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'O Carnaval sempre foi assim. O povo na rua e as elites nas sacadas', diz Gilberto Gil

15/02/2015 - 15h23

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CAROL PRADO
ENVIADA ESPECIAL A SALVADOR

Dono de um camarote exclusivíssimo no circuito Barra-Ondina do Carnaval de Salvador, Gilberto Gil discorda de quem diz que o modelo de negócio dos espaços reservados na folia tem se esgotado. Para ele, o movimento é contrário.

"Os camarotes crescem por causa dos negócios, da tecnologia, e vão levando elementos da rua para seu interior. A tendência é que eles se transformem cada vez mais em locais onde se encontra outros tipos de festa enquanto o carnaval acontece na rua", avaliou, em entrevista ao "F5" em seu Expresso 2222, onde reúne a família e amigos anualmente durante a folia.

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"O Carnaval sempre foi assim. O povo na rua e as elites nas sacadas, nas casas, nos sobrados. Camarote é isso, um lugar onde as elites, da classe alta, da classe média, se reúnem para ver o Carnaval, o que o povo faz na rua."

Segundo Gil, a transformação pela qual passa atualmente a festa na Bahia é musical. Uma mudança "natural", como a que aconteceu com a criação do trio elétrico e, depois, com o surgimento das bandas de axé e blocos afro, na opinião do cantor.

"Essas coisas são assim, são cíclicas. O tempo vai passando e os artistas vão passando também. Agora tem o arrocha, antes veio o Harmonia do Samba, o Psirico... É uma sucessão que acontece", afirmou.

No ano em que o axé comemora seu 30º aniversário, porém, o baiano não acredita que o ritmo dominante no Carnaval de Salvador passa por um período de crise —como tem se falado nos últimos anos, por conta da chegada de gêneros como o sertanejo, o funk e a música eletrônica na festa da cidade.

"Quem precisa de crise é a notícia. Quando você vê Bell [Marques, ex-vocalista do Chiclete com Banana] passar, cantando uma música de 20 anos atrás, não tem crise. As pessoas continuam vindo para a rua, os artistas vêm, os recursos continuam vindo dos patrocinadores", afirmou. "Mas o Carnaval vai tendo que se renovar, fazer adaptações. Os modelos de negócio vão parando de funcionar, precisam de ajustes, mas a música é a música."

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