De faixa a coroa
Descrição de chapéu América Latina

Miss Terra 2021: Belize vence e quebra hiato de 19 anos sem negras coroadas

Destiny Wagner celebra primeira vitória de seu país no concurso

Destiny Wagner Instgram/destinyewagner

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São Paulo

A representante de Belize, Destiny Wagner, 25, fez história no último final de semana ao ser eleita, em evento 100% virtual, a nova Miss Terra (ou Miss Earth). Isso pois a modelo, além de trazer a primeira grande coroa internacional para o país caribenho, também quebrou um jejum de 19 anos para mulheres negras no posto. Antes dela, a última negra coroada no concurso foi a queniana Winfred Omwakwe, em 2002.

O resultado do Miss Terra chega após uma sucessão de misses negras protagonizarem, recentemente, as principais coroas internacionais. No fim de 2019, a sul-africana Zozibini Tunzi e a jamaicana Toni-Ann Singh ganharam, respectivamente, o Miss Universo e o Miss Mundo. Além disso, a americana nascida em Gana, Abena Appiah, venceu no início deste ano o Miss Grand International.

"Eu estou muito animada para começar minha jornada como a Miss Terra 2021 e prometo fazer o meu melhor para cumprir o meu reinado com gratidão e amor. Às mulheres e homens que muitas vezes foram negligenciados, esquecidos ou desacreditados, não desistam! A sua hora vai chegar e quando isso acontecer, será grande", postou a miss em suas redes sociais após o anúncio.

Belize está em festa com sua primeira chega ao pódio das misses, e até primeiro-ministro do país mencionou a conterrânea nas redes sociais pelo feito. "Parabenizo a senhora Destiny Wagner por ganhar o Miss Terra 2021. Estamos ansiosos por sua representação estelar de nosso belo país durante o próximo ano", publicou.

Wagner sucede no trono a americana Lindsey Coffey, eleita em 2020 também por meio de uma competição online. O formato, adotado pelo segundo ano consecutivo, foi a solução encontrada pela organização ainda como reflexo das consequências da pandemia de Covid-19 no setor.

Em segundo lugar ficou a representante dos Estados Unidos, Marisa Butler, que recebeu o título de Miss Ar, seguida pelas misses Chile e Tailândia, que conquistaram respectivamente os títulos de Miss Água e Miss Fogo. Entre 89 candidatas, entraram ainda no Top 8 as misses Holanda, Filipinas, Rússia e Venezuela.

Apesar de não ter se classificado, a Miss Brasil, a paraense Cassia Adriane Araújo, 21, disse se sentir de dever cumprido e indicou que pode voltar aos concursos em breve. "Quando eu me propus a participar do Miss Terra, me doei integralmente com toda paixão, e não faria nada diferente. Me sinto reconhecida, amada e histórica. Eu nunca imaginei que fosse receber tantas mensagens de apoio, isso vale mais do que qualquer classificação. Eu só tenho a agradecer, por tudo, e quem sabe um até logo…", disse ela em seu perfil.

CONCURSO COM PEGADA ESG

Com 21 anos de história, o Miss Terra é conhecido por ter o meio ambiente como slogan principal. Sua organização é de uma empresa filipina e, por isso, quase sempre acontece no país asiático. Normalmente suas candidatas estão ligadas a práticas de sustentabilidade e a vencedora apoia e promove causas do setor além do ecoturismo pelo mundo.

O Brasil já venceu em duas ocasiões: em 2004, com Priscilla Meirelles, e em 2009 com Larissa Ramos. Além de Belize e Estados Unidos, já usaram a coroa principal misses de Porto Rico, Vietnã, Equador, Venezuela, Filipinas, República Tcheca, Índia, Canadá, Chile, Honduras, Quênia, Bósnia e Herzegovina e Dinamarca.

Em 2012, uma polêmica ofuscou o brilho do evento. Um jornal russo revelou que o resultado do concurso podia ser comprado por US$ 4 milhões (cerca de R$ 9 milhões). A organização negou veementemente esse tipo de prática mas, mesmo assim, a imagem do evento não ficou imaculada. Tanto que os grandes especialistas e sites sobre concursos de beleza não consideram o Miss Terra como um dos integrantes do chamado 'grand slam', que reúne os cinco maiores concursos de beleza do planeta. Hoje estão ali o Miss Universo, Miss Mundo, Miss International, Miss Supranational e Miss Grand International.

De faixa a coroa

Fábio Luís de Paula é jornalista especializado na cobertura de concursos de beleza, sendo os principais deles o Miss Brasil, Miss Universo, Miss Mundo e Mister Brasil. Formado em jornalismo pelo Mackenzie, passou por Redações da Folha e do UOL, além de assessorias e comunicação corporativa.
Contato ou sugestões, acesse instagram.com/defaixaacoroa e facebook.com/defaixaacoroa

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