Tony Goes

TV brasileira vive seu momento mais sombrio, sem novidades e com baixo faturamento

Emissoras abertas tentam reagir, mesmo em condições para lá de adversas

William Bonner e Renata Vasconcellos no Jornal Nacional
William Bonner e Renata Vasconcellos no Jornal Nacional - João Cotta/Globo
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Não é novidade nenhuma que a pandemia está devastando a economia brasileira. Na área da cultura, então, o efeito é o de um strike num jogo de boliche.

Reportagem da Folha mostra como artistas se "reinventaram" (já peguei ranço da palavra) como cozinheiros ou pintores de paredes. Por todo o país, casas de espetáculos de todos os tamanhos fecham as portas. Em São Paulo, a vítima mais vistosa foi o Unimed Hall, uma das mais importantes da cidade.

Nem a TV aberta escapou. Nossa maior indústria cultural, a de maior alcance e maior faturamento, anda muito mal das pernas. O desemprego e a redução de salários levaram a um menor consumo das famílias; essa queda imediatamente se refletiu na publicidade.

Nesta quinta (1º), o primeiro intervalo do Jornal Nacional –um dos horários mais caros da nossa TV– mostrou uma chamada de outro programa da Globo, um institucional da emissora, uma outra chamada. Nenhum anúncio pago.

À escassez de recursos, some-se a imensa dificuldade de produzir conteúdo inédito seguindo rígidos protocolos de segurança e higiene, e o resultado é o caos quase completo. Mesmo assim, as redes comerciais vêm reagindo.

Nesta semana, a Globo enviou um email à imprensa divulgando suas novidades para os meses de abril e maio, que em anos passados eram riquíssimos em estreias. O tom do texto era quase de desculpas. Mesmo assim, vêm aí novas edições de Mestre do Sabor, The Voice Kids e No Limite – este, depois de um hiato de 12 anos. A lamentar, apenas que nenhum desses formatos seja inédito.

Mas também vêm aí muitas reprises. Como sabemos, os Estúdios Globo no Rio de Janeiro estão praticamente fechados, com a suspensão das gravações de dramaturgia. A novela "Amor de Mãe" será substituída por "Império", exibida entre 2014 e 2015. A série "Sandy e Júnior – A História" é mais um título do Globoplay escalado para tapar um buraco na grade da nave-mãe.

A Record merece aplausos por conseguir por "Gênesis" no ar, uma trama bíblica de produção complicadíssima. O canal vem sendo recompensado por bons índices de audiência. Reality shows como Power Couple, com Adriane Galisteu, e Ilhados, com Sabrina Sato, chegam em breve. Ainda é pouco, mas já é alguma coisa.

A Band vem prometendo novidades há algum tempo, mas ainda não pôs nada de muito significativo no ar. Aguardemos. Já a Rede TV! anunciou nesta semana sua nova grade, com novos programas, novos apresentadores e algumas atrações antigas recauchutadas, a partir de 12 de abril. Nada de muito grandioso, mas é louvável o esforço da emissora.

Enquanto isso, no SBT... A rede de Silvio Santos passa por uma fase crítica, justamente no ano em que deveria estar festejando suas quatro décadas. Sua programação, baseada em programas de auditório e com pouca ênfase no jornalismo, se revelou extremamente frágil para uma situação de pandemia.

O único programa que lançou em 2021, a revista matinal Vem pra Cá, é um clone sem imaginação de outros exemplares do gênero. O maior astro do canal, o próprio Silvio, segue recluso em casa, sem gravar nada desde o final de 2019.

A situação é passageira, mas já dizíamos isto um ano atrás. O Brasil segue batendo recordes trágicos. Na melhor das hipóteses, teremos a maior parte da população vacinada em meados de 2022. Até lá, vamos agradecer se estivermos vivos para ver reprises.

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A nova programação da RedeTV! começa em 12 de abril, e não no dia 11. O texto foi corrigido.​

 

Tony Goes

Tony Goes tem 60 anos. Nasceu no Rio de Janeiro, mas vive em São Paulo desde pequeno. Já escreveu para várias séries de humor e programas de variedades, além de alguns longas-metragens. E atualiza diariamente o blog que leva seu nome: tonygoes.com.br

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