Nerdices

Dia de Star Wars: De montagem de armadura na serra do Rio às lutas de sabre no Ibirapuera

Neste 4 de maio, saiba histórias de quem faz tudo pela saga

O dentista Rodrigo Moreno participa de grupos que se reúnem para fazer batalhas de sabres de luz em São Paulo
O dentista Rodrigo Moreno participa de grupos que se reúnem para fazer batalhas de sabres de luz em São Paulo - Divulgação
Lucas Rezende
São Paulo

Quando soube que a nave utilizada pelo personagem Jabba the Hutt, da saga Star Wars, começaria a ser comercializada para colecionadores dos Estados Unidos e Canadá, o especialista em tecnologia da informação, Jetur Cunha, 46, não pensou duas vezes: pegou um avião no aeroporto de Guarulhos (Grande SP) rumo a Orlando, na Flórida.

De lá, alugou um carro e foi até a cidade de Coral Springs comprar a peça. Precisou de um utilitário esportivo para conseguir transportar a nave e ainda dar um jeito de despachar no avião para retornar ao Brasil. Detalhe para o tamanho: o mesmo que o de uma TV de 50 polegadas –fora a caixa.

De périplos como esse o dentista paulistano Rodrigo Moreno, 42, entende bem: demorou dez anos para conseguir comprar um boneco da série "Star Wars: Droids", datada da década de 1980. O molde para fazer os "droids" acabou parando na mão de um brasileiro, que produziu a peça em 1988.

O tempo passou, os bonecos foram sendo comprados e deixando o Brasil, rareando ainda mais. Rodrigo não desistiu até que, pesquisando no Facebook, achou um comprador de posse da peça ainda em território nacional. Avaliada em US$ 4.000 (R$ 15,7 mil), o boneco consta, inclusive, em listas que elencam raridades do mundo cinematográfico.

Para fãs da saga estrelada como eles, este 4 de maio é especial, com cara de feriado, uma vez em que se comemora o Dia de Star Wars. O motivo? Uma das citações mais famosas da franquia, que se repete em vários filmes, é "que a força esteja com você".

No inglês, "may the force be with you". Daí, nasceu o trocadilho: "que o 4 de maio esteja com você". Dedicar um dia inteiro no calendário à franquia é até pouco, aliás, para quem vive de Star Wars o ano inteiro como o artesão Alessandro Tuze, 47, morador do Rio de Janeiro.

“Sou bacharel em direito, passei dez anos no serviço público, até que, para acompanhar o crescimento dos meus filhos de perto, passei a trabalhar como artesão em casa vendendo armaduras da série. Comprei formas de soldado clone e, depois, fiz as minhas próprias formas de Stormtrooper (são a tropa de base do Império Galáctico no universo Star Wars).

Vendo por R$ 700 cada uma e consigo entregar em até dez dias. Uso poliestireno de alto impacto. Preparamos as formas de acordo com o tamanho do cliente, levamos para um forno e, quando atinge determinada temperatura, a colocamos em cima do molde. Em dado momento, com as encomendas, era mais vantajoso trabalhar em casa fazendo as armaduras”, conta.

A paixão de Tuze pela saga –uma série de oito filmes e dois –spin-offs– vem desde os cinco anos de idade, quando assistiu em 1977 a "Guerra nas Estrelas" numa matinê em Niterói. "Os Stormtrooper me encantaram imediatamente. Cresci querendo ter aquela roupa branca dos soldados. Consegui comprar a minha primeira só em 2007, pela internet. Hoje, eu mesmo faço e consigo minha renda disso”.

Casado com um fã de Harry Potter, o artesão guarda em sua garagem 413 miniaturas de peças da série e mais de 50 naves e veículos do universo Star Wars. Tudo foi ficando tão sério que hoje  Tuze faz parte de dois fã clubes: o Império Comando e o 501st Legion, de nível internacional, no qual os fãs se dedicam à construção e ao uso de réplicas de blindagens imperiais dos soldados, caçadores de recompensas e outros vilões do universo de George Lucas. 

E aí que essa turma fanática aproveita para fazer o bem. "Dia 20 de julho, por exemplo, o fã clube vai fazer uma ação social na Marinha do Rio para a população carente. Atuamos também em campanhas de doação de sangue em hemocentros. É uma filosofia de vida", diz Tuze.

Jetur Cunha, o fã que comprou a nave na Flórida, concorda. "Tem muitas questões de filosofia de vida envolvidas. 'Star Wars' ensina a respeitar todas as formas de vida. Há uma identificação de valores com o senso de justiça, salvar em quem se ama, mas sem matar quem se odeia. Há o incentivo em ser correto, buscar o melhor para todos", explica ele, que guarda 4.500 itens em sua casa ocupando dois quartos e uma sala.

Situação parecida na casa do dentista Rodrigo Moreno, que organiza 2.000 mil peças no quarto de sua casa na zona sul de São Paulo. No montante consta uma réplica original do sabre de luz de Luke Skywalker, protagonista da trilogia original da série.

Ele, inclusive, montou um grupo de amigos que brincam de lutas com sabres no Parque Ibirapuera aos finais de semana. Há 11 anos, cerca de 50 pessoas se dividem: um grupo participa de eventos, treina todas as semanas, monta coreografias; e outro participa na base da aprendizagem.

"É uma paixão que exercito semanalmente desde quando assistir 'Star Wars: Episódio IV - Uma Nova Esperança', em VHS, na casa de um amigo e me impressionei com o Darth Vader. Coisa de fã."

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