Tony Goes

Será que o SBT está ficando para trás?

Emissora de Silvio Santos investe pouco em novidades, tanto na programação como na tecnologia

Silvio Santos comanda o seu programa de domingo
Silvio Santos comanda o seu programa de domingo - Roberto Nemanis/Divulgação/SBT

O ano de 2018 foi bom para o SBT. Depois de algum tempo amargando o terceiro lugar, a rede voltou a disputar ponto a ponto a vice-liderança de audiência com a Record.

O SBT também se manteve em evidência, muito por causa das polêmicas protagonizadas por Silvio Santos – que é, ao mesmo tempo, o proprietário, o maior anunciante e a maior estrela da casa. Mas o canal também lançou programas bem-sucedidos, como a novela infantil “As Aventuras de Poliana”. 

E, no entanto, parece que o SBT está ficando para trás. É espantosa a quantidade de atrações antigas que se espalham pela grade, da antediluviana “A Praça É Nossa” (que nasceu em 1957 como “Praça da Alegria”, na extinta TV Paulista) a quadros que SS já comandava quando estreou na telinha, em 1960.

Sem falar no eterno “Chaves”, no ar há mais de 30 anos, ou nas infindáveis reprises de novelas mexicanas. Mas alguém pode perguntar: se tudo isto dá retorno financeiro (e a um custo relativamente baixo), então por que mexer em time que chega em segundo lugar?

Só que não é só na programação que o SBT está preso ao passado. Nas inovações tecnológicas, também. É a única das nossas grandes redes de TV que nunca investiu em canais pagos. 


A Band tem a BandNews, a BandSports e o Arte 1. A Record tem a Record News. Até a Fundação Padre Anchieta, mantenedora da combalida TV Cultura, tem a TV Rá-Tim-Bum, voltada para o público infantil. A Globo, então, nem se fala: duas dezenas de canais pagos se aglomeram sob a bandeira Globosat.

O SBT já pensou seriamente em criar um canal nos moldes do Viva, em que boa parte da programação consiste em reprises do acervo da Globo. Houve um momento em que este canal seria feito em parceria com Record e Rede TV!, mas a ideia não foi adiante.

A situação é semelhante no streaming. A Globo mobiliza forças para promover sua plataforma sob demanda, a Globoplay, produzindo muito conteúdo exclusivo. A Record lançou o Play Plus em agosto passado. E o SBT? (som de grilos).

Verdade seja dita: o SBT vem investindo no IGTV, a plataforma de vídeos do Instagram. O canal @sbtonline do IGTV oferece muitos programas exclusivos, inclusive a série #CiladasDeNatal, estrelada por Maisa Silva e Larissa Manoela. Talvez seja o embrião de um futuro serviço de streaming. Ou talvez não passe disso: por enquanto, a repercussão tem sido mínima.

Silvio Santos pode estar satisfeito com o desempenho de sua emissora, e quiçá não veja necessidade de maiores arroubos. Mas o mundo ao redor está mudando rapidamente, com novos hábitos e novas demandas.

Até quando o SBT vai conseguir sobreviver sem sair do lugar?

Tony Goes

Tony Goes tem 56 anos. Nasceu no Rio de Janeiro, mas vive em São Paulo desde pequeno. Já escreveu para várias séries de humor e programas de variedades, além de alguns longas-metragens. E atualiza diariamente o blog que leva seu nome: tonygoes.blogspot.com

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