Tony Goes

Cinco razões por que '13 Reasons Why' é a série do momento

A high school - mais ou menos equivalente ao ensino médio brasileiro - é um cenário recorrente do showbiz americano. As tensões da adolescência, que são universais, se acentuam ainda mais no ambiente ultracompetitivo das escolas dos EUA, onde é preciso ser popular para se chegar mais ou menos intacto à idade adulta.

Existem ótimas comédias ácidas passadas em high  schools, como "Meninas Malvadas" (2004) ou "Atração Mortal" (1989). Também não faltam dramas, como o clássico de terror "Carrie, a Estranha" (1976).

Agora uma série da Netflix sobre esta fase da vida está fazendo sucesso no mundo inteiro, apesar da plataforma de streaming jamais revelar seus números de audiência. Mas é possível perceber que "13 Reasons  Why" tocou num nervo, tantas são as matérias na imprensa e os comentários nas redes sociais. E as razões para isto são pelo menos cinco:

Katherine Langford é a protagonista da série '13 Reasons Why'
Katherine Langford é a protagonista da série '13 Reasons Why' - Reprodução

1) Todos os filmes citados já eram sobre bullying, um termo que só entrou na moda faz poucos anos. Mas "13 Reasons Why" faz dele não só seu tema central, como vai além. Porque não é de um bullying qualquer de que trata a série. É do assédio moral e sexual que as mulheres sofrem desde a mais tenra idade. A protagonista Hannah (Katherine  Langford) não tem nenhuma das características que costumam incitar gozações: ela é branca, linda, magra, hétero. Mas, a partir do momento em que é percebida por seu colegas como uma garota fácil, sua vida se torna um inferno.

2) "13 Reasons  Why" é um retrato realista e não-idealizado da adolescência. Mesmo sem ter estudado nos EUA, quase todo mundo consegue se identificar com os personagens. Drogas, descobertas sexuais, insegurança e violência estão presentes, de um jeito que, por exemplo, o horário de "Malhação" (Globo) jamais permitiria.

3) O elenco é multirracial. Apesar disso, raça não é problema em "13 Reasons  Why": alunos de diferentes etnias namoram entre si e alguns vêm de famílias misturadas. Além do mais, não é dada a localização da cidade onde acontece a trama. Assim, fica claro que o bullying não é um traço específico deste ou daquele grupo. "13 Reasons Why" poderia se passar praticamente em qualquer lugar do mundo.

4) Suicídio é coisa séria, mas ainda é um tabu pouco discutido. "13 Reasons Why" não só jogou alguma luz no drama vivido por milhares de pessoas, como incentivou algumas delas a procurar ajuda. Desde que a série foi lançada em 31 de março, o CVV (Centro de Valorização da Vida) registrou um aumento de 445% nos e-mails que recebe por dia, além de 170% mais visitantes em seu site. E isto, só no Brasil.

5) "13 Reasons Why" é uma história com começo, meio e fim, ainda que os destinos de alguns personagens permaneçam abertos. Está mais para uma minissérie do que um seriado com várias temporadas. Seus próprios criadores disseram não ter pensado numa continuação. Mas agora, com o sucesso todo, a Netflix ficará tentada a produzir mais episódios. Fica aqui meu apelo: não, por favor. Está bom assim.

Para terminar, uma recomendação: vale a pena assistir a "13 Reasons  Why". Há muitas cenas árduas, e não dá para dizer que seja um programa divertido. Mas tem tudo a ver com este momento em que episódios de assédio moral irrompem a toda hora, na TV e fora dela.

Tony Goes

tem 54 anos. Nasceu no Rio de Janeiro, mas vive em São Paulo desde pequeno. Já escreveu para várias séries de humor e programas de variedades, além de alguns longas-metragens. E atualiza diariamente o blog que leva seu nome: tonygoes.blogspot.com

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