Diversão

Procurada por turistas, feira de Embu das Artes faz 50 anos como uma das maiores do Brasil

Evento oferece variedade de arte, artesanato e móveis rústicos

Feira de artesanato de Embu das Artes completa 50 anos
Feira de artesanato de Embu das Artes completa 50 anos - Rubens Cavallari/ Folhapress
Descrição de chapéu Agora
Tatiana Cavalcanti
São Paulo

Um grupo de artistas e artesãos que trabalhavam na praça da República, região central da capital paulista, em 1969, decidiu pegar um ônibus para expor em outro lugar. Depois de uma viagem de quase duas horas, chegaram a Embu, na Grande SP.

Respondendo a um chamado do marceneiro Claudionor Assis Dias (1931-2006), que depois se tornou o artista Mestre Assis, logo se instalaram e começaram a expor no local. Ao longo dos anos, outros chegaram e, assim, teve início a Feira de Artes e Artesanato de Embu das Artes, uma das maiores e mais conhecidas do Brasil, e que no próximo dia 31 completa 50 anos.

O artista plástico Paulo Dud, 65, um dos frequentadores mais antigos da feira, fazia parte desse primeiro grupo de pessoas que foram para Embu. “O ônibus estava cheio de gente carregando uma mochila. Era um povo bem hippie. Fomos porque ouvimos que o Mestre Assis estava começando essa feira na cidade, que era considerada território livre em meio a um momento político difícil e de repressão”, afirma, em referência ao período da ditadura militar no país. “Embu tinha uma atmosfera incrível. É um ambiente mágico até hoje”, conta Dud, que passou a morar na cidade em 1986.

Hoje, a feira oferece uma variedade de arte, artesanato e móveis rústicos. A locomoção até a cidade ficou mais rápida —leva de 40 a 50 minutos de carro ou uma hora de ônibus, partindo do centro de SP.

Tomam conta do lugar pinturas, como as do artista haitiano Aldophe Guerrode, 48, ou as do brasileiro Wanderley Ciuffi, 77 anos, um dos primeiros a se instalar ali. Ambos expõem na praça 21 de Abril. “Cheguei há cinco anos e fui bem recebido. Trouxe a família e agora vendo minhas pinturas naif (arte primitiva moderna), ao estilo haitiano”, conta Guerrode. “Havia alguns ateliês aqui antes da feira, mas nada tão organizado quanto o que ela se tornou depois. Vim expor em 1959 e fiquei apaixonado. E estou aqui até hoje”, diz Ciuffi.

Há, ainda, pelas ruas repletas de casas e comércios coloridos, tapetes, pedras diversas, brinquedos de madeira, móveis rústicos e bolsas de couro, como as feitas pelo artesão Ludgero José Lopes, 73. “Um artista francês famoso veio aqui nos anos 1970 e levou uns sapatos de couro que fiz, para se apresentar em uma boate lá. Já tive clientes como Chico Anysio [1931-2012], Jorge Ben Jor e Jair Rodrigues [1939-2014]”, conta Lopes.

A feira, que atualmente conta com 500 expositores, atrai pessoas do mundo inteiro, entre famosos e anônimos, de países como Holanda, Portugal, França, Alemanha, Inglaterra e Estados Unidos. “A cada fim de semana, recebemos cerca de 30 mil pessoas”, diz Rosana Almeida, secretária de Turismo da cidade.

A viela das Lavadeiras é um charme à parte, com lojas de móveis, um antiquário e um músico tocando violão na estreita via, onde o astro de rock Mick Jagger bateu a cabeça em um poste, em 1995, ao fugir de fãs apaixonados.

Quando para no largo dos Jesuítas, onde fica o Museu de Arte Sacra dos Jesuítas, em um prédio histórico de portas e janelas azuis, o advogado e artista plástico Ubiratã Assis, 55, fica orgulhoso do feito do seu pai, Mestre Assis. “Ele colocou Embu das Artes no mapa-múndi.”

Embu das Artes ​

São tantas as atividades artísticas e artesanatos produzidos e comercializados em Embu que a cidade logo ficou conhecida em todo o estado paulista como Embu das Artes. E o complemento não é só um apelido. Virou nome oficial do município em setembro de 2011, depois que 66,48% dos moradores aprovaram, por meio de um plebiscito, a mudança para Embu das Artes.

O projeto foi aprovado por unanimidade pela Assembleia Legislativa de São Paulo. A cidade está localizada a 27 km de São Paulo. De carro, é possível ir pela rodovia Castello Branco e Rodoanel ou direto pela rodovia Régis Bittencourt. De transporte público, há opções de ônibus saindo das estações de metrô Clínicas, Campo Limpo, Capão Redondo e Anhangabaú.

Ao longo de cinco décadas, a Feira de Artes e Artesanato de Embu já atraiu estrelas brasileiras e de porte internacional. Em 1995, em um intervalo da primeira turnê dos Rolling Stones no Brasil, o vocalista Mick Jagger caminhou pela feira. Ele comeu vatapá e tomou cerveja brasileira no restaurante Orixás, que não existe mais (hoje, no mesmo lugar, funciona o Florbela). O astro logo foi reconhecido e teve de fugir por meio de um cordão humano.

Bem antes de Jagger, lá pelos idos dos anos 1970, os Novos Baianos fizeram um show no pátio do convento, onde hoje fica o Museu de Arte Sacra dos Jesuítas. A cantora Rita Lee e a banda Tutti Frutti também tocaram na cidade, em 1973. E claro, todos eles passearam pela feira. “Baby do Brasil ficou tão à vontade, que passeou descalça pelas nossas ruas”, conta o advogado Ubiratã Assis, 55.

Três anos antes, o The Living Theatre, companhia de teatro dos Estados Unidos, fez uma apresentação surpresa no lugar. O italiano Cesare Battisti, preso recentemente e enviado à Itália, morou ali. “Ele era frequentador de bares do centro histórico”, diz Assis.

Em Embu foi exumado o corpo do médico nazista Josef Mengele, conhecido como Anjo da Morte, que chegou a morou uma temporada na cidade.

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