Tony Goes

A complicada relação de Donald Trump com o showbiz

Donald Trump não é o primeiro presidente americano com raízes no mundo do entretenimento. Há 36 anos, os Estados Unidos elegeram nada menos do que um astro de Hollywood para o posto máximo da nação.

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Era Ronald Reagan, que fez sólida carreira no cinema nas décadas de 1940 e 1950. Mas, ao contrário de Trump, Reagan não era um neófito na política quando chegou à Casa Branca. Antes havia sido presidente do poderoso Sindicato dos Atores da Tela e governador do Estado da Califórnia.

A família de Reagan também tinha ligações com o cinema. Sua primeira mulher, Jane Wyman, chegou a ganhar um Oscar de melhor atriz. A segunda, Nancy Davis, não fez tanto sucesso, mas acabou brilhando no papel de primeira-dama. E quase todos os filhos que ele teve com ambas tentaram, em algum momento, seguir a carreira artística.

Apesar de republicano, o presidente Reagan era praticamente adorado por seus pares (já naquela época, a maioria das estrelas preferia o partido Democrata). Hollywood sempre o reconheceu como um dos seus.

Uma situação completamente diferente da enfrentada por Trump, que perdeu qualquer vestígio de simpatia entre os membros do showbiz depois de sua reação intempestiva ao discurso de Meryl Streep na entrega dos Globos de Ouro, no dia 8 de janeiro.

Não que ele fosse muito querido antes. Trump tornou-se uma figura midiática nos anos 1980, com seus projetos faraônicos e sua exuberante primeira mulher, Ivana. Mas só se tornou uma megacelebridade depois que se tornou, no início da década passada, o apresentador de "O Aprendiz".

Ao longo dos anos em que permaneceu à frente do programa, Trump criou uma imagem bizarra para si mesmo, antipática e divertida ao mesmo tempo. Sempre foi um corpo estranho, mas era tido como inofensivo. Agora, depois de sua eleição, muita gente está se dando conta de que esta persona beligerante não era jogo de cena.

O resultado é um boicote jamais visto. Nenhum nome importante da música topou se apresentar na cerimônia de posse de Trump, nem nas muitas festas que acontecem em Washington nesta sexta (20). Até uma banda cover de Bruce Springsteen recusou o convite, depois que seu ídolo reclamou.

O curioso é que Trump continua se comportando como um apresentador de reality show, não como o ocupante do cargo mais poderoso do planeta. Chamou a atenção a maneira como ele espezinhou, há alguns dias, da estreia de Arnold Schrzenegger no comando de "O Aprendiz".

Ao invés de desejar boa sorte a seu substituto no programa (do qual, aliás, ele continua sendo produtor-executivo), Trump tirou sarro, via Twitter, do mau resultado de audiência alcançado por Schwarzenegger.

É aí que mora o perigo. O novo presidente dos EUA dá sinais de que ainda não se deu conta que sua responsabilidade agora é infinitamente maior. Continua com a cabeça no mundo do showbiz —que pode não ser a origem de sua fortuna, mas é o pilar da fama que o conduziu à Casa Branca.

Agora este mesmo showbiz parece rejeitá-lo. Um espetáculo que está só começando.

Tony Goes

tem 54 anos. Nasceu no Rio de Janeiro, mas vive em São Paulo desde pequeno. Já escreveu para várias séries de humor e programas de variedades, além de alguns longas-metragens. E atualiza diariamente o blog que leva seu nome: tonygoes.blogspot.com

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