Tony Goes

Jack Ryan ressurge vulnerável e assustado em nova série

Criado por Tom Clancy, personagem já foi encarnado por cinco atores diferentes

John Krasinski em cena da série "Jack Ryan"
John Krasinski em cena da série "Jack Ryan" - AP

Dar um "reboot" em um equipamento eletrônico significa reiniciá-lo. A indústria americana do entretenimento tomou a expressão emprestada e vem usando-a com frequência, toda vez que relança uma franquia.
 
Batman, Superman e o Homem-Aranha já passaram por vários "reboots". A cada mudança de ator, detalhes da história do personagem também são alterados, como se o público nunca o tivesse visto antes.
 
Jack Ryan, o agente da CIA criado pelo escritor Tom Clancy (1947-2013), é outro veterano dos "reboots". Sua primeira aparição no cinema foi em “A Caçada ao Outubro Vermelho” (1990) na pele de Alec Baldwin. Dois anos depois, Harrison Ford assumiu o papel em “Jogos Patrióticos”, e o reprisou em “Perigo Real e Imediato” (1994).
 
Em 2002, Ben Affleck interpretou o agente em “A Soma de Todos os Medos”. Depois de um longo hiato, foi a vez de Chris Pine, em “Operação Sombra: Jack Ryan” (2014).
 
Enquanto isso, nos livros, Jack Ryan tornou-se presidente dos Estados Unidos, envelhecendo em tempo real (o personagem teria nascido em 1950). Depois da morte de Clancy, quatro outros atores criaram novas aventuras para Ryan. Em paralelo, também há uma lucrativa linha de videogames.

E no entanto, mesmo com tantas encarnações, Jack Ryan não está totalmente cristalizado na percepção do espectador. Isso permitiu que a série “Jack Ryan”, que estreia na plataforma Amazon Prime Video nesta sexta (31), praticamente o recriasse da estaca zero.
 
Ryan sempre foi uma pessoa comum, sem superpoderes nem nenhuma habilidade extraordinária. John Krasinski consegue torná-lo mais interessante. O ator, que ficou conhecido pelo sensível Jim da série cômica “The Office”, traz vulnerabilidade e assombro ao agente, agora bem distante do durão dos primeiros filmes.
 
"Jack Ryan" é uma "origin story" (história de origem, em tradução literal). Quando a série começa, Ryan é apenas um funcionário de escritório da CIA, que passa o dia atrás de uma tela de computador. É nessa função que ele descobre uma série de depósitos suspeitos na conta bancária de um possível terrorista sírio, chamado Ali Suleiman.
 
A pista se mostra quente, e Ryan é despachado para o front: primeiro para o Iêmen, depois para Paris. Há sequências espetaculares de ação, com muito tiro e muita bomba. Em todas, Ryan age com coragem, mas em um estado de permanente sobressalto.
 
Mesmo assim, ele não parece ter nenhum grande conflito interior. Mais complexos são alguns dos coadjuvantes: seu chefe James Green (Wendell Pierce), por exemplo, é um convertido à fé islâmica. Hanin (Dina Shihabi), a mulher de Suleiman, quer fugir com os filhos do jugo do marido.
 
A trama vai se adensando ao longo dos três episódios à que a Folha teve acesso. Se bem conduzida, “Jack Ryan” pode se tornar uma digna sucessora de “Homeland”, que está em sua reta final: uma série que mescla espionagem e política com dramas pessoais.
 
Mesmo antes da estreia –e apesar do altíssimo custo de produção– a Amazon já confirmou uma segunda temporada. Jack Ryan, que nunca teve o mesmo rosto por muito tempo, pode finalmente ter se encontrado.

Tony Goes

Tony Goes tem 56 anos. Nasceu no Rio de Janeiro, mas vive em São Paulo desde pequeno. Já escreveu para várias séries de humor e programas de variedades, além de alguns longas-metragens. E atualiza diariamente o blog que leva seu nome: tonygoes.blogspot.com

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