Tony Goes

Geraldo Luís rejeitou o sonho de muitos apresentadores

A proposta parecia irrecusável: um programa diário em horário nobre, com rendimentos que poderiam chegar a R$ 500 mil por mês.

E, no entanto, Geraldo Luís recusou. O apresentador passou as últimas semanas esgrimindo com a cúpula da Record, que queria que ele deixasse o comando do "Domingo Show" para assumir uma nova atração nas noites de segunda a sexta.

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Estrategicamente, faz todo o sentido. Os resultados no Ibope da Record na faixa noturna variam imensamente ao longo da semana. Xuxa costuma ir mal, Gugu costuma ir bem. Um mesmo programa diário teria um público cativo e entregaria a audiência com menos oscilações para o que viesse depois.

Mas Geraldo Luís não aceitou o desafio. Alegou razões pessoais: é ele quem cuida do filho adolescente, e o "Domingo Show" já consome boa parte de seu tempo. Além do mais, disse que não quer morrer por excesso de trabalho, como Flávio Cavalcanti.

Há certo exagero aí. Flávio, um dos maiores nomes da TV brasileira entre as décadas de 1960 e 1980, de fato sofreu uma isquemia  miocárdica aguda diante das câmeras, no penúltimo bloco do programa que levava seu nome, exibido ao vivo pelo SBT em 22 de maio de 1986. Morreu quatro dias depois. Mas a atração era semanal, não diária.


O contrato de Geraldo Luís com a Record não explicita o horário nem a frequência do programa que ele deve apresentar. As negociações devem ter sido difíceis, mas o fato é que o apresentador conseguiu o que queria: permanece no "Domingo Show", que vem alcançando bons índices.

O colunista Ricardo Feltrin, do "UOL", diz que outros nomes da Record já estão de olho na vaga desse possível programa: Luís Bacci, Marcelo Rezende e até mesmo o ator Sérgio Marone, que há tempos vem anunciando sua intenção de se tornar apresentador.

Esta ambição é compreensível. Um apresentador bem-sucedido fatura muito, mas muito mais do que a imensa maioria dos atores. Inclusive, porque a oferta de talentos para esta tarefa é relativamente pequena.

Existem milhares de atores excelentes. Mas os apresentadores capazes de render audiência —somando todos os que estão no ar, em todos os canais— não passam de poucas dezenas.

Mônica Iozzi teve a oportunidade de entrar para este círculo rarefeito quando se destacou na bancada do "Vídeo Show" (Globo), mas preferiu retomar a carreira de atriz.

Agora, Geraldo Luís preferiu não dar o passo que talvez o tornasse ainda mais rico e famoso. Não deixa de ser irônico, numa profissão tão cobiçada.


Tony Goes

Tony Goes tem 56 anos. Nasceu no Rio de Janeiro, mas vive em São Paulo desde pequeno. Já escreveu para várias séries de humor e programas de variedades, além de alguns longas-metragens. E atualiza diariamente o blog que leva seu nome: tonygoes.blogspot.com

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