Música

Amigo de Anitta, DJ Zullu diz que funk salva vidas e critica condenação de Rennan da Penha

Aos 20, carioca é um dos nomes mais conhecidos do funk 150 BPM

DJ Zullu, 20, é um dos nomes mais conhecidos do chamado 150 BPM

DJ Zullu, 20, é um dos nomes mais conhecidos do chamado 150 BPM Divulgação/Gabriel Dias

  • Salvar artigos

    Recurso exclusivo para assinantes

    assine ou faça login

São Paulo

Aos 20 anos, o carioca Ruan de Oliveira Ferreira é hoje um dos principais nomes do funk nacional. Com o nome artístico DJ Zullu, ele é um dos principais nomes do funk 150 BPM, sigla para batidas por minuto.

Apadrinhado por Anitta, 26, e amigo de Neymar, 27, o funkeiro que começou a tocar na adolescência diz, sem pestanejar, que o funk salva vidas de diversas pessoas de origens diferentes, sejam elas pobres ou ricas, brancas ou negras.

“O funk salva vidas porque ele é uma arte e, como qualquer arte, ele tira pessoas do caminho errado, não importando cor ou dinheiro. O funk é a porta de entrada para coisas corretas. Ele tira pessoas do mau caminho nas favelas, assim como o futebol”, conta à Folha o funkeiro, natural de Duque de Caxias, baixada do Rio de Janeiro.


Zullu começou cedo na profissão, aos 15, com a ajuda da família. Fez os primeiros experimentos em mixagem em um notebook que ganhou de presente da mãe e do tio. Já ao irmão cabia o papel de dar o veredito se a mixagem estava boa ou não. “Foi inesperado, nunca pensei em ser DJ, queria ser militar”, afirma. 

Agora, aos 20, experimenta o sucesso. É figura frequente em festas como o Baile da Gaiola, além de tocar em celebrações de famosos, como o aniversário da cantora Anitta, de quem se tornou amigo.

“Eu comecei a tocar na casa dela, e ela estava comendo uma coxinha. Quando percebi, ela estava rebolando do meu lado, comigo”, conta Zullu.

O apadrinhamento da dona de “Vai Malandra” levou Zullu para longe. Mais especificamente para Portugal, para tocar com ela no Rock In Rio Lisboa de 2018.

“Fiquei sem reação quando ela me fez o convite. Ela me conheceu por um vídeo na internet, me levou para a casa dela e depois estávamos juntos tocando fora”, conta. “Nunca imaginei levar meu funk para fora do Brasil. Isso deu muito reconhecimento pelo meu trabalho.”

Com lançamentos recentes ao lado da cantora e amiga e também  MC Kevin O Chris, os vídeos oficiais do DJ no YouTube avizinham 7 milhões de visualizações no YouTube.

A lista de pessoas famosas amigas do carioca é extensa, passando não só por cantores como também por muitos jogadores de futebol, como o Neymar. Foi Zullu quem comandou a festa de aniversário do astro do Paris Saint-Germain e no lançamento de um perfume licenciado pelo jogador em Paris. Mais recentemente, depois do 9ª título do Brasil na Copa América, ele se apresentou no aniversário do atacante Philippe Coutinho, 27, em um hotel no Rio.

O sucesso de Zullu não é à toa. Ele veio junto com a explosão do estilo de funk 150 BPM, que sucedeu o funk ostentação paulistano. Esse estilo tem ritmo mais rápido que os demais, sendo chamado também de “putaria acelerada”. Tradicionalmente, o batidão carioca e paulista era feito em torno de 130 BPM.

“O 150 BPM vem sendo uma renovação no funk. Eu acho que tudo precisa de uma cara nova e a gente trouxe com esse estilo. Conseguimos continuar com a proporção que o funk tomou nos dias de hoje e estamos muito felizes com isso. Levando o funk a diante.”

Comumente tocado nos bailes funk do Rio de Janeiro, o 150 BPM foi tema também de polêmica entre os representantes do estilo. Outro dos nomes mais conhecidos desse tipo de funk, Renan Santos da Silva, conhecido como DJ Rennan da Penha, foi condenado em março a seis anos e oito meses de prisão em regime fechado por associação ao tráfico de drogas. Outras 11 pessoas também foram sentenciadas.

A festa está suspensa após uma operação deixar quatro moradores baleados, em fevereiro. Desde 2018, a polícia investiga se o baile é ponto de encontro para traficantes.

A condenação de Rennan da Penha é injusta na visão de Zullu, e a proibição do baile por parte da Justiça do Rio foi feita erroneamente. “Não acho que deveriam ter tomar essa decisão de proibir ele de fazer o trabalho dele, de proibir os bailes que ele promovia”, afirma, exaltando o estilo musical que faz parte. “Funk é muito mais que isso, é muito mais que essas polêmicas. Divertimos e fazemos pessoas se encontrarem.”

Final do conteúdo
  • Salvar artigos

    Recurso exclusivo para assinantes

    assine ou faça login

Comentários

Ver todos os comentários Comentar esta reportagem