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Cantar trabalha a respiração e promove equilíbrio emocional; conheça mais benefícios 

A auxiliar de coordenação Mariê Silva Santos, 27 anos, já descobriu qual é o segredo para aqueles dias em que está mais triste ou desanimada: cantar. "A música fala com a gente. Ela me faz feliz e me anima", comenta.

O que Mariê sente é comprovado por músicos e profissionais da área: soltar a voz promove uma série de benefícios. O primeiro e mais conhecido é o relaxamento e o equilíbrio emocional. "Mesmo que a pessoa não perceba, ao cantar, naturalmente, as suas emoções encontram um caminho mais fácil para se manifestar", destaca Raul Jaime Brabo, coordenador do curso de musicoterapia do Complexo Educacional FMU (Faculdades Metropolitanas Unidas).

É o que observa também o bancário Rafael Josias de Souza, 27 anos, amigo de Mariê. "É cantando que eu consigo colocar a minha emoção em prática", afirma. Ambos são alunos do curso de canto na Etec (Escola Técnica de Artes), em Santana (zona norte).

Mas os benefícios vão além dos aspectos emocionais, como destaca o professor Tiago Kaltenbacher, também da Etec. "A atividade musical aciona várias partes do cérebro ao mesmo tempo. Ela trabalha a respiração, a concentração, a coordenação, e tudo isso de uma forma lúdica, sem estresse."

Para quem faz parte de um coral, mesmo sem a pretensão de ser profissional, os especialistas destacam também outros benefícios, como um melhor relacionamento com os outros, pontualidade e disciplina. "E o legal do grupo é que a pessoa se sente acolhida", salienta Tiago Kaltenbacher.

Para Maria Angélica Rosa Silva, 33 anos, que trabalha em uma agência de turismo, o canto é uma terapia.

"Aprendi a ter mais postura e a ficar mais autoconfiante. Mesmo sendo uma pessoa extrovertida, eu tinha dificuldades de expressar a minha opinião em entrevistas de emprego, por exemplo. Depois que comecei a fazer aulas de canto, mudei muito. Mudou a minha entonação e a forma como me expresso", destaca ela, que faz parte do coral Luther King, na Aclimação (zona sul).

De fato, o canto pode ser uma ferramenta terapêutica, como destaca a musicaterapeuta Sonia Joppert, que desenvolve um trabalho de cantoterapia desde 1983, no Rio de Janeiro.

Ela afirma que a prática é mais abrangente do que uma aula de canto tradicional e pode ser utilizada como apoio para terapias psicológicas convencionais. "Envolve aquecimento vocal e respiração, associando essas atividades à parte psicológica e emocional do aluno. É um poderoso caminho para o autoconhecimento", destaca.

Sonia salienta que o canto tem relação direta com a região cerebral responsável pelas emoções, o que facilita a socialização e aumenta a produção de endorfina, gerando bem-estar.

"Por isso, pode ser usado no combate à depressão, ao estresse e à ansiedade, além de contribuir no alívio dos sintomas de doenças como hipertensão, nos efeitos colaterais do câncer e no tratamento de dores crônicas."

DESAFINADO 

Mas, afinal, qualquer um pode cantar? Os profissionais garantem que sim! "Desde que as cordas vocais estejam preservadas e saudáveis", afirma Sonia. Para começar, basta procurar um coral ou um profissional da área. Foi assim com Maria Angélica.

"Nunca tinha cantado. Fiz um intercâmbio na Irlanda e, como ficava muito sozinha, comecei a participar de um coral como um hobby. Não parei mais e continuei no Brasil", conta ela.

E quem for desafinado? Também pode cantar. O ideal é buscar uma técnica específica para tratar a ansiedade e o medo, que são as principais causas da desafinação, indica Sonia.


A reportagem foi publicada na "Revista da Hora", do jornal "Agora".

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