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De faixa a coroa

Carioca vence 1º Mister Brasil Trans: 'Quero ser uma voz da comunidade'

Bernardo Rabello deixou outros 24 candidatos para trás e foi eleito em SP

Bernardo Rabello - Arquivo Pessoal
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São Paulo

Na noite de terça-feira (9), o candidato Bernardo Rabello, 26, representante do Rio de Janeiro, tornou-se o primeiro Mister Brasil Trans. O modelo deixou para trás outros 24 candidatos e ainda levou o prêmio especial de melhor rosto do concurso.

"Quero ser uma voz potente pelos homens trans do Brasil", disse ele após a vitória, que aconteceu no Teatro Santo Agostinho, em São Paulo.

Além do título, entre os prêmios ele ganhou orientações para a realização de harmonização facial, capilar e corporal, do médico Janssen Carvalho. Seu anúncio aconteceu, coincidentemente, ao mesmo tempo que o da nova Miss Universo Brasil, a cearense Teresa Santos.

"Meu intuito é levar a voz da comunidade trans. Dizer que nós podemos, que temos direitos. Mais importante que a minha vitória pessoal, este concurso é a vitória da visibilidade de nossos corpos. Nossos corpos precisam ser vistos. Todos nós somos plurais e somos lindos", continuou Rabello.

Tiveram ainda destaque na competição os candidatos mais bem classificados em cada uma das cinco regiões do país. São eles Fahim Qasem (Mister Norte), Natan Santos (Mister Sudeste), Nicolas Magalhães (Mister Centro-Oeste), Dominy Martins (Mister Nordeste) e Raphael Rodrigues (Mister Sul).

Na ocasião, foi eleito ainda o representante de São Paulo para a edição nacional do ano que vem. João Daniel, que defendeu Jundiaí, foi o eleito e não escondeu a emoção: "Não é apenas sobre mim, é sobre todos os homens trans pretos que eu quero ver representados neste palco".

Entre as presenças VIPs, estiveram no evento a deputada trans Erica Malunguinho (PSL-SP) e a vereadora Erika Hilton (PSOL), madrinha do concurso. "Essa é mais que uma disputa por beleza. É uma reação à sociedade cisheteronormativa que privilegia o falo, o pau. É uma vitória de nossos corpos contra a transfobia", discursou.

Já o padre Julio Lancelotti, também convidado, fez um apelo: "Muitas travestis, mulheres e homens trans, não vão chegar ao palco deste teatro. Não esqueçam das travestis moradoras de rua e dos homens trans que estão embaixo das marquises".

Segundo a organização do evento, as etapas de seleção do concurso levaram em conta os modelos dos grandes concursos de beleza internacionais. Dessa forma, o grupo de concorrentes desfilou nas tradicionais modalidades de traje de banho e moda noite, se apresentou em uma prova de talentos e fez entrevista com jurados.

Entre os prêmios especiais, o candidato Felipe Behrends (Pantanal) ficou com a faixa de Mister Simpatia, enquanto Murilo Alves (Juiz de Fora) de Mister Popularidade e Natan Santos (Niterói) de Mister Top Model. Ainda foram reconhecidos Nicolas Magalhães, do DF (Mister Live); Mikael Honorato, de Barueri (Mister Esporte); Caio Birque, do Mato Grosso (Mister Elegância); e Raphael Rodrigues, do Paraná (Mister Fotogenia).

ABERTURA TRANS

De acordo com a organização, a proposta do evento é "quebrar paradigmas evolutivos à representação da beleza, sempre direcionada à cisgeneridade, principalmente dentro da indústria de moda".

A declaração, presente no material de divulgação à imprensa, é uma crítica aberta e clara aos padrões de beleza engessados vigentes. Apesar disso, mostra também que o setor dos concursos de miss e mister no país está se abrindo aos grupos sociais minorizados. E, mesmo que seja um evento nichado, o anúncio do concurso dá continuidade a uma linha evolutiva do setor no sentido de diversidade.

O estopim dessa abertura trans entretanto veio de fora, quando em julho de 2018 Angela Ponce foi coroada como a representante da Espanha para o Miss Universo daquele ano. Não demorou muito para que o tema começasse a gerar discussão e impactar outros concursos. No caso do Brasil, o destaque mais recente é de agosto deste ano, quando a goiana Rayka Vieira ganhou os olhos da imprensa ao se tornar a primeira mulher trans a lutar por uma faixa verde e amarela, no Miss Brasil Mundo 2021.

Do lado de homens trans, a repercussão não é tão forte quanto para as mulheres. Ao fazer uma comparação, é indiscutivelmente notável que os concursos femininos são bem mais populares que os masculinos, e esse é um dos motivos. Outro é que a figura dos homens trans ainda é menos comum que a da mulher, e o tema é menos discutido.

De faixa a coroa

Fábio Luís de Paula é jornalista especializado na cobertura de concursos de beleza, sendo os principais deles o Miss Brasil, Miss Universo, Miss Mundo e Mister Brasil. Formado em jornalismo pelo Mackenzie, passou por Redações da Folha e do UOL, além de assessorias e comunicação corporativa.
Contato ou sugestões, acesse instagram.com/defaixaacoroa e facebook.com/defaixaacoroa

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