidade para promover a aceitação: "Sem a coragem de se aceitar e se amar primeiro, você não será respeitado. Não vai ter o namorado que quer ou o emprego que quer, pois a satisfação vem de dentro, e ela só vai vir quando você se aceitar. Por isso admiramos muitos transexuais e drag queens, quem o povo costuma achar ‘feio’. Porque eles são eles. Eles lutam mesmo, estão na arena da vida. E a gente quer estar nessa luta, ajudando e levando ela para a frente”.

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