Tony Goes

Séries documentais como 'O Canto Livre de Nara Leão' são o melhor do Globoplay

Plataforma encontrou um diferencial importante na guerra do streaming

A cantora Nara Leão em imagem da série documental 'O Canto Livre de Nara Leão', da Globoplay
A cantora Nara Leão em imagem da série documental 'O Canto Livre de Nara Leão', do Globoplay - Divulgação/Acervo Pessoal
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E, de repente, temos dezenas de serviços de streaming disputando o mercado brasileiro. A assinatura mensal de qualquer um deles custa menos do que o mais barato pacote da TV paga, e o espectador ainda pode escolher a hora e o lugar em que irá assistir ao conteúdo oferecido. Não é de se admirar que o streaming venha crescendo tanto, enquanto os canais abertos e fechados perdem cada vez mais audiência.

Mas qual serviço assinar? Depende do bolso do consumidor, é claro, mas também de seus interesses. Se for para assinar um só, minha sugestão é a Netflix. A pioneira na área ainda é a maior do mundo em número de assinantes e também a detentora do maior catálogo. Tem de tudo por lá, para todos os gostos. De filmes que concorrem ao Oscar a realities apelativos, passando por séries produzidas em todos os cantos do planeta.

Se for possível assinar uma segunda plataforma, a resposta já não é tão simples. Quem tem criança em casa se sentirá impelido para o Disney +. Apreciadores do cinema de arte encontrarão clássicos e raridades no MUBI. Mas a minha escolha pessoal seria o Globoplay.

A plataforma do grupo Globo nasceu como um serviço de "catch up" –um site onde o espectador poderia assistir ao capítulo de novela que perdeu, por exemplo. Aos poucos, foi adquirindo séries e filmes exclusivos e produzindo conteúdo próprio, que não necessariamente será exibido na TV aberta.

Já são muitas as séries dramáticas do Globoplay, muitas delas de alta qualidade. Algumas abordam temas espinhosos como o vício em crack, como "Onde Está Meu Coração". Outras incursionam pelo terror, gênero raro na nossa televisão, como "Desalma". Durante a pandemia, com as gravações dificultadas pelos rígidos protocolos de segurança, a Globo vem se servindo desse cardápio para preencher sua programação.

No entanto, a meu ver, a melhor razão para assinar o Globoplay são as séries documentais brasileiras. Faz menos de dois anos que a primeira delas foi disponibilizada: a excelente "Em Nome de Deus", sobre o falso médium João de Deus. De lá para cá, chegaram à plataforma muitos outros títulos, todos notáveis.

"Doutor Castor", um projeto do departamento de Esporte da Globo, investiga a trajetória do bicheiro Castor de Andrade, figura crucial para o Carnaval carioca. "A Corrida das Vacinas", com duas temporadas, mostra a procura por imunizantes contra a Covid-19. A mesma equipe, capitaneada por Álvaro Pereira Jr., produziu o estarrecedor documentário "O Caso Prevent Senior", desnudando a gestão escandalosa de uma das maiores operadoras de saúde do Brasil.

Na sexta passada (7), chegou ao Globoplay a minissérie "O Canto Livre de Nara Leão", dirigida por Renato Terra, também colunista da Folha. Seus cinco episódios ressignificam uma das cantoras mais importantes da música brasileira. Nara Leão não arrastava multidões nem vendia milhões de discos, mas descobriu inúmeros novos talentos e se posicionou firmemente contra a ditadura militar. Era mesmo uma leoa, apesar da voz delicada e da aparência franzina.

"O Canto Livre de Nara Leão" não se prende a dados como as datas de nascimento e morte da cantora, que podem facilmente ser levantados na internet. Prefere traçar um retrato contundente e afetuoso de sua biografia, através de material de arquivo e de depoimentos inéditos de amigos e familiares de Nara. O resultado é impactante.

Convém ressaltar que "O Canto Livre de Nara Leão" é mais uma produção do selo Conversa.doc, formado por profissionais que trabalham no programa "Conversa com Bial" –inclusive o próprio Pedro Bial, que foi genro de Nara.

Enquanto a concorrência ainda engatinha no gênero, o Globoplay encontrou nas séries documentais brasileiras um diferencial importante. Elas são o que de melhor a plataforma oferece neste momento, e um motivo fortíssimo para o espectador assiná-la.

Tony Goes

Tony Goes tem 60 anos. Nasceu no Rio de Janeiro, mas vive em São Paulo desde pequeno. Já escreveu para várias séries de humor e programas de variedades, além de alguns longas-metragens. E atualiza diariamente o blog que leva seu nome: tonygoes.com.br

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