Celebridades

Retiro dos Artistas fez 100 anos com dívida de R$ 4 mi e pede ajuda para continuar trabalho

Festa foi possível com doação de R$ 30 mil de Ana Beatriz Nogueira

Zezé Motta e Rosamaria Murtinho nos festejos do centenário da instituição
Zezé Motta e Rosamaria Murtinho nos festejos do centenário da instituição - Mariama Pietro/Divulgação
Cris Veronez
Rio de Janeiro

Fundado no Rio de Janeiro pelo ator Leopoldo Fróes (1882-1935), com o objetivo de oferecer apoio social e assistencial à classe artística, o Retiro dos Artistas comemora um século de existência. O centenário foi celebrado com coquetel na semana passada, na capital fluminense, e lançou nova luz sobre dificuldades financeiras da instituição.

Compareceram à confraternização, para dar apoio, artistas como Rosamaria Murtinho e Zezé Motta, entre outros veteranos na ativa. A jovem atriz Isabelle Drummond discursou. A festa só foi possível, porém, com uma doação da atriz Ana Beatriz Nogueira –que deixou “Malhação” (Globo) em junho, no papel de Isadora.

Ela não comentou o valor, mas a assessoria do evento falou em R$ 30 mil. Hoje, de acordo com a administradora geral do Retiro, Cida Cabral, a instituição opera com déficit de 30% a 40% ao mês, com dívida de quase R$ 4 milhões com o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).

Com o apoio de parceiros, a casa ganhou outra cara ao longo dos anos. Para captar recursos ainda faz um brechó de segunda a sábado com peças doadas, além da tradicional festa junina e outros eventos. "A despesa, dentro dessa infraestrutura atual, que atende a 58 residentes, é de R$ 120 mil por mês”, detalha Cida.

Ela fala em 65 casas, clínica de fisioterapia, ambulatório, restaurante, refeitório e projetos de dança e teatro. Presidente da instituição há 20 anos, o ator Stepan Nercessian, 64, faz um balanço positivo da atual situação do local, apesar das dificuldades apresentadas até aqui.

"Essa dívida de INSS já foi muito maior. Não temos auxílio do governo pois temos essa inadimplência. Já tentei pagar várias vezes”, diz ele, que, entretanto, afirma não ter encontrado uma proposta de refinanciamento que o ajudasse.

No período em que está no comando, diz ter vivido bons e maus momentos. "Fomos obtendo resultados. Tiramos 50 caminhões de lixo lá de dentro. Essa miséria também atinge a miséria humana. Como eu poderia reanimar pessoas, se o ambiente estava decadente? E para o idoso é muito ruim ficar nessa situação de que amanhã tudo pode se acabar."

Para o futuro, Nercessian diz que gostaria de construir uma casa de repouso particular no terreno do Retiro, de 15 mil metros quadrados. "Essa parte pagaria a despesa da outra." Pretende ainda, em breve, finalizar um salão de beleza que atenderá residentes e público a preço popular. "Não queremos viver eternamente de doações", finaliza Cida.

"SÃO COMO MINHA FAMÍLIA TAMBÉM", DIZ ARTISTA CIRCENSE

O Retiro dos Artistas prioriza abrigar os mais necessitados. E não são apenas atores. Todos são bem-vindos: cinegrafistas, técnicos, fotógrafos, pintores, cenógrafos, cinegrafistas e talentos circenses.

"Se você fosse pegar o estatuto antigo, só entrava no retiro quem tivesse contribuído por algum tempo. Mas aquilo virou uma casa de socorro. O critério que uso hoje é de como está a barra da pessoa", diz Nercessian.

Holdira Martins, 93, está há mais de dez anos no Retiro. Irmã do compositor Herivelto Martins (1912-1992), conhecida como Piuxa, a artista circense conta que quase todo o mundo de sua família morreu. “Só ficou uma sobrinha minha, a Denise, e eu. Ela é quem toma conta de mim. Me deixou no Retiro porque viaja muito. As pessoas do Retiro são como se fossem minha família também", conta.

Piuxa afirma que a rotina na instituição é divertida: "Tem festa lá, e eu gosto muito. Tenho até um parceiro que sempre me tira para dançar."  

Aos 80 anos, Claire Digonn ainda está na ativa. A atriz, que recentemente apareceu em um comercial de TV, diz que adora se cuidar. No Retiro, ela faz aulas de pilates e dá atenção a pele e cabelo. "Na minha casa, ninguém entra. Só uma amiga ou duas. Mas trato todos com muito carinho. Faço tricô, crochê e um caderno de palavras cruzadas por noite. Estou muito bem."

 
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