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Pabllo Vittar fecha contrato para lançar dois álbuns com Sony 

A drag queen Pabllo Vittar em ensaio fotográfico em Fernando de Noronha (PE)
A drag queen Pabllo Vittar em ensaio fotográfico em Fernando de Noronha (PE) - Bruno Santos-03.ago.2017/Folhapress


A cantora Pabllo Vittar, 22, fechou nesta quarta-feira (9) contrato para a produção de dois álbuns pela Sony Music Entertainment Brasil. O álbum de estreia, "Vai Passar Mal", foi feito de forma independente e lançado no começo deste ano. 

"Estou sentindo uma emoção muito grande, porque é um passo enorme que estou dando na minha carreira e estou muito feliz de estar fazendo isso com pessoas que são tão queridas e que, para mim, já fazem parte da minha família. Então, estou bem feliz. E aguardem muitas novidades", disse Pabllo.

O contrato foi assinado na tarde desta quarta no Rio. A cantora também é crooner da banda do programa "Amor e Sexo", comandado por Fernanda Lima, e garoto-propaganda da marca Avon.

Com a contratação, Pabllo passa a integrar um cast formado por alguns dos maiores nomes da cena musical, incluindo artistas como Shakira, Beyoncé, Britney Spears, Fifth Harmony, Roberto Carlos, Nego do Borel, Natiruts, Solange Almeida, Jota Quest, além de Preta Gil, com quem Pabllo dividiu recentemente os vocais em "Decote".

Mais cedo, a drag queen participou do programa "Encontro com Fátima Bernardes" no qual afirmou que nunca quis mudar de nome e que não se importa com gênero

"Acho que se eu tivesse um nome feminino, não ia passar tanta verdade. Não gosto de me trancar em uma caixa. Gosto de ser afeminada, de ser isso aqui, de sair na rua às vezes de boné. Eu gosto de ser o que eu quiser ser", disse a artista. 

Em recente entrevista ao "F5", a drag queen, cujo nome verdadeiro é Phabullo Rodrigues da Silva, se descreveu como "fluido de gênero". "Sou drag queen só quando tem que ser. É igual a chapéu: coloco e tiro na hora em que preciso. Não sou drag 24 horas. Eu amo ser Pabllo desmontado e sair de camisa e boné na rua", disse. 

Mas é na personificação da drag queen Pabllo Vittar que ela tem chamado a atenção do público, da crítica e de artistas. Suas músicas dançantes figuram no topo das paradas de streaming, como Deezer e Spotify, além do YouTube, onde tem mais de 160 milhões de visualizações.

Em pouco mais de um ano, a cantora viu sua agenda lotar, seu cachê saltar de R$ 2.000 para R$ 50 mil e sua persona se tornar símbolo LGBTQ.


'DRAG RACE'

Sua conta no Instagram também teve rápida expansão, superando uma das drags mais famosas do mundo, RuPaul –do reality "RuPaul's Drag Race". Pabllo ultrapassa 2,8 milhões de seguidores– no final de junho, tinha 1,4 milhão.

"Para mim, RuPaul tem que ter cem milhões seguidores porque ela é muito rainha. Então, são só números. Fico feliz porque é representatividade para as drags do Brasil."

Depois de Anitta, a drag gravou dueto com Preta Gil em "Decote" --primeiro single do álbum "Todas as Cores". O lançamento foi no aniversário de Preta, celebrado na última terça (8). "Pabllo é a revolução que a música e a sociedade precisavam neste momento", afirmou Preta Gil.


QUEM É PABLLO?

Nascido em São Luís (MA), Phabullo é gêmeo de Phamella e tem outra irmã, Pollyana Rodrigues, um ano mais velha. Filho da enfermeira Veronica, não conheceu seu pai, que abandonou a mãe ainda grávida. "Acho que tudo tem um motivo. Minha mãe foi tudo para mim. Não fui aquela criança que ficava triste no Dia dos Pais."

Para sustentar a família, Veronica trabalhava em dois hospitais, por isso Pabllo a via muito pouco. "Tenho muito orgulho porque a bicha sofreu para criar a gente, mas nunca desistiu. Sempre sorrindo, sempre feliz. Tenho muito isso dela, a garra."

A drag diz que a figura paterna é representada por seus empresários –Yan Hayashi e Leocadio Rezende. A carreira começou a engatar em outubro de 2015, com o lançamento de "Open Bar", versão em português feita pela cantora de um dos hits daquele ano, "Lean On", do trio americano de música eletrônica Major Lazer.

A ascensão também tem a mão do produtor musical Rodrigo Gorky, do Bonde do Rolê, que já trabalhou com Luiza Possi e Banda Uó. "Gorky me seguia na internet. Esse safadinho. Ele é amigo do meu 'pai', que era produtor de festas. Um dia ele viu um vídeo meu na internet e assim criamos 'Open Bar'."

NÔMADE

Ainda bebê, Pabllo foi viver em Santa Inês, cidade do interior do Maranhão com pouco mais de 83 mil habitantes. Na adolescência, a família se mudou para Caxias, também no Maranhão, onde a drag passou a imitar cantoras como Beyoncé, sua diva –no início, ela assinava Pabllo Knowles.

A irmã mais velha o defendia na escola sempre que ele sofria algum tipo de bullying. "Sempre fui 'oh my gosh' [delicada], mas na minha, quietinha. Quando alguém mexia comigo, a Pollyana partia para cima. Ninguém podia olhar torto. Ela era ciumenta. Bateu em um menino porque ele me chamou de maricas. Deu uma surra nele. Bem feito."

Apesar de nunca ter apanhado, a cantora diz que já viraram um prato de sopa sobre ela na fila da merenda. "Acho que ele ficou no recalque, na masculinidade dele, aí virou a sopa em mim. Hoje, falo sobre isso na maior tranquilidade, porque superei essas coisas."

Aos 15 anos, Pabllo contou à mãe que era gay ao levar um namorado para dormir em casa. "Foi tranquilo, ela já sabia. Era de boa porque Pollyana também é gay. Nunca fomos privados de nada." Pouco tempo depois, a família se mudou para Indaiatuba, no interior de São Paulo, onde Pabllo trabalhou em várias redes de fast-food e em salões de cabeleireiros.

Dois anos depois, a família fez as malas novamente, desta vez para Uberlândia (MG), após o casamento da mãe. É lá que Pabllo pretende seguir vivendo: acaba de comprar um apartamento de 50 m².

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