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Compostagem caseira transforma lixo em adubo e cria novos hábitos alimentares

A técnica causa reflexão sobre o consumo e a alimentação

Carlos de Oliveira, 54, arquiteto, ao lado de sua mulher, Marisa Maeda, 54, a sua sogra, Mieko Maeda, 79
Carlos de Oliveira, 54, arquiteto, ao lado de sua mulher, Marisa Maeda, 54, a sua sogra, Mieko Maeda, 79 - Jardiel Carvalho/Folhapress

Descrição de chapéu Agora
Fabiana Schiavon
São Paulo

Todos os dias, a cidade de São Paulo gera 20 mil toneladas de lixo, segundo dados da prefeitura. Parte da população já contribui para reduzir esse volume adotando a compostagem doméstica, que transforma resíduos orgânicos em adubo de plantas. Quem usa a técnica diz que é simples e gera benefícios à família e até ao bairro onde vive.

O arquiteto Carlos Henrique Andrade de Oliveira, 54, já faz compostagem há quatro anos. “Na minha família, contribuímos com a coleta seletiva e percebemos que poderíamos cuidar também dos resíduos orgânicos, que não são lixo, já que podem voltar ao ciclo da natureza”, afirma.​

O primeiro passo é avaliar o quanto de lixo a casa produz. A partir daí é possível calcular o tamanho das caixas que serão usadas para a compostagem. “A média costuma ser de 1 litro desses resíduos por mês, então, será necessário ter caixas de 30 litros, por exemplo”, explica Elaine Maria, criadora do blog Mais com Menos.

“Você pode fabricar a sua própria composteira ou comprar modelos prontos, produzidos pela ONG Morada da Floresta”, orienta.

Os ciclos costumam durar de 40 a 60 dias. “São duas caixas grandes e uma última embaixo, com torneira, usada para colher o chorume [resíduo líquido que sai da decomposição da matéria orgânica]. A primeira caixa [com terra e minhocas] vai recebendo o lixo. Quando ela estiver cheia, é hora de colocá-la no meio e passar a vazia para cima –que começará a receber os detritos. Enquanto isso, a anterior vai compostando. Só no mês seguinte é possível retirar a terra já adubada”, afirma Guilherme Turri, consultor na área de resíduos.

Turri fez parte do projeto Composta São Paulo, promovido pela prefeitura, e conta que a compostagem teve grande aceitação da população. “Muita gente muda os hábitos alimentares porque percebe que, se não está visitando muito a composteira, é porque não está consumindo alimentos frescos. Fazer esse processo provoca reflexões sobre a maneira como se vive”, afirma Turri.

A produção de adubos feita pelo arquiteto Oliveira impacta o entorno de onde vive. “Nós quebramos calçadas para ajudar a infiltração da água de chuva, e as árvores recebem nosso adubo, também distribuído aos vizinhos. O chorume, diluído em água, vira fertilizante para a terra e para a rega.”

Como parte da técnica, é preciso contar com material seco, como folhas ou serragem. “Já descobri que flores secas são melhor para a minha composteira. Então, vou à rua, varro folhas e pego para mim”, diz o arquiteto. Elas ajudam a controlar a umidade e o cheiro.

Após começar a fazer compostagem, há quem tenha decidido criar uma horta em casa e diz que, com isso, ficou mais paciente. Mas, segundo Turri, a prática vai além disso. “Ela não é apenas uma brincadeira legal. É algo que faz parte do futuro das cidades.”


SAIBA MAIS

O que vai na composteira Frutas, legumes, verduras, grãos e sementes, sachê de chá, borra e filtro de café e cascas de ovo

Evite grandes quantidades de Frutas cítricas, alimentos cozidos, guardanapos e papel-toalha, laticínios, flores e ervas

Nunca coloque Carnes, limão, temperos fortes, óleos e gordura, líquidos, fezes de animais doméstico e papéis

Estrutura da Composteira

- 2 caixas com furos embaixo
- 1 caixa com torneira para coletar o chorume (que se transforma em fertilizante)

Como funciona?

- As duas caixas de cima recebem terra e serragem. As minhocas ficam na caixa de cima. Com a estrutura montada, basta começar a colocar o lixo misturado a um material seco (serragem ou folhas secas). Em um mês, a caixa de cima deve encher.

- Nesse momento, é feita a troca das caixas. A do meio vai para cima onde terá mais espaço para colocar os resíduos

- Enquanto isso, a caixa do meio vai se transformando em adubo

- As minhocas que agora ficaram no meio da composteira, vão acabar subindo para a outra caixa, em busca de alimentos

Dicas

- O ideal é que demore uma média de 45 dias para fazer a troca da caixa (dependendo, claro, da quantidade de lixo gerada pela casa)

- O mais importante é o controle da umidade, que pode causar mau cheiro e até matar as minhocas

- Com alimentos, as minhocas sobrevivem por até três meses

- Não deixe de coletar o chorume. Se ele encher muito, as minhocas podem morrer afogadas

RESULTADO

- Composto sólido: mistura de resíduos em decomposição avançada e húmus de minhoca, que possui aspecto de terra preta. Pode ser utilizado para plantio ou como adubo de plantas

- Composto líquido: diluído em água pode ser utilizado para regar plantas e como fertilizante. Dura até três meses

Fonte: Composta São Paulo (www.compostasaopaulo.eco.br); Elaine Maria Costa, do site Mais com Menos; Guilherme ​Turri, consultor na área de resíduos; Morada da Floresta (www.moradadafloresta.com.br) 
 

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