Mariliz Pereira Jorge

Nayara achou que o 'BBB' era um centro acadêmico

Para a maioria das pessoas, Nayara virou a chata da casa 

Nayara do "BBB 18"
Nayara do "BBB 18" - Divulgação

No vídeo de apresentação do "BBB 18", conhecemos uma Nayara apaixonada por moda, que tem um senso estético invejável, amante da música, simpática e bem-humorada. Não foi essa Nayara que esteve na casa do "Big Brother" nas últimas semanas.

Ela resolveu bancar a sindicalista e as suas interações pareciam ter como único propósito resolver todos os problemas sociais do mundo. Pior, seus discursos não se sustentaram na frente das 70 câmeras da casa. É legítimo desejar que um negro ganhe o "BBB', mesmo que não seja ela, mas a máscara cai ao criticar outras 'minorias", como fez em relação a Gleici, a menina do Acre.

"Meninas demasiadamente femininas sempre me irritaram", disse numa ocasião, justamente com Ana Paula e Patricia, duas das "sisters" mais odiadas, numa demonstração de que lhe faltou sensibilidade para entender o que estava fazendo naquele jogo e também para escolher os amigos na casa.

A defesa da representatividade do povo do Norte desapareceu assim que Gleici deixou de agradar a Nayara. Essas atitudes não passaram despercebidas pelo público, assim como o perfil mandona que ela desfilou o tempo todo, criticado inclusive por gente que ela acredita representar, como Viegas, que passou a evitá-la.

Por mais que seja necessário que assuntos como racismo, machismo, xenofobia sejam discutidos mesmo num programa como o "BBB", bancar a advogada pró pautas sociais 24 horas por dia foi a razão de ela ter saído com rejeição ainda maior que a "bruxa".

Para a maioria das pessoas, Nayara virou a chata da casa. Era ela aparecer em cena para o espectador saber que lá vinha sermão. O discurso sobre representatividade foi usado exaustivamente e mal digerido pelo público, que viu Nayara apenas reforçar estereótipos e aumentar o preconceito e o abismo que já existe naturalmente entre muitas pessoas.

Nayara sequer foi julgada pela pessoa que é porque o telespectador não sabe quem é a Nayara filha, amiga, namorada, mulher. Só conhecemos a Nayara militante e por isso não houve dúvida sobre sua expulsão. Ela não conseguiu despertar empatia porque foram poucas as chances de o público se identificar com ela. O discurso de um vencedor, em geral, é agregador, o oposto do que ela fez o tempo todo, ao separar as pessoas pelo que elas representam etnicamente ou socialmente e não pelo que elas são.

A bronca dada por Tiago Leifert foi certeira. O discurso dos três emparedados bateu na tecla da representatividade, inclusive o de Gleici que falou sobre a mulher nortista sem muita convicção, deixando a impressão de que apenas tinha embarcado na onda de Nayara e Mahmoud.

Como Leifert falou, as pessoas aqui fora não deram carta para que fossem defendidas por ninguém. É muita pretensão achar que podem se considerar os enviados especiais de um grupo, além de si mesmas. O BBB não é o diretório do centro acadêmico ou convenção de partido político.

Nayara não entendeu desde o começo que não estava discursando dentro da sua bolha e acabou cavando o próprio buraco ao encarnar o papel de eterna problematizadora. Faltou a leveza, o senso de humor e mesmo a inteligência que vimos em seu vídeo de apresentação e que ela parece ter deixado do lado de fora da casa assim que entrou no "BBB 18". Conseguiu o que parecia ser impossível, sair com rejeição ainda maior que Ana Paula.

Mariliz Pereira Jorge

É jornalista e roteirista.

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