Tony Goes

BBB 21: Sem Projota, programa pode virar JBB, Jardim Botânico Brasil

Fim do Gabinete do Ódio deixa o reality sem um vilão óbvio

Projota é eliminado - Fábio Rocha/Globo
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Aviso não faltou. Os sinais estavam no ar há muito tempo, e quem os captou tentou alertar os demais. A catástrofe se aproximava, anunciada em alto e bom som. Mas, na hora de votar, os brasileiros mais uma vez se deixaram levar pela emoção. E escolheram, sem titubear, o pior para si mesmos.

Essa narrativa constante na nossa história se repetiu na noite desta terça (16). Espectadores experientes do BBB sabiam que Projota desfalcaria o jogo. Thaís e Pocah, emparedadas junto com o cantor, fariam muito menos falta, já que são especialistas em fotossíntese.

Mas a rejeição que o paulista angariou no começo desta temporada foi mais forte até mesmo do que suas tentativas de redenção. O público não o perdoou, e Projota saiu com 91,89% dos votos, um dos cinco índices mais altos da história do programa.

Sua trajetória lá dentro é difícil de explicar. Nos primeiros dias, José Tiago parecia uma pessoa madura e equilibrada –quase um paizão, ao estilo de Babu Santana. Mas bastou Tiago Leifert elogiá-lo por esta aparente maturidade para o rapper desandar. Projota libertou sua criança interior, chegando a humilhar Lucas Penteado, um fã declarado.

Depois, passou a traçar planos infalíveis, tal qual Cebolinha tramando roubar o coelhinho da Mônica. O paladar infantil, revelado na recusa a comer quase tudo, reforçou a imagem de menino grande.

O mais engraçado é que, ao longo dessas sete semanas, Projota estava crente de que estava abafando. Via a si mesmo como um jogador estratégico, com fortes chances de chegar à final. Coitadinho, não é mesmo?

Assim como Karol Conká, ele talvez também tenha dificuldade em recuperar sua carreira musical. Um palpite: se escrever sobre sua experiência na casa mais vigiada do Brasil, pode produzir um trabalho interessante.

Quem também passa por um momento delicado é o próprio BBB 21. Com os quatro integrantes do “Gabinete do Ódio” já eliminados, o programa corre o sério risco de trocar o primeiro B de sua inicial por um J, e se transformar no Jardim Botânico Brasil. Um viveiro de plantas ornamentais, onde quase nada acontece.

Quem será o próximo vilão? O mais forte candidato do momento é Arthur, que sofreu muito mais com a saída de Projota do que com a de Carla Diaz, no paredão falso da semana passada. O Brasil inteiro está vendo o personal trainer tratar a atriz com indiferença, mesmo depois de ela ter se ajoelhado aos seus pés e implorado por seu amor, quando voltou do quarto secreto.

Mas falta a Arthur a marca da maldade, que distingue os verdadeiros vilões dos reles inconvenientes. Ele precisaria fazer fofoca, espalhar mentiras e ter reações exageradas para merecer o título de malvado da vez. Não chega a tanto.

Rodolffo pode assumir este papel, se deixar seu machismo latente aflorar. Mas talvez o público goste disso, e faça dele o campeão do ano. Nas paradas de sucesso, sua música “Batom de Cereja”, ao lado de Israel, já está entre as mais tocadas do país.

O BBB 21 chegou à metade, mas a sensação é a de que já deu o que tinha que dar. O perigo agora é a floresta de samambaias crescer descontroladamente, e estrangular o jogo.

Tony Goes

Tony Goes tem 60 anos. Nasceu no Rio de Janeiro, mas vive em São Paulo desde pequeno. Já escreveu para várias séries de humor e programas de variedades, além de alguns longas-metragens. E atualiza diariamente o blog que leva seu nome: tonygoes.com.br

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