Tony Goes

Rock italiano vence Eurovision em final de tirar o fôlego

Festival de música pop voltou a ser realizado após hiato de dois anos

Banda Måneskin, da Itália, vence a edição de 2021 com a canção

Banda Måneskin, da Itália, vence a edição de 2021 com a canção "Zitti e Buoni" Piroschka van de Wouw-22.mai.2021/Reuters

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A pandemia cancelou eventos pelo mundo afora. A Olimpíada de Tóquio, adiada de 2020 para este ano, ainda correm o risco de não acontecer. Mas o maior festival de música pop do mundo conseguiu ser realizado, num sinal de que a vida está voltando ao normal. Pelo menos, lá fora.

Programado para maio do ano passado, o 65ª Eurovision estava praticamente pronto quando a OMS (Organização Mundial da Saúde) decretou a pandemia do novo coronavírus. Mas a organização do festival não teve opção. Naqueles primeiros meses, ainda sabíamos pouco sobre a Covid-19, e a vacina estava a meses de distância.

Neste sábado (22), o evento concluiu sua edição de 2021 na mesma cidade em que deveria ter acontecido em 2020 —Rotterdam, na Holanda— com vários dos artistas que deveriam ter competido no ano passado e a pompa e circunstância de sempre. Ou quase.

Na gigantesca arena Ahoy, o público estava aglomerado e sem máscaras na arquibancada. Mas não havia uma multidão em frente ao palco: pela primeira vez, o chamado "green room", o lounge onde os artistas concorrentes ficam instalados em enormes sofás, foi montado ali, talvez para garantir um mínimo de distanciamento social. Tomara que todo mundo tenha sido vacinado ou, pelo menos, testado.

Uma das apresentadoras já foi notícia aqui no F5: a vlogueira de maquiagem Nikkie de Jager, que revelou em 2020 ser transexual. Ela era a mais desenvolta dos quatro e, de longe, também a de maior tamanho.

Mas vamos ao que interessa: a música. Quem assistir ao Eurovision esperando por pérolas como "Amar pelos Dois", a linda balada com que Portugal venceu o festival de 2017 (e que depois foi tema de abertura da novela "Tempo de Amar", da Globo), vai se decepcionar muito.

O que predominam são números genéricos de dance music, com letras toscas em inglês e refrões que se querem pegajosos. Pouquíssimos países cantam em suas próprias línguas. Alguns até terceirizam suas participações: Moldova e Azerbaijão, por exemplo, encomendaram suas canções concorrentes a times de produtores e compositores suecos especializados em hits pré-fabricados. Não há nada no regulamento que proíba isto.

Mesmo assim, uma ou outra pode ser interessante ou, pelo menos, divertida. Entre os destaques deste ano estava a dramática "Voilà", da França, defendida pela novata Barbara Pravi, e que não faria feio no repertório de Edith Piaf.

"10 Years", da banda islandesa Daði og Gagnamagnið, tinha uma coreografia tão ridícula que parecia uma resposta irônica ao filme "Festival Eurovision da Canção", da Netflix, que tirava sarro da fria ilha nórdica. A única realmente inovadora era "Shum", da banda Go_A, uma mistura ousada de canto folclórico da Ucrânia com batidas eletrônicas.

No entanto, mesmo as piores canções ganham encenações espetaculares, com a última palavra em tecnologia. Videomapping, telões de LED, efeitos de fumaça e fogo, tudo é de encher os olhos. Não é à-toa que o festival se chama EuroVISION.

Outro aspecto positivo é a diversidade. Quem diria que países tão brancos como a República Checa, a Suécia, a Holanda ou Israel seriam representados por artistas negros? Sem falar na fechação explícita da banda Roop, da Lituânia, ou do cantor Gjon’s Tears, da Suíça, que lembrava uma versão afeminada de k. d. lang.

O anúncio do resultado foi eletrizante. De uns anos para cá, primeiro são divulgados os pontos atribuídos pelos júris dos países concorrentes, e só depois se adicionam os votos do público. Desta vez, Suíça e França dispararam na frente, só para serem atropeladas pela Itália na contagem final. E o Reino Unido, coitado, sofreu a humilhação de levar um total de zero pontos, tanto dos júris nacionais quanto do público.

"Zitti e Buoni", da banda Måneskin, confirmou as previsões das casas de apostas, que a apontavam como a grande campeã. A canção, que já tinha vencido o tradicional Festival de Sanremo, em fevereiro passado, não tem nada de memorável. Mas é um jorro de energia num ano que está sendo especialmente difícil. Só Deus sabe como estávamos precisando de um rock pesado cantado em italiano.

As duas semifinais e a grande final do Eurovision 2021 podem ser vistas na íntegra no YouTube, no canal Eurovision Song Contest.

1° Lugar: "Zitti e Buoni", da banda Måneskin (Itália) - 524 pontos

2° Lugar: "Voilà", da cantora Barbara Pravi (França) - 499 pontos

3° Lugar: "Tout l'Univers", do cantor Gjon's Tears (Suíça) - 432 pontos

Tony Goes

Tony Goes tem 60 anos. Nasceu no Rio de Janeiro, mas vive em São Paulo desde pequeno. Já escreveu para várias séries de humor e programas de variedades, além de alguns longas-metragens. E atualiza diariamente o blog que leva seu nome: tonygoes.com.br

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