Tony Goes

O showbiz brasileiro seria capaz de produzir um Trump?

A eleição de Donald Trump para a presidência dos Estados Unidos suscitou uma pergunta mundo afora: estaríamos entrando numa era onde figuras oriundas da indústria do entretenimento passarão a dominar a política?

Trump já era conhecido dos americanos desde a década de 1970, quando começou a erguer seus empreendimentos faraônicos. Mas só se tornou uma megacelebridade na década passada, ao se tornar o apresentador da versão local do reality show "O Aprendiz".

O paralelo óbvio no Brasil é com João Doria, o prefeito eleito de São Paulo. Ele e Trump fizeram campanha se posicionando como empresários bem-sucedidos, de perfil conservador e alheios à política. Além do mais, Doria também tem larga experiência na TV. Inclusive comandou "O Aprendiz" brasileiro durante duas temporadas, substituindo Roberto Justus.

Mas o próprio Doria rejeita a comparação. Chegou a afirmar que preferia uma vitória de Hillary Clinton no pleito americano. Tampouco soltou a enxurrada de insultos a minorias e ao bom senso que mantiveram Trump nas manchetes durante um ano e meio.

De qualquer forma, a questão permanece: o Brasil pode eleger alguém que nunca exerceu cargo público, só por causa da fama alcançada na televisão?

Claro que pode. Quase elegemos Silvio Santos em 1989, na primeira votação direta para a presidência da república desde o golpe de 1964.

A quinze dias do primeiro turno, o dono do SBT irrompeu no horário eleitoral anunciando sua candidatura pelo PMN, um partido nanico que até já tinha candidato próprio —o pastor Armando Corrêa, que renunciou em prol de Silvio.

Foi um deus nos acuda. O apresentador disparou nas pesquisas. Fernando Collor, até então o favorito, mandou sua equipe procurar alguma irregularidade, que logo foi encontrada: o PMN estava sem alvará desde o ano anterior. O STE indeferiu a candidatura de Silvio Santos.

Silvio já havia pensado em concorrer a prefeito de São Paulo no ano anterior, e ainda declarou a intenção de se candidatar a governador ou presidente algumas vezes depois do imbróglio de 1989. Jamais cumpriu a promessa, e duvido que o faça agora, aos 86 anos de idade.

Não faltam outros exemplos. Em 2015, José Luiz Datena chegou a anunciar sua pré-candidatura a prefeito da capital paulista. Outros nomes com farta exposição midiática —como Marcelo Crivella, o prefeito eleito do Rio - tiveram sucesso nas urnas, mesmo não vindo exatamente do showbiz.

Ainda há uma outra figura pairando no horizonte: Luciano Huck. Muito já se falou das pretensões políticas do apresentador do Caldeirão, e desde 2013 existe uma página (não oficial) no Facebook: Luciano Huck para presidente do Brasil.

Mas ele mesmo nega qualquer ambição do gênero, pelo menos a curto prazo. Em entrevista à revista "BT Experience", em 2014, Huck declarou que não descartava uma eventual candidatura à presidência do Brasil.

Convites não vão faltar.


Tony Goes

tem 54 anos. Nasceu no Rio de Janeiro, mas vive em São Paulo desde pequeno. Já escreveu para várias séries de humor e programas de variedades, além de alguns longas-metragens. E atualiza diariamente o blog que leva seu nome: tonygoes.blogspot.com

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