Televisão

Audiência de 'O Outro Lado do Paraíso' se aproxima do sucesso de 'Avenida Brasil'

Especialistas afirmam que os bons índices são resultados de linguagem e enredo simples

Marieta Severo como a Sophia de "O Outro Lado do Paraíso"
Marieta Severo como a Sophia de "O Outro Lado do Paraíso" - Raquel Cunha/Globo

Descrição de chapéu Agora
Leandro Vieira

"O Outro Lado do Paraíso" (Globo), de Walcyr Carrasco, tem conseguido bons números de audiência. Na Grande São Paulo, a novela tem batido os 40 pontos de média no Ibope, o mesmo ín­dice marcado por "Avenida Brasil", de 2012, maior sucesso da Globo nos últimos anos.

Cada ponto equivale a 72 mil domicílios. A novela já ultrapassou, inclusive, "A Força do Querer", de Gloria Perez, que, com 36 pontos, teve também bom retorno. Além das viradas que mar­cam a história, os atores de "O Outro Lado do Paraíso" credi­tam os bons números a outras sacadas do autor Walcyr Carrasco.

"Ele está mostrando, de forma bastante versátil, questões atuais, como o racismo, a violência doméstica e o respeito às diferenças", diz Ma­rieta Severo, que interpreta Sophia. A juíza negra Raquel (Erika Januza) e a anã Estela (Juliana Caldas) foram duas que sofreram com a discriminação. E a mocinha Clara (Bianca Bin) foi agredida diversas vezes pelo marido.

Outro ponto importante destacado pela atriz é a agili­dade com que as histórias se desenrolam. "As tramas vão acontecendo e não fica nada arrastado. O público gosta."

Intérprete da vilã Fabiana, Fernanda Rodrigues destaca também o fato de que muitos atores fazem papéis bem dife­rentes do que estavam acostu­mados. "No meu caso, por exemplo, as pessoas não tinham ainda me visto como uma mulher tão nojenta. Isso ajuda na repercussão."

TRAMA ÁGIL E SIMPLES

Para especialistas em con­teúdo para televisão, os bons índices de audiência que a novela "O Outro Lado do Paraíso" vem conquistando são resultados de linguagem e enredo simples. "Walcyr Carrasco está escrevendo uma novela assumidamente popu­lar, fugindo da linguagem complicada e de tramas muito
complexas", afirma o colunista do UOL,  empresa do Grupo Folha, que edita a Folha, e pesquisador em televisão Nilson Xavier.

Ele diz, por outro lado, que a trama paga um preço por focar apenas o entretenimento. "Na busca pela simplicidade, o autor sacrifica, em certos mo­mentos, a lógica da história. Carrasco não está interessado
em mostrar uma novela redonda, mas, sim, em criar uma narrativa ágil, em que acontecem muitas coisas em todos os capítulos. Todas com bons ganchos."

​Julio Cesar Fernandes, professor de transmídia da Facul­dade Cásper Líbero, concorda que o ponto forte de "O Outro Lado do Paraíso" está no enredo simples. "O público acom­panha a novela com facilidade, sem precisar se aprofundar em muitas histórias."

Os constantes pontos de virada, comuns na trama das nove da Globo, também ajudam a atrair público, de acordo com Fernandes. "As tramas vão acontecendo com soluções rápidas, e outras questões aparecem logo na sequência. Isso torna a narrativa ágil."

Fernandes ressalta ainda o lado lúdico da novela. "O público tende a gostar de uma trama que tenha toques de fuga da realidade."

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