De faixa a coroa

Filme 'Misbehaviour' retrata luta feminista e vitória da primeira negra no Miss Mundo

Com Keira Knightley, longa não tem data de estreia e retrata concurso de 1970

Cena do filme "Misbehaviour" Divulgação

Em 1970 os concursos de miss sofreram uma de suas primeiras crises de formato. A ideia de uma disputa onde os corpos femininos eram avaliados por uma bancada majoritariamente masculina não parecia mais apropriada naquele momento e, para algumas mulheres, impactava na luta por direitos iguais.

Esse é o cenário retratado no filme “Misbehaviour” (2020), ainda sem data de estreia no Brasil. O longa narra a organização de um protesto do Movimento de Libertação das Mulheres (Women’s Liberation Movement) que ocorreu durante a transmissão ao vivo da cerimônia do Miss Mundo 1970, realizado na Inglaterra.

Sally Alexander (Keira Knightley) é uma das peças chave do ato, que frustrou o discurso recheado de piadas machistas do apresentador Bob Hope (Greg Kinnear) durante o show da final no teatro londrino Royal Albert Hall, em novembro daquele ano.

Paralelamente, os bastidores da disputa são observados, principalmente pelo ponto de vista da representante de Granada, Jennifer Hosten (Gugu Mbatha-Raw), que sonha com a vitória, apesar do histórico desanimador do concurso, que nunca tinha premiado uma representante negra.

Naquele ano também, por conta do Apartheid, a organização admitiu pela primeira vez duas representantes da África do Sul: a branca Jillian Jessup (Emma Corrin) e a negra Pearl Jansen (Loreece Harrison).

No final, Hosten fez história como a a primeira mulher negra a tornar-se Miss Mundo, com Jansen como vice. O resultado significou uma quebra de paradigma racial da competição, assim como os organizadoras do protesto iniciaram ali a escalar uma projeção macro sobre o local da mulher na sociedade.

Apesar disso, hoje em dia ambos os movimentos seguem bastante vivos, mesmo que lutando em outro momento social. A prova de biquíni, por exemplo, foi abolida do Miss Mundo apenas em 2014 e do Miss América, em 2019.

Outro ponto é alta repercussão das vitória da jamaicana Toni-Ann Singh, no Miss Mundo 2019, e da sul-africana Zozibini Tunzi,no Miss Universo 2019.

“Misbehaviour” pode não ser uma obra de arte, mas conta uma história tão atual que vale a pena ser revista para consagrar, de uma vez por todas, mudanças definitivas para nossos tempos.

De faixa a coroa

Fábio Luís de Paula é jornalista especializado na cobertura de concursos de beleza, sendo os principais deles o Miss Brasil e Miss Universo. Formado em jornalismo pelo Mackenzie, passou por Redações da Folha e do UOL, além de assessorias, como a da Fox.

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