Televisão

Amaury Jr. troca de emissora e diz que festejar virou ofensa 

O apresentador Amaury Jr. na sala principal da sua produtora em São Paulo
O apresentador Amaury Jr. na sala principal da sua produtora em São Paulo - Karime Xavier-19.nov.2017/Folhapress


O eixo Rio-São Paulo já foi reduto de festas mais abundantes —e a escassez de agora a culpa é da situação econômica. A opinião é do colunista social Amaury Jr., um dos últimos apresentadores do gênero na TV brasileira, que mudará de canal em 2018.

"Festejar virou sinônimo de ofensa. Parece que é ostentação num país com essa bagunça, com a economia assim", diz em entrevista ao "F5".

Desde que despontou na televisão brasileira, na década de 1980, Amaury conversa com celebridades, empresários, políticos, jogadores, entre outros, em badaladas festas.

Se no passado, entretanto, as comemorações que cobria eram "espontâneas", como festas de aniversário, agora elas minguaram. "Pior: as que sobreviveram me convidam como amigo, sem câmera."

No ano que vem, o apresentador abrirá mão de um programa diário na RedeTV! para assumir uma atração semanal na Band, emissora que o projetou após breves passagens pela Gazeta e Record. A negociação levou meses

"Vou continuar cobrindo festas de aniversários e lançamentos comerciais, mas acho que é a hora de se reinventar. Tudo mudou, a internet está forte, o panorama é outro."

A troca é reflexo de mudança maior, que envolve Sidney Oliveira, dono da Ultrafarma, seu principal patrocinador. O empresário levou as propagandas da marca para a Band.

"Quero fazer uma revista eletrônica semanal, o que é muito mais produtivo, e que gere informação e entretenimento. Vai ser um programa longevo, concentrando esforços num único dia."

Mas é incerto o destino de "Keep It Comin' Love", hit o grupo americano K.C. and The Sunshine Band que há anos o acompanha e se tornou uma espécie de marca registrada.

"Não tem nada definido. Pode ser que a música continue ou pode ser que ela fique com odor de naftalina. Talvez, na renovação, possa achar algo melhor. Eu sou um bom pesquisador musical."

ANSIEDADE

Aos 67 anos —sendo 38 deles na TV—, Amaury diz ficar ansioso antes de ir ao ar. "Às vezes você não sabe quem estará no evento. De repente aparece alguém da ordem do dia e você precisa se atualizar rapidamente para fazer a pergunta correta."

Também não entrevistou a cantora Marisa Monte, sonho de carreira antigo, mas segue esperançoso. "Quem sabe agora não dá certo?"

Amaury formou-se em direito por gosto do pai, que o fazia "ler um livro por dia". É amigo pessoal de João Doria, prefeito tucano de São Paulo. "Ele foi o fator renovador da política brasileira. Sei do seu caráter e honestidade."

Convidado "inúmeras vezes" para entrar para a política, negou por "não ter vocação nenhuma". Mas diz achar "ótimo" uma eventual candidatura de Luciano Huck, apresentador de um programa de entretenimento da Globo.

"Tem que ter essa renovação. E ele é um cara muito bem preparado e formado."

Apesar da mudança de emissora, afirma que sai sem mágoas e em paz com a direção do canal RedeTV!.

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