Mariliz Pereira Jorge

Ninguém é só mau ou só bom

Luta do bem contra o mal foi o que fez bombar o BBB 18

Paula, participante do BBB 19
Paula, participante do BBB 19 - TV Globo/Divulgação
 

Parte dos espectadores tem tentado, com afinco, colar no grupo considerado mais fútil dos participantes do BBB 19 o carimbo de “malvados”. Natural, a luta do bem contra o mal foi o que fez bombar a edição do ano passado. Vocês devem se lembrar: Diego, o vaselina, bebe-quieto. Patrícia, a sonsa, que se deixava influenciar, mas não tão sonsa a ponto de saber bem que podia prejudicar o outro. Por fim, Ana Paula, que aproveitava das fragilidades emocionais e também da falta de personalidade dos outros dois para manipular não apenas eles, mas todos os distraídos que estavam em volta.

O Trio Mandinga, como foi apelidado, despertou muita raiva no pessoal de casa, que de imediato se viu torcendo ferozmente pelo lado “do bem”, protagonizados por Gleici e Ana Clara. Na edição do BBB 19 não apareceu ninguém tão maligno como desejam os fã-clubes dos 'brothers' militantes. Querem porque querem tachar Paula como racista por causa de suas declarações polêmicas, mas essa campanha pode acabar saindo pela culatra. 

Paula é desmiolada e cheia de preconceitos, mas eles parecem ter raízes mais ligadas à desinformação, falta de cultura e profunda desconexão com as pautas importantes que permeiam a sociedade e as mídias sociais nos dias de hoje do que com uma natureza essencialmente racista e classista. Por outro lado, a raiva e a intolerância nas reações que despertam dizem muito sobre como as pessoas podem ser simplistas e também bastante intolerantes ao analisar o comportamento dos outros. 

Paula, Diego, Maicon são o retrato de boa parte da sociedade brasileira, pessoas que ignoram a importância da discussão de temas como racismo, machismo, homofobia, intolerância religiosa. Reproduzem palavras, frases, expressões e, claro, pré-conceitos que entraram na listinha de itens inapropriados dos mais engajados. 

Mas, ao contrário do que muitos gostariam, essas pessoas não são necessariamente más. Assim como é ingênuo atribuir apenas boas qualidades aos indivíduos que levantam bandeiras sociais. Com exceção dos psicopatas, nenhum de nós é só mau ou só bom. O que nos diferencia é que alguns de nós tentam melhorar para que a sociedade como um todo seja um lugar melhor, enquanto tem gente que perdeu o bonde e precisa correr atrás. 

Essa caçada contra Paula e Cia. pode ter um efeito contrário ao esperado, pois é possível que parte dos espectadores esteja incomodada com os ataques que eles têm recebido aqui fora. Gente que não os identifica como racistas, homofóbicos, porque faria comentários parecidos e não acha que isso os caracterize como intolerantes. E talvez, de fato, não sejam. 

Tem mais uma coisa, Paula tem personalidade, não é uma tonta que se deixa manipular pelos outros participantes, tem carisma e, sobretudo, é engraçada, o que faz uma enorme diferença. Todas essas idiossincrasias fazem dela uma das melhores personagens dessa edição. Se ela sair logo, perde todo mundo. 

Mariliz Pereira Jorge

É jornalista e roteirista.

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