Tony Goes

Os grandes canais de TV estão lançando aplicativos, e isso é ótimo para o seu bolso

Uma amiga minha cancelou sua assinatura da TV a cabo. "Pago muito caro por um monte de canais que eu nem vejo," justificou ela. "Volto a assinar no ano que vem, quando começar a sétima temporada de 'Game of Thrones'".

Talvez ela nem precise voltar. Está previsto para 2017 o lançamento no Brasil do HBO Now, a plataforma digital da emissora que exibe a série favorita da minha amiga. Ela só precisará assinar este novo serviço para ver "GoT" on-line, em seus computadores e celulares.

A HBO já disponibiliza para o público brasileiro o HBO GO, que oferece vantagens parecidas com as do HBO Now. A diferença é que, para ter o GO, o consumidor também precisa assinar o canal a cabo. E ele só está disponível nos pacotes premium (mais caros) das operadoras.

Com o HBO Now, acabou o intermediário. O espectador pagará diretamente à emissora, como já faz hoje com a Netflix, e por um preço muito abaixo do que o mais barato dos pacotes convencionais de TV por assinatura.

Isso é uma tendência mundial. Outros grandes canais já estão migrando para a internet. A Fox, por exemplo, já lançou no Brasil sua plataforma Fox Play, onde inclusive exibe conteúdo exclusivo, não disponível em seus canais a cabo.

Até a Globo já aderiu com o Globo Play, no ar desde o ano passado. Os não-assinantes podem ver trechos de capítulos de novela já exibidos, acompanhados por comerciais. E os assinantes veem na íntegra e sem propaganda. Em algumas produções, alguns capítulos ainda nem foram ao ar pelo sinal aberto: é o caso da série "Supermax", que já tem nove de seus dez episódios disponíveis on-line.

Todas essas emissoras estão reagindo ao movimento "cut the cord" (corte o fio, em inglês), que está muito forte nos Estados Unidos e já chegou ao Brasil. Em bom português: mais e mais pessoas estão cancelando suas assinaturas de TV a cabo por causa dos altos custos e da farta disponibilidade de conteúdo on-line, às vezes por preços irrisórios.

É mais uma revolução no nosso modo de consumir TV. Agora podemos assistir a quase todos os nossos programas favoritos na hora em que quisermos, no lugar em que bem entendermos (contanto que haja uma boa conexão à internet), e quase sempre sem propaganda. Ah, e sem muita dor no bolso.

Trata-se uma mudança e tanto. Durante décadas a fio, a televisão aberta vendeu o tempo do espectador aos anunciantes: nós éramos o produto que eles ofereciam a seus clientes. A TV paga mexeu nesse paradigma, mas cobra caro pela abundância de opções (muitas delas inúteis) que oferece.

Canais abertos e fechados agora são chamados de TV linear, porque ainda obrigam o espectador a se adaptar aos horários de suas grades de programação. Os aplicativos e plataformas digitais chegaram para nos libertar dessa "ditadura". E custam bem menos. Ufa.


Tony Goes

Tony Goes tem 56 anos. Nasceu no Rio de Janeiro, mas vive em São Paulo desde pequeno. Já escreveu para várias séries de humor e programas de variedades, além de alguns longas-metragens. E atualiza diariamente o blog que leva seu nome: tonygoes.blogspot.com

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