Tony Goes

Perigo na Globo: 'Haja Coração' é a única ficção que vai bem, e está na reta final

A teledramaturgia da Globo passa por um momento delicado. Um único produto vem alcançando bons índices de audiência e repercutindo bastante na internet: a novela "Haja Coração", da faixa das 19h. Só que ela termina daqui a poucos dias, em 8 de novembro.

Todo o resto está desapontando, tanto no Ibope como nas redes sociais. Em alguns casos, pode-se dizer que a emissora se arriscou demais. Em outros, ao contrário: preferiu ser conservadora, e acabou afugentando o espectador.

É o que está acontecendo com "Sol Nascente". A obra de Walther Negrão, Suzana Pires e Júlio Fischer, exibida às 18h, não traz grandes novidades. O maior impacto que provocou foi logo na estreia, por ter escalado Giovanna Antonelli e Luís Melo —dois atores 100% ocidentais— para interpretar descendentes de japoneses.

Depois disso, a novela perdeu boa parte do público de sua antecessora, a elogiada "Êta Mundo Bom", e foi muito criticada pela trama morna. A audiência deu uma reagida com a chegada de Dona Sinhá (Laura Cardoso), a vovó do mal. Mas, ó, azar —a atriz precisou se afastar das gravações por problemas de saúde.

Na faixa das 21h, a mais nobre de todas, "A Lei do Amor" está batendo o recorde negativo de Babilônia (2015), tida como o maior fracasso do horário em todos os tempos.

A novela de Maria Adelaide Amaral e Vincent  Villari é bem escrita e bem atuada, mas está longe de ser arrebatadora. Agora que as eleições passaram, as subtramas políticas da história poderão ser mais exploradas. Mas quem garante que elas farão sucesso?

Nas noites de terça-feira ainda são exibidas duas séries, ambas com produção esmerada. Nenhuma delas está bombando.

"Nada Será Como Antes" propunha-se a retratar os primórdios da televisão no Brasil. Mas, ao invés de focar no impacto que o novo veículo teve sobre a sociedade, o texto de Guel Arraes e Jorge Furtado se concentra nas relações amorosas entre os personagens. É um programa bonito, agradável de ser visto —e facílimo de ser esquecido.

Mais grave é o caso de "Supermax". A grande aposta da emissora —onde ela se aventura por um gênero que lhe era inédito, o terror— vem se revelando uma enorme decepção. Cada episódio tem registrado uma audiência menor do que a do anterior, e os planos para uma segunda temporada parecem ter sido descartados.

Claro que este mau momento pode ser apenas isto, e não uma tendência. A estreia de "Rock Story", a próxima atração das 19h, pode manter os bons números de "Haja Coração" e começar a reverter este quadro.

Mas há que se ter cuidado. A fragilidade de sua ficção é uma ameaça à Globo, muito maior do que a eleição de um bispo ligado à Record para a prefeitura do Rio de Janeiro.

Tony Goes

tem 54 anos. Nasceu no Rio de Janeiro, mas vive em São Paulo desde pequeno. Já escreveu para várias séries de humor e programas de variedades, além de alguns longas-metragens. E atualiza diariamente o blog que leva seu nome: tonygoes.blogspot.com

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