Tony Goes

Elenco manjado dá sensação de repeteco a "Salve Jorge"

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Nos anos 70, Glória Menezes e Regina Duarte costumavam fazer uma novela emendada na outra. A primeira reinava no horário das 20, a segunda no das 19 - às vezes trocavam, mas quase sempre estavam no ar. Ninguém achava ruim, e as tramas daquela época beiravam os 100 pontos de audiência.

Claro que hoje não é mais assim. A Globo de hoje em dia promove um revezamento entre suas estrelas, para não desgastar muito a imagem de nenhuma delas. Mesmo assim, é comum o espectador ter a sensação de que são sempre as mesmas caras no vídeo.

Vejamos o caso de "Salve Jorge". Apesar de cenas impactantes como o leilão de mulheres ou a ocupação do Complexo do Alemão, achei que já tinha visto grande parte do capítulo de estreia em outras ocasiões.

Parte da culpa cabe às panorâmicas do Rio de Janeiro, um clichê das novelas globais. Entendo perfeitamente as dificuldades de produção em outras cidades, mas o fato de 9 entre 10 tramas terem cenários cariocas chega a ser enjoativo - e olha que eu morro de saudades da minha terra natal.

A outra parte da culpa cabe ao elenco cheio de atores "repetidos". Faz poucos meses que Flávia Alessandra, Alexandre Nero, Dira Paes, Giovanna Antonelli e muitos mais estavam em outras novelas - alguns deles em papéis bem semelhantes aos atuais.


Claro que não dá para acusar a produção de "Salve Jorge" de não investir em novidades. A protagonista Nanda Costa ainda é quase desconhecida, apesar de algumas novelas e filmes no currículo. E surpresas na escalação como Tammy Gretchen ou Tiago Abravanel são mais do que bem-vindas.

A verdade é que rola muita discussão dentro da emissora por causa deste assunto. Há quem defenda contratos curtos, por obra certa: além de menos dispendiosos, eles proporcionariam um rodízio maior de atores.

Mas também há diretores que preferem os contratos mais longos, para evitar que a concorrência surrupie os astros mais populares. A Record chega a oferecer cinco anos de estabilidade para nomes do segundo escalão.

Não é uma questão simples de se resolver. O próprio público sente falta de seus queridinhos (eu mesmo já estou em crise de abstinência de Cacau Protásio, a Zezé de "Avenida Brasil"). O mesmo público que reclama de estar vendo sempre os mesmos rostos, de novo e outra vez e mais outra.

Vamos torcer para que as cenas na Turquia salvem "Jorge" do relativo "dejà vu". Se bem que o núcleo turco, com seu português recheado de expressões típicas de lá, me lembrou na hora os "are baba" de "Caminho das Índias". Nada se cria?

Tony Goes

Tony Goes (1960-2024) nasceu no Rio de Janeiro, mas viveu em São Paulo desde pequeno. Escreveu para várias séries de humor e programas de variedades, além de alguns longas-metragens. Ele também atualizava diariamente o blog que levava seu nome: tonygoes.com.br.

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