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Armando Babaioff diz que morte não é o melhor castigo para vilão Diogo no fim de 'Bom Sucesso'

Ator avalia personagem, se diz mais preparado e relembra xingamentos e maldades

Armando Babaioff, que viveu Diogo em "Bom Sucesso" - Vinícius Mochizuki/Divulgação
São Paulo

Destaque total em “Bom Sucesso” (Globo) na pele de Diogo, um vilão incontrolável e cheio de trejeitos inusitados, o ator pernambucano Armando Babaioff, 38, revela que o último capítulo da trama de Paulo Halm e Rosane Svartman será eletrizante. E engana-se quem pena que mocinho tem de se dar bem e vilão deve morrer no final das novelas. Para ele, a morte é pouco para Diogo depois de tantas maldades.

Em papo franco com o F5, Babaioff avalia como foi fazer seu primeiro vilão na TV, diz que hoje se sente mais preparado para se jogar em desafios e que a vilania o ganhou para futuros trabalhos na TV e fora dela.

Ele também conta que a relação entre o personagem e o público mudou completamente nessa reta final. Se antes o maldoso era agraciado, agora ele é mais xingado. “O amor acabou”, diverte-se.

Confira abaixo a entrevista completa do F5 com o ator.

Como Diogo te surpreendeu?
Diogo, certamente, foi um dos maiores desafios que encontrei na carreira. A começar pela sinopse. Eu não sei quem é o Diogo até agora. Diogo não tem nenhuma informação sobre o passado, eu só sei que ele era pobre e detestava aquela vida. Mas quem era de fato a sua família, seus pais, seus gostos pessoais, nada disso eu encontrei na sinopse. Eu encontrava as respostas no texto da Rosane [Svartman] e do Paulo [Halm]. Cada frase que eu lia do Diogo virava uma verdade. Eu não imaginava que ele fosse cantar, por exemplo, descobri no texto.

Como foi a criação do personagem?
Diogo sempre foi para mim uma página em branco, uma redação tema livre. Então, estava aberto o jogo das possibilidades. Entendi que precisava criar o meu universo para poder existir. Foi assim com o chiclete, a cueca vermelha, o sapato sem meia, mas eu sentia que podia ir um pouco além e quis colocar humor, um humor que já existia no Diogo de forma ácida, debochada, eu só quis brincar um pouco mais. Eu queria um humor involuntário que, apesar de ser o vilão, tivesse na sua personalidade uma certa graça. 

Que análise faz do vilão durante a trama?
Se eu posso fazer algum balanço sobre esse trabalho, seria: ‘Me diverti!’ Colaboração de todos os lados, figurinistas, direção de arte, câmeras, um elenco dos sonhos e um time de autores atentos, que devolvem a bola pronta para o jogo. Nessa jornada, eu tive a oportunidade e o privilégio de trabalhar e conviver diariamente com o Antonio Fagundes, com o Jonas Bloch. Que sorte a minha. Eu saio muito mais feliz do que quando comecei.

Gostou de ser mau na TV?
O vilão habita um lugar muito específico na dramaturgia. Ele pode tudo, dentro da coerência do texto. Ele permite o exagero, flerta com o over, tropeça em excessos o tempo todo e isso, para um ator, é piscina cheia. Só mergulhar. É um personagem que desestrutura, um elemento de desordem, ele atropela a moral em busca do que ele acredita, das ambições patéticas que ele tem. No atual cenário que a gente vive, o material de pesquisa está muito próximo, dá para gente traçar paralelos. 

Quer fazer um outro vilão na carreira?
A vilania me ganha, sim, pela possibilidade de jogo, da cena. Porque ele vai nesse lugar, quase didático, de criação do caos. É vivo, é intenso, é ridículo, é um desenho animado. Eu quero bons personagens, não existe um tipo que eu prefira mais, eu quero trabalhar.

Diogo merece sofrer no último capítulo?
É o que a gente espera. Esse homem fez mal a muita gente. O Diogo matou pessoas. A morte da Jeniffer [Nathalia Altenbernd] é assombrosa, ela é jogada dentro de uma caçamba de lixo. Isso é seríssimo. As cenas finais da novela, o ápice desse psicopata descontrolado em formação, vocês vão ver já. Ele entra numa guinada imoral muito perigosa. Eu continuo achando que a morte não é o castigo que ele merece. 

Sabe dizer a pior maldade dele?
Nossa! Tantas coisas. Diogo fez tantas coisas ruins que eu não acho que seja possível classificar o que é mais pesado. Um momento ainda no começo da trama que gerou muitos comentários raivosos foi a cena quando o Diogo transa com a mulher sem o consentimento dela, num momento em que ela estava sob efeito de álcool. 

Mas tudo o que ele faz tem humor, sarcasmo...
O que me alivia um pouco é que ele é louco, ele canta, ele usa o humor como forma de ataque, ele tem uma rapidez que às vezes é difícil de assimilar. Esse cara é um monstro, mas ele está cantando Agepê [1942-1995], dentro de uma banheira, com óculos escuros. Daqui para o final, apertem os cintos.

Como o povo reagiu ao Diogo?
Nas ruas, nesse momento, a repercussão está acentuada. No início da novela as pessoas achavam esquisito achar graça do personagem e isso foi até o meio da novela. O assédio era curioso, mais tímido. Agora, as pessoas se mostram menos carinhosas, é uma abordagem mais incisiva, uma bronca, sabe? Eu ando muito de metrô e depois dessa curva na reta final, mudou. Eu acho que ficou mais claro que ele é um cara perigoso e louco, né? 

E na internet?
As redes sociais são um termômetro absurdo. Eu não consigo ler tudo, mas é tão incrível perceber que as pessoas estão tão ligadas na história, nas atitudes e em como é rápida a reação. Uma cena que está acontecendo naquele momento e que gera uma reação imediata enquanto ela está no ar. Eu sou muito xingado. O amor acabou para o Diogo (risos). Acho que não consigo mais defender ele não.

Você chegava carregado em casa, carga emocional grande?
Gostava de correr quando dava tempo. Era chegar em casa para decorar texto. Mas toda a oportunidade que tinha eu gostava de suar. Colocar para fora. Quando não dava, era um banho quente e estudar o texto, entender que é um trabalho em equipe, que é uma obra em movimento, que é um ofício e que a minha função nele é contar uma história. Tudo que não é pra levar pra casa eu deixo lá no estúdio e vou em frente, é um ritmo puxado de trabalho. 

Trabalhou muito em “Bom Sucesso”?
O ritmo mais puxado de todos, até agora. Eu gravei muito. Foi uma universidade essa novela. Eu sou grato. Grato demais.

Diogo abriu novas portas a você?
Eu posso responder que para mim foi muito importante. Eu sou um ator bissexto na televisão, faço mais teatro do que novela. Apesar disso, faço TV há 13 anos, mas nos últimos três anos eu pude compreender esse universo da TV um pouco mais, é apaixonante, vicia mesmo. As portas se abriram antes com o Dennis Carvalho (que me viu no teatro em ‘Tom na Fazenda’) e me convidou para viver o Ionan em ‘Segundo Sol’ e o mesmo aconteceu com o Luiz Henrique Rios, que resolveu convidar alguém não tão óbvio para fazer o Diogo. 

Com que espírito deixa a trama das 19h?
Eu me sinto mais preparado. Uma experiência única, que me deu gás para querer explorar mais lugares. Eu repito isso: eu sou um operário. Tenho esse desejo de trabalhar, de experimentar, de me desafiar.

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