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Famosos raspam barba para prevenir coronavírus, mas médicos dizem que ação não é comprovada

Orientação dos especialistas é preferir barba curta e redobrar cuidados com a higienização

O cantor Marcos, da dupla com Belutti, raspou a barba - Instagram/marcos
São Paulo

Nos último dias, o jornalista Felipe Andreoli, o cantor Marcos, da dupla com Belluti, o humorista Tirullipa e outros famosos rasparam a barba como forma de prevenção ao novo coronavírus. Isso porque circula nas redes sociais a informação de que a barba pode reter o vírus.

O assunto se tornou popular na internet. Levantamento do Google mostra que o interesse de busca pelos termos "barba coronavírus" saltou 1.200% em uma semana (do dia 18 ao dia 24 de março), enquanto a dúvida "tem que tirar a barba por causa do coronavírus?" cresceu mais de 5.000% no mesmo período.

Mas, afinal, há relação entre barba e coronavírus? Não há recomendação técnica sobre o assunto, dizem infectologistas ouvidos pelo F5. A orientação deles é que os homens mantenham a barbar curta e redobrem os cuidados com a higienização.

Para o infectologista Pedro Mathiasi, do HCor (Hospital do Coração), tecnicamente, evitar a barba é uma recomendação dada aos profissionais de saúde que atuam diretamente em casos suspeitos de coronavírus ou de doenças similares, em que o vírus é transmitido pelo ar ou por contato pessoal com secreções contaminadas.

Nesta situação, para a realização de alguns procedimentos médicos, é necessário usar máscaras específicas, que podem ter a sua eficácia prejudicada pela barba. "Especialmente se a barba for volumosa, ela dificulta a vedação da máscara ou a sua correta colocação", diz Mathiasi.

Consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), Munir Ayub não vê problema em homens que não trabalhem na área de saúde manterem a barba, mas adverte-os de que o ideal é que ela seja curta. "É um cuidado a mais, mas não vejo grandes problemas em manter a barba curtinha, sempre bem aparada."

Segundo ele, barbas mais longas e espessas demandam cuidado redobrado de higienização e, por isso, é melhor evitá-las por ora.

A dermatologista Damaris Ortolan, da Sociedade Brasileira de Dermatologista (SBD), afirma que não existem trabalhos ou evidências científicas que comprovem que a barba é um transmissor do vírus até porque trata-se de uma doença nova. "Mas, pensando nas características da barba e na forma de transmissão da Covid-19, de fato, eu acho que é válido tirar a barba, se for possível."

Para quem quiser continuar, a dica dela é também manter a barba curta. "É importante manter um cuidado rigoroso com a barba, lavando muito bem, várias vezes, e evitar de ficar tocando ou passando a mão nela ao longo do dia."

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