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Fernando Torquatto critica onda de maquiagem excessiva: 'Mercado de beleza está confuso'

Fotógrafo e maquiador disse que redes sociais são perigo para identidade

Beauty artist Fernando Torquatto
Beauty artist Fernando Torquatto - AgNews
Anahi Martinho
São Paulo

Celebrando seus 25 anos de carreira, o fotógrafo e maquiador Fernando Torquatto recebeu amigos e fãs nesta quinta-feira (9) para prestigiar o lançamento de um livro comemorativo reunindo seus retratos mais marcantes.

Entre um autógrafo e outro, Torquatto conversou com a Folha e falou sobre o padrão excessivo de maquiagem que está se proliferando principalmente no ambiente virtual. Maquiadores famosos no Youtube chegam a utilizar mais de vinte "produtinhos" para fazer apenas o "reboco" da pele, com direito a efeitos que prometem afinar o nariz e esconder imperfeições.

"O mercado de beleza ficou confuso. É muita gente usando muita maquiagem, enquanto o mundo pede pouca maquiagem", diz Torquatto.

Segundo ele, a onda da maquiagem pesada tem origem não só nas redes sociais, mas também na própria democratização dos produtos de beleza.

"O mercado de maquiagem é novo no Brasil. De oito, dez anos para cá, as pessoas passaram a ter mais acesso a produtos, inclusive mais acessíveis. Então as pessoas estão se divertindo com a maquiagem, estão experimentando. A gente entende que alguns se divirtam além do ponto. É como uma criança que pega giz de cera e começa a pintar a parede", compara.

Para ele, as redes sociais também oferecem perigo no que diz respeito à construção da identidade. Jovens que tentam a qualquer custo ser "influencers" ou famosos na internet podem acabar se perdendo na construção de uma identidade exagerada e artificial. E, em muitos casos, a maquiagem excessiva entra como elemento integrante da construção dessa máscara virtual.

"A questão da identidade, do personagem, do self, é um pouco perigosa. Quem é muito jovem tem que tomar cuidado para não se perder nesse personagem que eles criam. Não se pode ficar tentando alcançar um padrão virtual de beleza. Tem que mostrar quem a gente é, mostrar a diversidade. Aí é divertido. Basta se auto-observar e sentir se aquilo é realmente uma expressão sua", aconselha.

MONA LISA

Torquatto conta que o livro o fez revisitar a própria trajetória e se emocionar ao lembrar dos artistas que fotografou. Entre seus retratos favoritos, destaca os de Kate Moss e Fernanda Montenegro –essa última comparada a uma "Mona Lisa".

"Dona Fernanda é uma mulher magnífica. Eu olho essa foto dela, parece um quadro. Me lembra um pouco uma Mona Lisa, mas do meu jeito e do jeito dela. Eu a maquiei para um evento no Copacabana Palace, levei minha câmera e fiz rapidamente uma foto dela, com a luz natural, ela fez um sorriso enigmático. Essa foto foi feita em 30 segundos", recorda.

Já Kate Moss estava em sua lista de desejos desde os anos 1990. "A Kate Moss, eu via as revistas de moda em 1992 e pensava 'que mulher incrível, quero ser maquiador'. Daquelas coisas que a gente tem nossos objetivos, mas nunca imagina que vá acontecer. Kate viu meu material e me escolheu entre outros maquiadores de moda porque disse que eu era um artista", conta.

"Sempre tive um perfil pop na essência, no sentido de querer me comunicar com as pessoas, a abrangência faz parte do meu trabalho. É um trabalho pelo qual dei meu sangue. Se isso cria uma mágica, uma fantasia na cabeça das pessoas, é porque fiz meu trabalho direito", diz.

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