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'Pânico na Band' é banido da Comic Con após lamber participante

O site "Omelete", um dos organizadores da Comic Con Experience, afirmou na tarde desta segunda-feira (7) que baniu o "Pânico na Band" das próximas edições do evento.

O site publicou uma nota de repúdio ao humorístico, dizendo que os repórteres maltrataram os "cosplayers" e lamberam uma participante. Assista aqui à matéria do 'Pânico'.

Marina Ruy Barbosa manipula foto para parecer mais magra; compare

"Tem gente que passa dos limites, ontem um cara do 'Pânico' lambeu minha amiga", contou Daniela Viçozi, 23, à reportagem da Folha, durante o evento. Ela estava fantasiada de Arlequina do "Esquadrão Suicida".

A cobertura da Comic Con foi feita pelos repórteres Aline Mineiro e Lucas Selfie do "Pânico". Foi Lucas quem lambeu a visitante, que estava fantasiada de Estelar da animação "Jovens Titãs". Na hora, ela ficou irritada. "Não faz isso", pediu. "Não tem a menor graça".

Programa "Pânico" na Comic Con
Repórter do "Pânico" lambe participante da Comic Con - Crédito: Reprodução/Band

Myo Tsubasa, a garota que foi lambida, publicou um relato do acontecimento no Facebook que foi compartilhado por mais de 27 mil pessoas.

"Me aparece um homem e uma menina, caracterizados já de uma forma ridícula, e nos puxam, com a maior grosseria do mundo, sem nos perguntar se queríamos dar alguma entrevista ou fazer aparição, simplesmente nos agarraram grosseiramente pra frente de uma câmera com uma luz absurda de intensa já na nossa cara", desabafou Myo.

"A menina começou a perguntar sobre meu 'cosplay', já num tom de deboche. Perguntou quem era, e eu respondi: Estelar, dos 'Jovens Titãs', na maior boa possível, sorrindo para a câmera. Então, eles me pedem para ir um pouco à frente e dar uma 'giradinha' para a câmera, o que eu fiz sem cerimônia. E aí recebi o seguinte comentário do SUÍNO que estava agarrando meu amigo: 'Parece aqueles bronzeados artificiais de panicat quando dá errado'. Aí minha paciência já estava quase no zero, se já não estava. Tentei relevar, até que novamente, a criatura ignóbil me dá uma dedada na minha pele e logo em seguida mete a língua nojenta em mim. Me lambeu. Não tem palavras que descrevam o ódio e o nojo que me bateram na hora. Que coisa escrota, repugnante. Invasão de privacidade, falta de respeito. Nojo."

"É com tristeza e um sentimento de desgosto que assistimos à maneira como o programa 'Pânico na Band', incapaz de lidar com o diferente, traz para dentro da CCXP seus preconceitos de gênero e seu franco desrespeito, entrevistando 'cosplayers' com grosseria e chegando a lamber uma visitante. Depois desse incidente lamentável o 'Pânico na Band' foi banido da CCXP 2015 e de todas as atividades organizadas a partir de hoje", diz a nota de repúdio publicada pelo "Omelete".

Procurado pela reportagem, o "Pânico" e a emissora ainda não se manifestaram.

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Matéria importada do Spiffy News

Leia na íntegra a nota do "Omelete"

Na CCXP - Comic Con Experience, todas as pessoas são bem-vindas e incentivadas, sem preconceitos, a ser quem são - ou quem desejam ser. É um ambiente harmonioso que defendemos, um lugar onde cosplayers, nerds, gamers, cinéfilos, leitores de quadrinhos e simples curiosos convivem com respeito. Numa convenção de cultura pop, o contrato social que sonhamos para nós - em que toda diferença é aceita e celebrada - torna-se realidade.

É com tristeza e um sentimento de desgosto, então, que assistimos à maneira como o programa Pânico na Band, incapaz de lidar com o diferente, traz para dentro da CCXP seus preconceitos de gênero e seu franco desrespeito, entrevistando cosplayers com grosseria - chegando a lamber uma visitante. Depois desse incidente lamentável o Pânico na Band foi banido da CCXP 2015 e de todas as atividades organizadas a partir de hoje.

Não se trata aqui de discutir limites de humor. A cobertura do Pânico na Band da CCXP 2014, inclusive, foi muito bem-humorada e eles foram credenciados para a nova edição dentro desse espírito. No entanto, assédios moral e sexual são temas seríssimos e preocupações constantes em convenções de cultura pop no mundo inteiro - assim como fora delas. As atitudes do Pânico na Band dentro da CCXP representam um retrocesso que não podemos aceitar. Ninguém pode, não mais.

O senso de humor é um componente fundamental do cosplay. Nesta segunda-feira a web ainda se diverte com as imagens dos trajes mais inventivos que passaram pelos quatro dias da convenção, do meme de Pulp Fiction às crianças vestidas de Coringa. Mas o cosplay também é uma forma de expressão que ajuda muita gente a fantasiar, com segurança, com aquilo que deseja para si. Pessoas aderem ao cosplay para se tornarem mais fortes, usando a interpretação e a confecção de seus trajes para lutar contra quadros de depressão, para manifestar sua sexualidade, para trabalhar sua auto-estima, como um super-herói.

O Omelete, que integra a organização da CCXP, repudia com indignação a postura inaceitável do Pânico na Band porque ela desmancha esse encanto do qual depende qualquer convenção de cultura pop. Mas os cosplayers, os nerds, os gamers, os cinéfilos e os leitores de quadrinhos são maiores, mais unidos e mais fortes. E um dia o contrato social de tolerância que estabelecemos dentro dessas convenções vai se espalhar porta afora, como um coro.

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