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Empresário que fez bota para Shania lança calçado de R$ 100 mil na Festa do Peão

Olívio Martins, que tem estande em Barretos há 15 anos, conta que já fez peças mais caras

Empresário Olívio Martins lança bota de R$ 100 mil na Festa do Peão de Barretos
Empresário Olívio Martins lança bota de R$ 100 mil na Festa do Peão de Barretos - Fernanda Pereira Neves/Folhapress
Fernanda Pereira Neves
Barretos (SP)

Em meio a um desfile de botas, chapéus e assessórios brilhantes, como sempre acontece durante a Festa do Peão de Barretos, no interior paulista, um empresário de 50 anos, conhecido por ter feito botas para astros internacionais e para novelas da Globo, lançou, neste final de semana, uma de suas peças mais ousadas, avaliada em R$ 100 mil.

Feita com o couro de uma cobra píton de 11 metros, pigmentado à mão em um trabalho que durou seis meses, a peça tem salto de cristal filipado de 11 centímetros e pedras brasileiras, além de detalhes em ouro amarelo e ouro branco, explica o empresário Olívio Martins. “Eu tentei fazer uma coisa passarela, rústica e ao mesmo tempo uma joia”, afirma ele.

Segundo Martins, o lançamento de peças inovadoras e com preços bem salgados já é comum durante a Festa do Peão de Barretos. No ano passado, ele fez uma bota de R$ 18 mil com diamantes, ouro, pérolas e couro — de arraia e de pirarucu — para ser entregue à cantora canadense  Shania Twain, 53, que se apresentou no evento na ocasião.

“Há dez anos, eu lanço botas aqui e tem cliente que vem só para ver”, afirma Martins, no estande que mantém há 15 anos no Parque do Peão. Natural de Ipiguá, próximo a São José do Rio Preto, ele diz que seu primeiro teste como fabricante de botas aconteceu em Barretos de 2004. Foi após vender todas as peças que tinha que ele decidiu deixar a fabricação de piscinas. 

Hoje, ele tem duas fábricas de botas, uma em sua cidade natal e outra em Barretos, e tem clientes em todo o Brasil, além de alguns estrangeiros. Antes de Shania, ele já havia calçado astros da música internacional, como Alan Jackson, Mariah Carey e Garth Brooks. Segundo Martins, apenas calçados únicos, desenhados por ele, apesar de ter outros funcionários.

A bota de R$ 100 mil foi feita no tamanho 36 e colocada no centro do estande de Martins na Festa de Barretos. Ele garante, no entanto, que há material suficiente para um segundo par, caso surja um comprador que calce 39, por exemplo. Mas, nesse caso, a peça número 36 ficaria no acervo da fábrica, para garantir a exclusividade do comprador.

“É uma píton de 11 metros, então só vai ter essa. Agora só quando morrer outra. Dá para fazer outros pares com o material, eu tenho encomenda. Mas nesse caso, a gente faz umas botas, mas não coloca joia, não coloca nada, assim você tem um valor mais acessível ao bolso do cliente. Se ele falar que quer uma bota com esse couro por 5.000, a gente desenvolve”.

Apesar do valor elevado, Martins destaca que essa não é a peça mais cara que ele já desenvolveu. Ele afirma que criou, há alguns anos, uma bota de R$ 132 mil. Com a Festa do Peão de Barretos terminando neste domingo (25), o empresário começa agora a desenvolver o projeto da peça que apresentará no próximo ano.

UM FUSCA DE R$ 1.000

Em meio a 1.000 pares de botas expostas no estande de Martins na Festa do Peão de Barretos, é um fusca ano 1973 que chama a atenção de quem entra. O carro, recém-adquirido pelo empresário, foi colocado no local para recordá-lo do início de sua carreira.

O carro era dele em 2004, quando, após um fim de semana na festa, decidiu que tentaria vender suas botas em um estande. Ele tinha 20 pares na ocasião, e precisava de R$ 1.000 para alugar o espaço, bem menor do que tem hoje no evento.

A saída para conseguir o dinheiro foi vender o fusca a um vizinho. Segundo Martins, o veículo estava avaliado entre R$ 2.600 e R$ 2.800, mas o potencial comprador queria pagar apenas R$ 1.000. Para Martins, negócio feito! O que deixou seu pai doido.

“Eu recomprei o fusca para ter essa lembrança. Agora tenho mil ideias para fazer uma personalização. A única coisa que eu sei é que os bancos serão de couro de avestruz, que também é como tudo começou. E quero lembrar também a primeira Festa do Peão que eu vi. Daqui uns cinco, seis anos eu talvez traga ele estilizado”, afirma.

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