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'Pedra sobre Pedra' volta no canal Viva; 4 motivos para rever... e 2 para esquecer

26/01/2015 - 14h31

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DE SÃO PAULO

Noveleiro não tem mais sossego nesta vida. Há alguns dias a Globo começou a reprise de "O Rei do Gado", e agora o Viva volta com "Pedra sobre Pedra", do mesmo Aguinaldo Silva, que hoje ocupa o horário nobre com "Império".

O ano era 1992, e Aguinaldo vinha do sucesso da imbatível "Tieta". Era uma adaptação do batido Romeu e Julieta para uma cidadezinha da Chapada Diamantina, com a relação de amor e ódio entre Murilo Pontes (Lima Duarte, em uma variação do Sinhozinho Malta, de "Roque Santeiro") e Pilar Batista (Renata Sorrah, num papel escrito primeiro para Betty Faria). Tanto que em Cuba a novela ganhou um nome muito mais divertido: "Te Odio Mi Amor".

Boas razões para rever a novela:

A FLOR DE JORGE TADEU

Que Comendador que nada. Pegador de verdade é, foi e sempre será Fábio Jr. Ele era o fotógrafo que enlouquecia as mulheres da cidade - casadas, solteiras, viúvas, divorciadas, com saia ou sem saia. Pegou desde as mais jovens Andréa Beltrão e Isadora Ribeiro até Arlete Salles, Nívea Maria, Elizângela e Eva Wilma. As mulheres que comiam sua flor enlouqueciam de paixão. O golpe de mestre foi matar Jorge Tadeu logo no capítulo 30 - mas o homem era tão gato que voltava como fantasma para as mulheres. Tá na hora de voltar os fantasmas nas novelas, né?

MADANA MOHANA MURARI

Quem se lembra de Tomaz Lima, o Homem de Bem? Pois esse cantor-guru foi o primeiro a emplacar um "mantra" como sucesso nas rádios. A música tocava quando a mística Úrsula (Andrea Beltrão) encontrava o fantasma de Jorge Tadeu. Um clássico brasileiro-indiano.

veja o vídeo

Ah, sim: "Entre a Serpente e a Estrela", de Zé Ramalho, tema de Murilo e Pilar, também está entre as melhores do mestre paraibano:

veja o vídeo

CIGANINHO

Com 24 aninhos, o galã Du Moscovis estreava na Globo como Tibor, um jovem cigano que parecia Rodolfo Valentino, galã de Hollywood nos anos 10 e 20 do século passado. No núcleo dos ciganos, havia ainda Yago (Humberto Martins, o cigano do queixo furado) e Vida (a eterna voluptuosa Luiza Tomé).

ADAMASTOR E CARLÃO

Muito antes de fazer a bicha louca de "Império", Paulo Betti viveu Carlão, jogador compulsivo que era o objeto de desejo de Adamastor (Pedro Paulo Rangel), administrador do bordel-cassino da cidade. Lembro de uma cena longa em que Adamastor declara seu amor para Carlão enquanto ele está dormindo em sua cama depois de um porre. Personagem sensível, que mostra o quanto Aguinaldo encaretou com a questão gay 23 anos depois.

E razões para não vê-la:

PILAR BATISTA

A Globo nunca poupou nossos ouvidos de sotaques nordestinos forçados. Mas o da Renata Sorrah nesta novela bate qualquer um. É ruim demais.

ADRIANA ESTEVES E MAURICIO MATTAR

O casalzinho que devia enfrentar a rivalidade de suas famílias era tão sem sal nem açúcar que a gente torcia para separar logo...

*

Reprises traidoras

A Globo deve estar arrependida desse festival "Luz, Câmera, 50 Anos". Duas séries que tinham boa reputação já mostraram que não sobreviveram a uma segunda ou terceira olhada: "Presença de Anita", em que a "revelação" Mel Lisboa na verdade era bem canastrona, e "As Noivas de Copacabana", em que Miguel Falabella prova que não nasceu pro drama, muito menos pro suspense.

Thiago Stivaletti

Thiago Stivaletti é jornalista, crítico de cinema e noveleiro alucinado. Trabalhou no "TV Folha", o extinto caderno de TV da Folha, e na página de Televisão do UOL. Viciou-se em novela aos sete anos de idade, quando sua mãe professora ia trabalhar à noite e o deixava na frente da TV assistindo a uma das melhores novelas de todos os tempos, "Roque Santeiro". Desde então, não parou mais. Mesmo quando não acompanha diariamente uma novela, sabe por osmose todo o elenco e tudo o que está se passando.

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